Programas de monitoria são fundamentais para combater a evasão estudantil no ensino superior, aponta estudo


Estudo recentemente publicado por professores e estudantes do Programa de Monitoria da Graduação (PMG) do Departamento de Gestão em Saúde da Escola de Enfermagem da UFMG na revista Springer Nature – Higher Education revelou que as monitorias contribuem para reduzir a evasão no ensino superior. O artigo mapeou 87 estudos empíricos nacionais e internacionais, publicados entre os anos de 1978 e 2024, para investigar a forma como esses programas atuam não apenas como suporte acadêmico para os estudantes, mas também auxiliam na integração social, orientação de carreira e apoio psicológico e emocional desses indivíduos.

A coordenadora do PMG, professora Wanessa Debôrtoli de Miranda, explica que a evasão estudantil é caracterizada como o abandono do curso por parte dos alunos antes de concluírem a qualificação. “Esse fenômeno pode ser causado por fatores psicológicos, como dificuldades de adaptação à vida universitária, percepções de desafios acadêmicos e sentimentos de desconexão e solidão por parte dos estudantes, bem como por fatores socioeconômicos e institucionais.”

Os achados apontam que as taxas de evasão escolar variam de acordo com fatores institucionais, disciplinares e culturais, mas tendem a afetar principalmente alunos pertencentes a minorias sociais e em contextos de ensino digital, estando mais atrelada à influência familiar e responsabilidades profissionais, respectivamente. A professora também denota que altas taxas de evasão podem indicar problemas estruturais nos sistemas educacionais e representar investimentos públicos sem o retorno social esperado.

Atividade do  Programa de Monitoria da Graduação

Segundo o estudo, os programas de monitoria atuam como ferramenta de integração social na medida em que contribuem para o maior pertencimento e acolhimento dos estudantes no ensino superior. Segundo os pesquisadores, a contínua relação de diálogo, cooperação e aprendizado mútuo entre monitor e monitorado promove tanto a retenção, quanto o sucesso entre estudantes. “A monitoria é entendida como um processo no qual o conhecimento, as estratégias de enfrentamento e as habilidades acadêmicas funcionam como um andaime que permite aos alunos superar desafios acadêmicos e psicossociais”, complementa Wanessa.

A professora reitera, ainda, que a atuação das instituições de ensino superior na inserção e permanência dos estudantes é fundamental para combater a evasão estudantil, sendo especialmente relevante para alunos do primeiro ano e para grupos historicamente sub-representados. “O panorama do ensino superior passou por transformações significativas nos últimos anos, impulsionadas por desafios que exigem respostas eficazes das instituições de ensino superior. Não basta ‘apenas’ ensinar, é preciso criar estratégias inclusivas sensíveis às necessidades, aos conhecimentos prévios e interesses dos estudantes, que têm se tornado cada vez mais distintos.”

A pesquisa conclui que programas de monitoria bem estruturados, que levam em consideração as condições econômicas, estruturais e psicológicas dos alunos são especialmente relevantes para a retenção estudantil. “É necessário articular os programas de monitoria como uma intervenção universal, mas sensível ao contexto, no ensino superior.”

Além da professora Wanessa, o estudo é de autoria da Cássia Rita Pereira da Veiga, professora e coordenadora do PMG à época da construção da pesquisa, dos estudantes do curso e graduação em Gestão de Serviços de saúde: Bruna Maria Ferreira Mota, Ester Toledo Guimarães, Ludmila Neves Oliveira de Pinto, Luiz Guilherme Billet, Luiza Peixoto Bicalho e Stephanie Hoffmam Nascimento. Além da parceria com o pesquisador Claudimar Pereira da Veiga da Fundação Dom Cabral.


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