Qualificar o debate sobre segurança alimentar e nutricional, situando a agricultura urbana e periurbana como componente estratégico de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso a alimentos adequados e saudáveis. Esse é o objetivo da publicação técnica “Estratégias de Implementação e Fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil: Mapeamento das Experiências da Agricultura Urbana e Periurbana nos Serviços de Saúde e Assistência Social”, lançada recentemente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde da UFMG (GEPPAAS/UFMG), sob coordenação da professora Larissa Loures Mendes, do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG.
A publicação resulta de um mapeamento nacional de experiências de agricultura urbana e periurbana (AUP) desenvolvidas nos serviços de saúde e assistência social. A iniciativa busca dar visibilidade às ações existentes, estimular sua ampliação e qualificação e subsidiar a produção de conteúdos técnicos capazes de apoiar a implementação e o fortalecimento de estratégias de segurança alimentar e nutricional alinhadas à agenda climática e à construção de sistemas alimentares urbanos mais sustentáveis no Brasil.

Professora Larissa Mendes no lançamento da publicação técnica
O levantamento reúne 43 experiências exitosas de produção de alimentos desenvolvidas em serviços de saúde e assistência social de municípios das regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste. Ao longo da obra, a agricultura urbana e periurbana é apresentada como uma estratégia capaz de aproximar produção e consumo, valorizar alimentos frescos e promover práticas sustentáveis, articulando-se às ações do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Entre os principais achados, destaca-se que o cenário brasileiro ainda enfrenta desafios relacionados à institucionalização dessas iniciativas, à integração entre políticas públicas, ao acesso a recursos e ao fortalecimento da participação social. Por outro lado, o estudo evidencia o caráter inovador das hortas urbanas como espaços de promoção da saúde, valorização da agroecologia, educação alimentar e nutricional, fortalecimento comunitário e inclusão produtiva.
A professora Larissa Loures Mendes destaca que a consolidação de sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes nas cidades depende da articulação entre políticas públicas, territórios e comunidades. “As experiências identificadas demonstram que a agricultura urbana e periurbana vai muito além da produção de alimentos. Trata-se de uma estratégia que fortalece vínculos comunitários, amplia o acesso a alimentos adequados e saudáveis, promove educação alimentar e nutricional e contribui para a construção de cidades mais justas, sustentáveis e resilientes. Seu fortalecimento depende da integração entre políticas públicas, serviços e população”, afirma.
Ao enfatizar abordagens integradas voltadas às populações em situação de vulnerabilidade, o estudo adota uma compreensão ampliada da alimentação, contemplando não apenas o acesso aos alimentos, mas também seus impactos sobre a saúde, a qualidade de vida e a autonomia dos indivíduos e comunidades. Além disso, o mapeamento possibilita a identificação de padrões, desafios operacionais e fatores facilitadores, oferecendo subsídios para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas intersetoriais, nas quais o cuidado se organiza de forma territorializada, integrada e sustentável.
