A combinação entre sol e carnaval exige cuidados redobrados com a pele, em especial para vai cair na folia e acompanhar os diversos blocos. A enfermeira estomaterapeuta, mestranda do Programa de pós-graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG, Aline Patrícia Rodrigues da Silva, diretora Científica da Sociedade Brasileira de Queimaduras- Filial-MG e enfermeira do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, ressalta as consequências da exposição ao sol de forma acentuada e sem a proteção adequada e a importância dos cuidados.
Segundo Aline, a exposição excessiva e sem proteção pode acarretar danos para a pele, a curto e a longo prazo. “A curto prazo, pode ocasionar queimaduras na pele, que geralmente são de 1° grau, e apesar de não apresentarem gravidade clínica, são extremamente desconfortáveis e dolorosas. Além da dor no local exposto, ocorre ainda vermelhidão e ardência, seguidas de descamação. A longo prazo, a exposição excessiva ao sol, e sem a proteção adequada pode ocasionar o envelhecimento precoce da pele, além da predisposição a ocorrência de tumores de pele”.
De acordo com previsão divulgada pelo Climatempo, o carnaval na região Sudeste será de muito sol, calor e pouca chuva. Foto: Julia Lanari/Divulgação PBH
A enfermeira enfatiza que os danos dessa exposição podem variar de leve a intenso, de acordo com a intensidade da exposição, do tipo de pele, e do grau da queimadura. Ela destaca que as peles de cor mais clara, são mais sensíveis, e podem apresentar maior severidade dos sinais. “Caso ocorra a exposição excessiva, e a presença dos sinais de dor local, vermelhidão e ardência, estes sinais podem ser aliviados com o aumento da ingestão de líquidos, e a aplicação de loções pós-sol específicas e/ou hidratantes, de preferência deixá-los sob refrigeração antes de aplicá-los, pois gelados darão um refrescância maior para a pele lesionada”.
Em casos mais graves, de acordo com Aline, podem acontecer queimaduras mais profundas, como as de 2° grau, e/ou virem associadas a quadro de insolação, que causa alterações mais severas, como dor de cabeça, vômito e febre. “Nestes casos, é recomendado procurar por atendimento médico”, pontua.
Principais cuidados
Entre os principais cuidados, a diretora científica da Sociedade Brasileira de Queimaduras destaca: evitar a exposição em horários de sol forte, entre 10h e 16h; reduzir o tempo de exposição, e/ou evitarem a exposição ao sol sempre que possível; usar filtro solar com fator de proteção ente 30 e 50, e reaplicá-lo de acordo com o fabricante, e sempre que entrar na água e ou apresentar suor intenso, o recomendado é reaplicar a cada 2 horas; não utilizar produtos químicos (maquiagens, álcool, intensificadores de bronzeamento) sobre a pele antes da exposição solar, estes em contato com os raios solares podem ocasionar manchas e/ou queimaduras químicas ; usar roupas térmicas com tecnologias UV, chapéus e óculos escuros; beber bastante líquido. A enfermeira Aline ressalta que bebidas alcoólicas não são consideradas como fonte de hidratação, e recomenda líquidos como água, sucos e soluções isotônicas acrescidas de sais minerais/eletrólitos.
“Essas medidas devem ser mantidas em todas as exposições ao sol, mesmo aquelas fora do período de carnaval, principalmente durante o período de calor, e sol intenso. Evitar as queimaduras de pele e suas complicações podem te proporcionar uma folia agradável durante todos os dias de carnaval, não atrapalhe a sua folia, proteja-se”, recomenda.
