Pesquisa da Nutrição sobre cardápios sustentáveis em restaurantes populares é premiada em 1º lugar


O trabalho “Eficiência ambiental de refeições em restaurantes populares: evidências para cardápios sustentáveis frente à emergência climática”, desenvolvido pelas professoras Bruna Vieira de Lima Costa e Rita de Cássia Ribeiro, do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, e pela mestranda Brenda Rios Conceição Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde, recebeu menção honrosa em 1º lugar na categoria Relato de Pesquisa durante o 4º Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizado de 24 a 26 de junho, em Belo Horizonte.

Da esquerda para direita: Maitê Costa da Silva, Assessora de Ações Estratégicas e Intersetoriais da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional; Adriana Aranha, Analista de política pública da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte; Darklane Rodrigues Dias, Secretária de Segurança Alimentar e Nutricional da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte; Brenda Rios de Araújo, mestranda da EEUFMG; Maria Luiza Lemos Varonil Chaves, Representante Comitê Científico e a professora Bruna Costa

A pesquisa parte de um desafio cada vez mais urgente: conciliar a promoção da segurança alimentar e nutricional com a redução dos impactos ambientais decorrentes da produção e consumo de alimentos. Nesse contexto, os restaurantes populares desempenham papel estratégico, uma vez que ampliam o acesso da população em situação de vulnerabilidade a refeições adequadas e, simultaneamente, constituem espaços privilegiados para a implementação de práticas alimentares mais adequadas, saudáveis e sustentáveis.

O estudo avaliou a eficiência ambiental de 120 cardápios de almoço servidos em 2024 nos Restaurantes Populares de Belo Horizonte, analisando diferentes fontes proteicas: carnes (por tipo), ovos e preparações vegetarianas. Os pesquisadores compararam as emissões de gases de efeito estufa (CO₂ equivalente) e o consumo de água em relação à quantidade de proteína e ao valor energético das refeições.

Os resultados evidenciaram diferenças significativas entre os tipos de proteína avaliados. A carne bovina (músculo) apresentou os maiores impactos ambientais, com emissões de 110,53 g de CO₂ equivalente e consumo de 79,23 litros de água por grama de proteína, valores até 5,7 vezes superiores aos observados nas preparações vegetarianas. As refeições vegetarianas apresentaram o melhor desempenho ambiental por quilocaloria. As preparações à base de carne de aves mostraram impacto ambiental por grama de proteína semelhante ao das preparações vegetarianas, porém com maior oferta proteica por porção. Os pratos à base de ovos também se destacaram entre as opções de origem animal, apresentando menores emissões de gases de efeito estufa em relação ao valor energético das refeições.

De acordo com as pesquisadoras, os resultados evidenciam que a alternância entre fontes proteicas de menor impacto ambiental, como preparações vegetarianas, aves e ovos, pode reduzir significativamente a pegada ambiental das refeições oferecidas pelos restaurantes populares sem comprometer sua qualidade nutricional.

Além de contribuir para o debate sobre alimentação adequada e saudável, o estudo reforça a importância de incorporar critérios de sustentabilidade ao planejamento de cardápios e às compras públicas institucionais, fortalecendo políticas de segurança alimentar e nutricional alinhadas ao enfrentamento da emergência climática.

O reconhecimento obtido no seminário destaca a relevância científica da pesquisa e sua contribuição para a construção de sistemas alimentares mais sustentáveis, demonstrando como equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional podem aliar promoção da saúde, acesso à alimentação de qualidade e responsabilidade ambiental.

Abastecimento Alimentar, Emergência Climática e Fome
A 4ª edição do Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional teve como tema “Abastecimento Alimentar, Emergência Climática e Fome”. O evento contou com apresentação de trabalhos científicos, painéis, sessões temáticas e aulas sobre os impactos da crise climática atual no abastecimento alimentar. O objetivo foi debater os desafios, formular soluções e políticas aplicáveis para o abastecimento e combate à fome em âmbito local, nacional e internacional, por meio da capacitação de gestores públicos e da articulação dos governos com o setor privado, organizações internacionais e a sociedade civil.

Durante a programação, pesquisadores, estudantes, agricultores, gestores públicos, integrantes de organizações sociais, redes internacionais e especialistas compartilharam experiências e propostas de atuação, que servirão de base para orientar o debate a respeito dos sistemas de abastecimento alimentar. O foco é promover o acesso a alimentos em grandes centros urbanos, especialmente pelas famílias e territórios vulnerabilizados, bem como o papel do poder público neste contexto. A professora do Departamento de Nutrição Larissa Loures Mendes mediou o painel: abastecimento alimentar, emergência climática e fome – desafios do século XXI e caminhos de superação. “Sabemos que a emergência climática já impacta diretamente os sistemas alimentares, afetando produção, distribuição, preços e, principalmente, o acesso da população aos alimentos. E esses impactos recaem de forma mais intensa sobre os grupos socialmente mais vulneráveis. Por isso, pensar abastecimento hoje é pensar também em equidade, sustentabilidade e soberania alimentar. Esse debate reforça que falar de abastecimento alimentar é falar de clima, de segurança alimentar e nutricional, de desigualdades e de direitos. E que os caminhos de superação passam necessariamente por articulação, compromisso político, financiamento e ação coletiva”, destacou a professora Larissa.

Mesa coordenada pela professora Larissa com os palestrantes: Walter Belik, Diretor do Instituto Fome Zero; Ana Terra, Secretária de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar do MDA; Lilian Rahal, Secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS e Rodrigo Perpétuo, Secretário Executivo do ICLEI América do Sul

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