Em palestra da EEUFMG, deputada federal Ana Pimentel discute violência de gênero na saúde


A Escola de Enfermagem da UFMG recebeu, nesta quinta-feira (10), a deputada federal Ana Pimentel (PT), também professora da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), para ministrar a palestra “Misoginia e violência nas redes sociais”. A atividade integrou a aula magna de encerramento da disciplina “Prevenção da Violência e Saúde”, coordenada pelas professoras Deborah Carvalho Malta e Gisele Nepomuceno de Andrade, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública. Aberto ao público, o evento reuniu estudantes, docentes e profissionais da saúde para promover uma reflexão crítica sobre as relações entre violência de gênero, redes sociais, políticas públicas e saúde coletiva, além de discutir o papel dos profissionais de saúde na identificação, notificação e enfrentamento das diferentes formas de violência.

A mesa de abertura foi composta pela diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Sônia Maria Soares; a diretora da Faculdade de Medicina da UFMG, professora Andréa Maria Silveira; as coordenadoras da disciplina, professora Deborah Malta e professora Gisele Nepomuceno; o vereador de Belo Horizonte, Bruno Pedralva; e a deputada federal Ana Pimentel.

A professora Sônia Soares destacou a importância da formação acadêmica e da pesquisa para dar visibilidade a formas sutis e ocultas de agressão, como a misoginia, que impactam profundamente a saúde mental e o convívio social. “Esta disciplina trouxe registros extremamente importantes para o enfrentamento dos ciclos de violência nos quais poucas pessoas têm a oportunidade e a coragem de fazer as denúncias. Que esse conhecimento seja capaz de extravasar os muros da universidade e que a comunidade acadêmica persista nas pesquisas e nas ações de extensão, porque o tema é muito necessário no momento atual da nossa cidade, do nosso país e do mundo.”

A coordenadora da disciplina, professora Deborah Malta, esclarece que a atividade está diretamente vinculada aos objetivos de ensino da disciplina, na medida em que foram estudados os aspectos teóricos, conceituais e epidemiológicos da violência, suas múltiplas manifestações e os grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade. “A discussão sobre misoginia e violência nas redes sociais reforça a necessidade de compreendermos a violência como um fenômeno complexo, atravessado por questões sociais, culturais, políticas e de gênero, que se manifesta em diferentes espaços e produz impactos concretos na vida e na saúde das pessoas.”

A deputada Ana Pimentel iniciou a discussão abordando aspectos teóricos dos algoritmos nas redes sociais e a forma como a ausência de moderação eficaz e a impunidade permitem que a violência de gênero seja ampliada nestes espaços. Segundo ela, a internet prioriza o engajamento através do ódio, transformando a agressão de gênero em um produto lucrativo, com impactos reais à saúde das mulheres. “É importante entendermos como que, sustentada pelo anonimato das redes sociais, a agressividade sobre a posição pública das mulheres tem escalonado para desumanizar e objetificar as mulheres, com o intuito explícito de desencorajá-las a se posicionar. Isto é feito com caráter de punição e coerção, de modo a silenciar violentamente as mulheres.”

Ao longo da palestra, Ana Pimentel explicou que o discurso de ódio direcionado às mulheres, caracterizado como misoginia, constitui um projeto político que busca controlar os corpos femininos e restringir a atuação das mulheres ao ambiente doméstico. Ao relacionar essa discussão ao cuidado em enfermagem, a deputada destacou a necessidade de compreender sua dimensão histórica e social. “A tarefa de cuidar sempre foi, historicamente, responsabilidade das mulheres, que deveriam exercê-la de maneira invisível e não remunerada. O discurso misógino tenta retirar as mulheres dos espaços que ocupam e levá-las de volta para o lugar exclusivo do cuidado doméstico, como se esse fosse o destino delas, uma atribuição natural”, afirmou.

Ana Pimentel concluiu ressaltando que a violência de gênero produz impactos diretos na saúde pública, ao alimentar ciclos de desinformação e negacionismo, contribuir para o adoecimento mental das profissionais de saúde e perpetuar desigualdades históricas no cuidado.


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