A partir da necessidade de acolher experiências de luto, o projeto de extensão “Renascer: cuidado multidisciplinar ao luto perinatal”, coordenado pela professora Juliana de Oliveira Marcatto, vice-diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, desenvolveu o grupo LUMES (Luto, Memória, Esperança). A iniciativa surgiu da parceria com o projeto de extensão “Sirius: Acolhimento para as pessoas enlutadas”, coordenado pela professora Tereza Cristina Peixoto, do departamento de Psicologia da UFMG. O objetivo é promover um espaço protegido que possibilite o compartilhamento de sentimentos diante da perda, reduzindo a sensação de isolamento social comumente associada ao luto perinatal.
A professora Juliana destaca que a iniciativa visa proporcionar segurança e apoio emocional para mulheres enlutadas por meio de dinâmicas práticas e simbólicas. “Cada encontro possui uma temática, mas as abordagens são ajustadas de acordo com as demandas apresentadas pelas participantes. Aproximando aspectos como a vivência da família, memória e tempo de luto, o grupo LUMES ouve as participantes de maneira sensível e empática para acolher os sentimentos, reconhecer a maternidade e ressignificar a experiência da perda.”

Com inscrições abertas para mulheres que vivenciaram uma perda gestacional ou perinatal, os encontros do grupo LUMES acontecem na modalidade remota, em cinco encontros semanais, com duração aproximada de duas horas, sob condução de estudantes de Enfermagem e Psicologia da UFMG. São ofertados dois grupos a cada semestre, nos meses de abril e setembro, e as inscrições são divulgadas no instagram do projeto (@renascer.ufmg). O número de vagas é limitado.
Mês da Conscientização sobre a Perda Gestacional, Neonatal e do Luto Perinatal
No Brasil e no mundo, outubro é oficialmente reconhecido como o Mês da Conscientização sobre a Perda Gestacional, Neonatal e do Luto Perinatal, um período dedicado a dar visibilidade à dor de famílias que enfrentam a perda de um bebê e a combater o silêncio que frequentemente envolve esse luto.
A Lei nº 15.139, de 23 de maio de 2025, criou a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental que assegura cuidados humanizados e apoio psicossocial a mulheres e familiares que enfrentam a perda de bebê durante a gestação, no parto ou logo após o nascimento.
O objetivo da política é garantir acolhimento digno e assistência integral às famílias em luto gestacional (morte do feto até a 20ª semana de gravidez), óbito fetal (após a 20ª semana) ou óbito neonatal (nos primeiros 28 dias de vida). A lei prevê, entre outros pontos, o direito a apoio psicológico especializado, exames que investiguem as causas das perdas e acompanhamento da saúde mental durante gestações posteriores. Também será obrigatória a capacitação de profissionais de saúde para lidar com situações de luto parental.
(Com informações da Agência Senado)
