Docentes e estudantes representaram a Escola de Enfermagem da UFMG com a maior delegação no 20º SENADEn e 17º SINADEn


A Escola de Enfermagem da UFMG participou com a maior delegação do 20º Seminário Nacional de Diretrizes para Educação em Enfermagem (SENADEn) e do 17º Simpósio Nacional de Teorias, Terminologias e Processo de Enfermagem (SINADEn), realizados entre os dias 28 e 31 de julho, em João Pessoa (PB). Cerca de 20 docentes e estudantes representaram a instituição em palestras, mesas-redondas, cursos pré-congresso, apresentações de trabalhos científicos e importantes reuniões sobre os rumos da formação em enfermagem no Brasil.

Com o tema “Formação, Prática e Inovação em Enfermagem para o Cuidado Seguro, Sustentável e Transformador”, o SENADEn e o SINADEn reúnem pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de todo o país para discutir os desafios e as perspectivas do ensino de graduação e pós-graduação em enfermagem, além de promover o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da formação profissional.

Professores e alunos da EEUFMG no evento em João Pessoa

No dia 28 de julho, as professoras Lilian Cristina Rezende, Elen Cristiane Gandra, Kênia Lara da Silva, Juliana de Oliveira Marcatto e Bruna Dias França ministraram a atividade pré-evento “Transformando o Ensino em Enfermagem: aplicações práticas de Kolb, Arco de Maguerez e TBL (Team-Based Learning)”.

A professora Kleyde Ventura de Souza ministrou a oficina “Formação em Enfermagem Obstétrica: bases para construção de projetos formativos alinhados ao Ministério da Saúde”, organizada pela Rede Alyne/UFMG — Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica (CEEO), com unidade sediada na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A atividade, que contou também com a participação da professora Belisa Vieira da Silveira, tutora do curso, foi voltada aos enfermeiros-especializandos do CEEO Rede Alyne (Unidade-Sede/UFPB), professores, tutores, preceptores do curso e profissionais dos serviços de saúde parceiros. Além disso, a professora Kleyde participou da seção de lançamentos de livros apresentando o e-book “Enfermagem Obstétrica: bases para formação profissional alinhadas às políticas do Ministério da Saúde para mudança de modelo de atenção ao parto e nascimento”. O e-book sistematiza diretrizes e referenciais para a formação em Enfermagem Obstétrica, constituindo uma contribuição para o desenvolvimento e o aprimoramento de cursos de pós-graduação lato sensu, especialmente programas de residência e especializações voltadas à formação de enfermeiras obstétricas.

A professora Kenia Lara da Silva, que compôs a Comissão executiva e a comissão de prêmios, participou da mesa-redonda “Educação em Enfermagem: desafios da Regulação na América Latina e Brasil”, juntamente com a presidenta da ALADEFE (Associação latino-americana de Escolas e Faculdades de Enfermagem)”. Ela abordou a regulação do ensino de enfermagem na América Latina, com foco especial na realidade brasileira. “A partir da contextualização histórica das normas educacionais, apresentei os impactos da mercantilização do setor, que resultou em uma expansão desordenada de cursos privados e na ascensão do ensino à distância. Apresentei dados estatísticos da Pesquisa Demografia e Mercado de trabalho da Enfermagem, demonstrando o crescimento da força de trabalho e a disparidade entre a oferta acadêmica e as reais necessidades sociais de saúde. É preciso fortalecer o papel mediador do Estado e das entidades de classe para garantir a qualidade formativa. O objetivo final é alinhar a educação profissional às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), combatendo a fragmentação da categoria. A ABEn possui um papel central nesse processo”, afirmou.

Palestra da professora Kenia Lara

Além desta atividade, a professora esteve presente na III Reunião do Fórum de Pesquisadores de Educação, organizada pela Diretoria Nacional de Educação e Diretoria Nacional de Pesquisa da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn).

Pesquisa, pós-graduação e inovação
A professora Adriana Oliveira, coordenadora da Área de Enfermagem do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi responsável pela reunião de pesquisadores do CNPq, proposta pelo Comitê de Assessoramento da Área de Enfermagem da instituição. Segundo ela, o encontro contou com expressiva adesão e promoveu uma oportunidade única de escuta e troca de experiências. “A reunião com os pesquisadores foi um marco de grande importância para a enfermagem, ocorrendo no momento em que os critérios da Chamada da Bolsa de Produtividade para o próximo triênio estão sendo revistos. A participação ativa da comunidade acadêmica, da ABEn e do Comitê de Pesquisadores na discussão e consenso das métricas de avaliação garante um processo transparente, democrático e construído pela própria área.”

