Na última terça-feira, 20 de outubro, foi realizada na Escola de Enfermagem da UFMG a mesa-redonda “Cirurgia segura: Onde estamos após 18 anos do Segundo Desafio Global para a Segurança do Paciente?”, coordenada pela professora Taysa Garcia, do Departamento de Enfermagem Básica. Com discussões técnicas e teóricas, o evento reuniu estudantes, profissionais de saúde e pesquisadores para analisar os avanços, desafios e perspectivas multidisciplinares relacionados à segurança do paciente no contexto cirúrgico.
Durante a mesa de abertura, a diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Adriana Cristina de Oliveira Iquiapaza, discursou sobre a importância de manter o debate sobre segurança do paciente em evidência no ambiente universitário para superar atrasos históricos na prática clínica. “Eu tenho certeza que esse evento será o primeiro de muitos, porque falar sobre segurança do paciente é fundamental. A previsão da OMS era de que chegássemos a 2020 com excelência, mas esta data já passou há 6 anos e nós ainda estamos batendo nas mesmas teclas, nas mesmas dificuldades quando falamos de cirurgia segura. Mas é através da formação acadêmica, da expertise de docentes e alunos que vamos poder transformar a produção de conhecimento em impacto social na comunidade”.

A coordenadora do evento, professora Taysa Garcia, abordou a evolução histórica da segurança do paciente e destacou a necessidade de formar novas gerações com uma cultura de cuidado aprimorada. “Depois de 18 anos da implementação do checklist cirurgia segura, podemos visualizar bastante qual é o nosso desafio. Nós precisamos expandir as discussões sobre a segurança do paciente para que os futuros profissionais de saúde sejam melhores do que nós somos hoje e passem a enxergar a segurança como princípio ético e moral da consciência profissional, dentro e fora do centro cirúrgico.”
Segurança do Paciente
A palestra “Evento adverso em foco: por que ainda erramos?” foi conduzida pela professora Liliane Silva, da Universidade Federal de São João del-Rei. Ela explicou que a maioria das falhas não decorre de negligência intencional ou falta de habilidade técnica, mas de fatores como sobrecarga e estresse. “Quando falamos de cultura de segurança madura, é essencial que haja uma liderança ativa que promova treinamentos multiprofissionais, dê feedbacks para a equipe e que garanta o cumprimento do checklist de cirurgia segura. É igualmente importante que haja apoio institucional e integração entre todas as equipes de cuidado. Reconhecer a vulnerabilidade cognitiva dos profissionais de saúde é o primeiro e mais importante passo para o verdadeiro foco na segurança do paciente.”
Com o tema “Desafios e estratégias para adesão à lista de verificação cirúrgica sob a ótica do enfermeiro”, a professora Alba Lozano, da Universidade do Chile, apresentou a cultura de segurança do paciente como uma importante forma de reduzir a ocorrência de danos evitáveis e melhorar o desfecho clínico. “A segurança cirúrgica exige muito mais do que apenas dispor de uma lista de verificação, ela também envolve a prática cotidiana das equipes médicas e de enfermagem. Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel crucial: verificar, comunicar e agir diante de riscos é o que transforma os protocolos de segurança em ações efetivas.”

A professora Flávia Latini, do Departamento de Enfermagem Básica, apresentou a palestra “Segurança sob a ótica do paciente: aspectos legais e recomendações das diretrizes específicas”, que discutiu a integração entre os direitos do paciente e a sua participação prática na segurança cirúrgica. “Em 6 de abril de 2026, foi publicada uma lei nova que institui o Estatuto dos Direitos do Paciente no Brasil. Ao discutirmos a segurança do paciente, também devemos considerá-lo como figura ativa, que tem voz e participa para garantir a própria segurança. É fundamental que ele esteja ciente de todo o processo que envolve o checklist de segurança cirúrgica. E isso é desafiador, porque é uma questão que vai além de um simples documento.”
