Alunas do curso de Enfermagem participam da construção de manual sobre TDAH para famílias atípicas


As estudantes Júlia Ferreira Costa e Júlia Resende Fernandes, do curso de graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG, participaram da construção do Manual de Bolso – Guia Prático para Famílias Atípicas diante do TDAH, material que reúne informações claras, acessíveis e fundamentadas em evidências científicas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O manual é coordenado pela enfermeira Patrícia Santos Prudêncio, formada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP).

Elaborado principalmente a partir das dúvidas e situações vivenciadas pelas famílias atípicas no cotidiano, o manual foi organizado no formato de perguntas e respostas, com linguagem simples e objetiva. O conteúdo aborda diferentes aspectos relacionados ao TDAH, como manifestações, diagnóstico, tratamento, rotina, aprendizagem, direitos educacionais, impacto do uso de telas, ações para a promoção da saúde emocional e estratégias de apoio à criança, ao adolescente e à família.

As estudantes Júlia Costa e Júlia Fernandes com o
Manual de bolso

A proposta é tornar o conhecimento científico mais acessível não apenas às famílias e cuidadores, mas também aos educadores e profissionais interessados na temática. Além das informações sobre o transtorno, o material aborda questões relacionadas ao cuidado, à inclusão, ao ambiente escolar, à organização da rotina e à saúde emocional das famílias atípicas. Dessa forma, pode funcionar como um recurso de orientação e educação em saúde, sempre reforçando que não substitui a avaliação e o acompanhamento profissional.

A participação das estudantes na construção do manual começou a partir do convite para integrar a Comissão Organizadora do III Congresso Nacional Online de Saúde Escolar (III CoNaSE), em fevereiro de 2026, sob coordenação de Patrícia Prudêncio. A atuação na comissão se estende até o momento e envolve diferentes frentes relacionadas à temática do congresso, que, neste ano, abordou a neurociência como suporte às neurodiversidade e a saúde mental na comunidade escolar.

Durante esse período, Júlia Resende e Júlia Ferreira contribuíram para a produção de vídeos e podcasts sobre essas temáticas, além da organização de atividades relacionadas à Campanha de Promoção da Saúde Escolar e à Exposição de Boas Práticas de Saúde Escolar. Essas atividades possibilitaram às estudantes colaborar com a divulgação do congresso e estabelecer contato com profissionais e estudantes envolvidos nessa área. Foi nesse contexto que surgiu o manual de bolso, como um complemento dessa participação. Na elaboração do material, as estudantes contribuíram desde a pesquisa, seleção e organização das informações até o projeto gráfico e a diagramação, em conjunto com os demais integrantes da equipe.

Todo o trabalho foi desenvolvido de forma colaborativa, envolvendo estudantes e profissionais de diferentes áreas e instituições. Para as graduandas da Escola de Enfermagem da UFMG, a experiência possibilitou participar da organização de um evento científico e, ao mesmo tempo, contribuir para a produção e divulgação de materiais educativos voltados à comunidade.

Formação e educação em saúde
As alunas destacaram que a construção do manual também teve importância para a formação acadêmica. “Como estudantes de Enfermagem, entendemos que o cuidado envolve educação em saúde, orientação, acolhimento e acesso a informações de qualidade. Participar da elaboração de um material pensado para famílias, cuidadores e educadores permitiu perceber de forma mais concreta como o conhecimento produzido no meio acadêmico pode ultrapassar os espaços da universidade e chegar à população de maneira mais acessível. O processo também contribuiu para o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas à busca e organização de informações científicas, escrita, comunicação em saúde, trabalho em equipe e produção de materiais educativos”.

Para Júlia Resende, a experiência permitiu ampliar os conhecimentos sobre o TDAH e refletir sobre como transformar informações científicas em um conteúdo mais simples, claro e acolhedor para as famílias. “Participar da construção desse manual foi uma experiência muito especial para mim. Além de aprender mais sobre o TDAH, pude pensar em como transformar informações científicas em um conteúdo mais simples, claro e acolhedor para as famílias. O formato de perguntas e respostas tornou esse processo ainda mais interessante, por aproximar o conhecimento de quem está lendo e facilitar sua compreensão no dia a dia”, afirma.

A estudante também destaca a participação na comissão organizadora do III CoNaSE como parte importante de sua trajetória acadêmica. “Foi uma experiência única, que me trouxe muitos aprendizados e que vou levar ao longo da minha formação. Participar de todo esse processo reforçou ainda mais a importância da educação em saúde e de tornar o conhecimento científico cada vez mais acessível às pessoas.”

Júlia Ferreira enfatiza que integrar a comissão organizadora do III CoNaSE e participar da construção do manual possibilitou ampliar o olhar sobre a neurodiversidade, considerando as vivências, rotinas e necessidades das famílias e cuidadores. “Me permitiu olhar para a neurodiversidade para além da perspectiva de profissional de saúde, refletindo sobre as vivências, rotinas e necessidades das famílias e cuidadores, além de transformar conhecimento científico em uma linguagem clara, objetiva e acessível, especialmente por meio do formato de perguntas e respostas”.

Ela considera que a experiência fortaleceu aprendizados construídos ao longo de sua trajetória acadêmica, especialmente sobre educação em saúde e sobre o papel do enfermeiro na comunicação e na construção de um cuidado mais acolhedor e qualificado.“Fazer parte dessa construção coletiva me mostrou, na prática, como o conhecimento pode ultrapassar a academia e se transformar em uma ferramenta de apoio para a comunidade”, destaca.


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