A imunização é uma medida de saúde pública eficaz para controle e erradicação de infecções preveníveis por ação de vacinação. Para garantir a equidade do cuidado, em 1993, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi ampliado com a criação dos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE), que se referem a centros públicos de vacinação que ofertam gratuitamente imunizantes especiais que não constam na caderneta vacinal de rotina. Com o objetivo de analisar clínico-epidemiológico dos atendimentos do CRIE-MG entre os anos de 2005 e 2022, foi realizado um estudo inédito por pesquisadores do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação da Escola de Enfermagem da UFMG (OPESV – EEUFMG) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
De acordo com a coordenadora, professora Fernanda Penido Matozinhos, o estudo levanta questões sobre as demandas do serviço e produz informações acerca dos atendimentos dos grupos populacionais especiais acompanhados em um CRIE da região sudeste do país. “O presente estudo se mostra relevante para fomentar discussões acerca das indicações de imunobiológicos especiais e, consequentemente, contribuir com informações importantes para a ampliação da rede de saúde do acesso ao CRIE”, ressaltou.
Os resultados apontaram que foram atendidos, no CRIE-MG, 65.534 indivíduos, no período de junho de 2005 a abril de 2022. Dentre esses, 11.505 (35,12%) eram crianças entre zero e nove anos de idade, 1.943 (5,93%) adolescentes entre nove e 18 anos, 12.024 (36,71) adultos e 7.284 (22,24%) pessoas idosas com mais de 60 anos.
Em relação à população de crianças, a maioria (53,15%) do sexo masculino, cor de pele autorreferida branca (60,93%) e com mediana de idade de 1 ano e meio. Dentre os adolescentes, 54,81% eram do sexo masculino, de cor da pele autorreferida branca, 449 (53,71%) e mediana de idade em torno de 12 anos. No grupo dos adultos, a maioria, 6.194 (51,51%), era do sexo masculino, como cor de pele autorreferida mais prevalente a branca 445 (48,11%) e mediana de idade entre 42 e 49 anos. As pessoas idosas tiveram mediana de idade de 69 anos, prevalência do sexo feminino 3.997 (54,87%) e cor da pele autorreferida branca em 3.252 (66,69%) dos dados analisados.
No que diz respeito à indicação do imunobiológico especial, observou-se a maior prevalência de “doença pulmonar crônica” nos grupos de criança, adolescente e idoso. Quanto ao diagnóstico clínico, para crianças, adolescentes e adultos, a categoria “outros” foi a de maior prevalência (29,47%; 32,73% e 22,80% respectivamente). Dentre os grupos criança e adolescentes, a categoria “doença do aparelho respiratório” foi a segunda mais prevalente e, no grupo adultos, a categoria “algumas doenças infecciosas e parasitárias” destacou-se. Além disso, no grupo idosos o diagnóstico clínico de maior frequência observada foi “doenças do aparelho respiratório”.
Quanto aos imunobiológicos mais administrados em cada ciclo de vida, a vacina Pneumococo 23 foi mais prevalente em adolescentes, adultos e idosos, alcançando em cada ciclo de vida, respectivamente, 30,74%, 34,92% e 63,58%. Em crianças, o imunobiológico mais prevalente foi Pneumo conjugada 7v, com 18,14%.
A professora Fernanda Penido enfatizou que os resultados do estudo favorecem o atendimento a populações vulneráveis e evidenciam a importância dos CRIE como serviço necessário para atender uma demanda crescente e diversificada de imunobiológicos especiais, principalmente na população com condições específicas.
“Os dados desta pesquisa evidenciam a predominância de condições como doenças pulmonares crônicas e infecções, especialmente em crianças e idosos, resultado que vai de encontro com a literatura que apresenta esses grupos como de maior risco para complicações associadas a infecções respiratórias e outras condições crônicas. A análise e compreensão do perfil clínico-epidemiológico dos atendimentos realizados no CRIE no estado de Minas Gerais é inédita e pode contribuir, indubitavelmente, para a reorganização do serviço, com o seu processo de descentralização e, consequentemente, com a ampliação da rede de saúde do acesso ao CRIE”.
Ela reforça, ainda, que tais aspectos, aliados à implementação de estratégias eficazes de conscientização e educação, são fundamentais para melhorar a adesão à vacinação e maximizar os benefícios para a saúde coletiva e das populações com indicação de imunização especial.
