A integração entre inteligência artificial, games educativos e saúde esteve no centro das discussões do Workshop Internacional sobre Inteligência Artificial, serious games e hesitação vacinal, realizado nos dias 18, 19 e 22 de junho na Escola de Enfermagem da UFMG. Promovido pelo Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (OPESV), sob coordenação da professora Fernanda Penido Matozinhos, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública, o evento reuniu estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais de saúde com o objetivo de promover estratégias multidisciplinares e inovações tecnológicas em saúde para co-projetar ferramentas digitais que reduzam a hesitação vacinal entre adolescentes no Brasil.
O workshop foi ministrado pelo professor associado em Desenvolvimento de Jogos na University of Technology Sydney (UTS), Jaime Garcia, especialista em serious games e gamificação para melhorar o bem-estar e a aprendizagem. De acordo com ele, os serious games são tecnologias que equilibram o entretenimento com objetivos educacionais práticos para influenciar positivamente o comportamento humano. “No contexto da hesitação vacinal entre adolescentes, um jogo interativo pode ser uma importante estratégia para chamar a atenção à importância de se vacinar. O objetivo principal é que os usuários transformem suas mentalidades sobre saúde pública enquanto participam de uma experiência recreativa.“
Professor Jaime Garcia
Durante a mesa de abertura, a diretora da Escola de Enfermagem, professora Sônia Maria Soares, destacou a necessidade crescente de integrar soluções digitais no cuidado à saúde. “Essa é uma excelente oportunidade para que possamos ampliar o nosso conhecimento e divulgarmos a importância das vacinas para a sociedade como um todo. Eu sempre digo que quem coloca a vacina nos braços das pessoas é a Enfermagem, e isso é fundamental. A nossa universidade tem buscado desenvolver estudos cada vez mais robustos, utilizando a tecnologia para aperfeiçoar os nossos métodos e termos resultados melhores.”
A professora Fernanda Penido agradeceu o apoio institucional e da FAPEMIG para a realização do workshop e complementou dizendo que as trocas interdisciplinares são necessárias. “A hesitação vacinal é um grande problema para a queda das nossas coberturas vacinais, sobretudo entre adolescentes, um público especificamente muito envolvido com a tecnologia. Esse evento nos traz pressupostos para pensarmos em maneiras de usar essas tecnologias a nosso favor, com criações cada vez melhores. Agradeço imensamente pela oportunidade de escuta e pela presença de todos os envolvidos.”
A professora Elysângela Dittz Duarte, coordenadora do Colegiado de Pós-graduação em Enfermagem, reiterou o caráter integrativo de ampliar a parceria com visitantes de outras instituições através de políticas institucionais amplas. “É uma satisfação enorme termos o desenvolvimento de atividades formativas que trazem para a discussão temáticas de absoluta relevância para o contexto de saúde pública nacional. A inovação, principalmente no que diz respeito ao intercâmbio de conhecimentos multidisciplinares, traz o potencial de alargamento do nosso campo de visão, possibilitando mais entendimentos de aplicação e potenciais de mudança.”
Atividades realizadas
Ao iniciar as atividades, o professor Jaime explicou o passo a passo da elaboração e aplicação dos serious games, abordando temas como regras, procedimentos e resultados esperados. “Um serious game deve ser divertido, seguro e com metas bem estabelecidas, para que os usuários se sintam engajados e emocionalmente conectados com o seu progresso. Utilizamos, então, fundamentos da psicologia, pedagogia, ciência da computação e da saúde, com o intuito de desenvolvermos aplicações práticas que aprimorem o dia a dia dos usuários”, afirmou. Segundo ele, esses jogos passam por etapas elaboradas de desenvolvimento, que vão desde a conceituação de protótipos até a divulgação aberta ao público.
No dia 19, os participantes do workshop realizaram uma atividade em grupo voltada para a criação de serious games, sob orientações do professor Jaime Garcia, com o propósito de gerar construções coletivas aplicadas à promoção da saúde. Com temática livre e um modelo de direcionamento fornecido pelo docente da UTS, o público pôde se debruçar no desenvolvimento de soluções digitais para os seus projetos de pesquisa e extensão ou no dia a dia no atendimento à saúde.
Reunirão para a “Stakeholder Co-Design Workshop: reflection and Synthesis Meeting
O terceiro dia de evento contou com a apresentação dos projetos de serious games criados pelos participantes, onde eles receberam os feedbacks do professor Jaime para corrigir erros e aprimorar a qualidade de desenvolvimento. O profissional em design de jogos indicou pontos de melhoria técnicas no planejamento dos projetos para que temas científicos de saúde pudessem ser abordados de modo mais interativo e, assim, garantir uma maior adesão do público-alvo.
O professor Jaime sinalizou, ainda, os principais conceitos éticos do uso de inteligência artificial em saúde e exemplos práticos de aplicações para o desenvolvimento de ferramentas inovadoras. “A IA Generativa é a mais comum no nosso dia a dia; é aquela que gera conteúdos e imita a criatividade e o comportamento humano. Ela armazena uma enorme quantidade de dados e, a partir deles, fornece informações específicas para as nossas demandas. No contexto da elaboração de um serious games para a área da saúde, a IA generativa pode ajudar a entender os diferentes perfis de jogadores, os objetivos que queremos alcançar e a criar mecânicas de jogo divertidas.”
Além das atividades lecionadas pelo professor Jaime, pesquisas no âmbito de hesitação vacinal desenvolvidas em Minas Gerais foram apresentadas pelos membros do OPESV: professora Camila Kümmel Duarte, do Departamento de Nutrição; professor Thales Rodrigues, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública; e pela doutoranda Melissa Martins.
