No dia 16 de setembro, a aula aberta “Segurança do Paciente na Sepse: da prevenção à reabilitação” reuniu estudantes, docentes e pesquisadores da saúde no auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG para fortalecer conhecimentos e práticas relacionadas à segurança do paciente com sepse no cuidado multidisciplinar. Promovido pelo Núcleo de Pesquisa em Tecnologia, Enfermagem e Cuidado Seguro (NUPTEC/CNPq), sob coordenação da professora do Departamento de Enfermagem Básica Allana Dos Reis Corrêa, o evento elaborou uma abordagem teórica e atividade prática, promovendo a integração entre conhecimento, raciocínio clínico e tomada de decisão.
A professora Allana Corrêa explica que a sepse (antigamente chamada de infecção generalizada) é uma das principais causas de mortalidade hospitalar e exige reconhecimento precoce, tratamento oportuno e cuidado contínuo e seguro. “Na assistência como um todo, ainda que o tratamento seja feito dentro das metas, se ele não for feito em tempo hábil para atender um paciente, haverá consequências. Quando falamos em sepse, o tempo de resposta é fundamental, porque se ela for identificada ainda na atenção primária, o paciente tem maior chance de ser corretamente classificado no pronto socorro e, às vezes, não necessitar de ir para o cuidado intensivo.”

A enfermeira e pós-doutoranda da EEUFMG, Carolina Braga Mascarenhas, ministrou a aula aberta “Segurança do paciente na sepse: do reconhecimento à reabilitação” e pontuou as etapas principais do processo de enfermagem na formação e capacitação de equipes. Segundo ela, a abordagem frente à sepse deve ser de caráter multidisciplinar, envolvendo elementos como cultura de segurança, gerenciamento de riscos e participação e instrução do paciente. “Caracterizada pela resposta desregulada do organismo a uma infecção, a sepse é potencialmente fatal e necessita de um diagnóstico clínico, que não pode ser confirmado ou descartado com base em um único indicador. O enfermeiro, então, desempenha um papel fundamental na coleta de dados, por meio do rastreamento de características definidoras, fatores de risco e condições associadas.”

Com o tema “Segurança da criança com sepse: especificidades ao longo da jornada do cuidado”, a enfermeira e doutoranda da EEUFMG Alessandra Ferreira, abordou as diferenças práticas e teóricas no tratamento da sepse em adultos e crianças. “O tratamento da sepse pediátrica possui especificidades e rastreamentos próprios, afinal, a criança não é um adulto pequeno. Enquanto a sepse causa a mortalidade de adultos, sobretudo pela gravidade da doença, entre crianças, ela mata desproporcionalmente pelo atraso no reconhecimento, já que a própria fisiologia infantil mascara a deterioração interna”, sinalizou. A palestrante complementou dizendo que a documentação pré-sepse durante a avaliação da linha de base, quando o paciente é admitido no hospital, deve ser realizada de maneira rigorosa e precisa, levando em consideração o relato dos familiares, para maiores chances de recuperação.
