A planta trepadeira, de folhas verdes e lisas e caule espinhoso, é utilizada desde o período colonial como ornamento e cerca-viva em cidades históricas de Minas Gerais, especialmente no entorno de igrejas. A associação com o universo religioso teria dado origem ao nome ora-pro-nóbis, expressão em latim que significa “rogai por nós”.
Filho de Maria Rosa, Silas da Fonseca afirma que a história do antigo Arraial de Pompéu pode ser dividida entre antes e depois do “ouro verde”. Segundo ele, o ingrediente movimenta o turismo aos fins de semana e o encontro gastronômico leva mais de 10 mil visitantes por ano à localidade.

A fome e a vontade de comer
Embora seja encontrada em diferentes regiões da América Latina, a ora-pro-nóbis foi incorporada ao longo do tempo à culinária mineira por razões culturais e nutricionais. Para o professor José Newton Meneses, do Departamento de História da UFMG, a alimentação é uma linguagem da cultura construída ao longo do tempo, com base na combinação entre necessidade e gosto.
“Se a planta tem uma série de características nutritivas boas, como a proteína, e esse é o caso do ora-pro-nóbis, ela começa a ser consumida como alternativa à carne, que era cara no período colonial, e passa a ser incorporada ao gosto e à identidade daquele grupo”, explica.
Não por acaso, a planta também ficou conhecida popularmente como “carne de pobre” ou “carne verde” e pode ser utilizada não apenas em pratos quentes, mas também em saladas, pães e biscoitos. Segundo a professora Nathalia Sernizon, do Departamento de Nutrição da UFMG, além da alta concentração de proteínas, esse patrimônio alimentar mineiro reúne outros nutrientes, como ferro, magnésio, cálcio e vitaminas A, B e C.
Ficha técnica
Produção e reportagem: Mariana Cardoso
Edição de conteúdo: Ariane Gervásio
Cinegrafistas: Ângelo Araújo, Alan Garcia e Bruno Lima
Edição de imagens: Otávio Zonatto
Motorista: Pedro Campos