Integrando a programação, a professora Adriana também participou de uma mesa-redonda ao lado da Coordenadora de Área da CAPES, professora Ana Karina, com o tema central “Pós-Graduação na Enfermagem: onde estamos e para onde queremos ir?”. O debate contextualizou o panorama atual do financiamento de pesquisas em Enfermagem junto ao CNPq, reiterando a indissociabilidade entre a qualificação dos Programas de Pós-Graduação (PPGs) e a formação de pesquisadores. Também foi destacado o impacto da produção científica qualificada, da liderança, da autonomia e da formação de recursos humanos como indicadores essenciais para a captação de recursos.

Professora Adriana Oliveira durante a mesa-redonda Pós-Graduação na Enfermagem: onde estamos e para onde queremos ir?

Durante a apresentação, foram sintetizados dados que evidenciam o destaque da área de enfermagem no cenário dos comitês de assessoramento, ocupando uma importante posição no ranking do CNPq em número de bolsas de produtividade. Também foram ressaltadas as parcerias estratégicas do CNPq com as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) estaduais. De acordo com a professora Adriana, essa cooperação visa apoiar propostas que, embora recomendadas pelo comitê de área da Enfermagem, não foram contempladas pelo orçamento federal — modelo que já atende às chamadas de bolsas de produtividade e que, a partir deste ano, estende-se à Chamada Universal.

A professora detalhou, ainda, o perfil dos pesquisadores nas principais chamadas e apontou desafios que exigem debate contínuo, como o limiar entre produtividade e produtivismo, e as assimetrias na distribuição dos PPGs pelo país, dentre outros. Como estratégias de superação, destacou o fortalecimento de propostas alinhadas a agendas mundiais de pesquisa — voltadas a soluções para problemas locais, regionais ou nacionais da humanidade —, além de ações que propiciem a maturidade da trajetória científica.

A professora Eline Borges participou da mesa-redonda “Translação do conhecimento sobre teorias, terminologias e processo de enfermagem: Sessão Clínica – Inovações tecnológicas no cuidar de enfermagem ao paciente clínico-cirúrgico: Enfermeiros criadores”. Também participam da mesa os professores Lidyane Galdino Félix e Renan Alves da Silva, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Na palestra “Inovações tecnológicas no cuidar de enfermagem ao paciente clínico-cirúrgico: enfermeiros criadores”, a professora Eline Borges apresentou a trajetória do projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), fruto de parceria entre a EEUFMG e a empresa C-CORE, desde sua concepção até a estruturação do Laboratório de Tecnologia e Inovação (LABTEC C-CORE/UFMG), destacando o laboratório como um meio para viabilizar as pesquisas, e não como o objetivo final da iniciativa. Durante a apresentação, ela abordou o processo de organização do projeto, as adequações realizadas para atender às diretrizes do PD&I, a formação da equipe de pesquisadores e bolsistas de graduação e pós-graduação, além dos resultados já alcançados em termos de produção científica, formação de recursos humanos e perspectivas futuras.

A professora Eline Borges apresentou o PD&I, fruto de parceria entre a EEUFMG e a empresa C-CORE

A docente também apresentou a tecnologia japonesa C-CORE, desenvolvida para substituir a tradicional espuma de poliuretano na prevenção de lesão por pressão. “Em pouco mais de três anos, o LABTEC estruturou metodologias inéditas, formou recursos humanos, produziu conhecimento e iniciou a validação de tecnologias inovadoras. Mais importante, demonstrou que a Enfermagem brasileira pode liderar processos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com rigor científico, impacto social e compromisso com o cuidado”, destacou. Ao final, Eline reforçou o papel da profissão na produção de soluções inovadoras para a assistência em saúde: “A Enfermagem transforma problemas do cuidado em conhecimento, conhecimento em inovação e inovação em cuidado seguro.”

Reuniões estratégicas
As professoras Elysângela Dittz Duarte e Mariana Santos Felisbino Mendes, coordenadora e subcoordenadora da Pós-Graduação em Enfermagem, respectivamente, participaram da reunião de coordenadores de programas de pós-graduação em Enfermagem do Brasil. Já as professoras Juliana de Oliveira Marcatto e Lilian Cristina Rezende participaram da reunião de coordenadores dos cursos de graduação em Enfermagem. A professora Mariana Felisbino destacou que durante a reunião foram discutidos


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