Mais de 120 atividades, das mais diversas naturezas, compõem a programação do Novembro Negro da UFMG, que chega a sua sétima edição. Este ano, a iniciativa conclama à luta antirracista e valoriza o compromisso da Universidade com a formação acadêmica e cidadã pautada na erradicação de todas as formas de intolerância, discriminação e violação de direitos humanos. A conferência de abertura oficial do evento será sobre relação entre direitos humanos e a luta antirracista, a cargo da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, na próxima segunda, 4, às 16h, no Auditório da Reitoria. Ela será acompanhada pela reitora Sandra Goulart Almeida.
A Escola de Enfermagem propõe três atividades. No dia 14 de novembro, às 18 horas, será realizado no auditório Maria Sinno o seminário “Cuidar da Mente, Resgatar a Identidade: Saúde Mental na Comunidade Negra” promovido pela Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde Mental (LAESAM) em parceria com o Diretório Acadêmico de Enfermagem (DAMAR). O evento, ministrado pela enfermeira e egressa da EEUFMG Wendy Kelly Loyola Fernande, será aberto à comunidade acadêmica e externa e visa proporcionar àqueles presentes reflexão e questionamentos perante as pautas que circundam nossa sociedade há séculos. Inscrição gratuita aqui.
Entre os dias 20 e 27 de novembro, no hall de entrada da Escola de Enfermagem da UFMG, será realizada a exposição interativa “Nossas Raízes: Identidade Racial na Escola de Enfermagem”, organizada pelas professoras Kleyde Ventura de Souza e Eunice Francisca Martins. O objetivo da atividade é criar um espaço onde funcionários, professores e estudantes possam expressar suas percepções e vivências sobre raça e cor, promovendo uma reflexão coletiva sobre identidade racial no ambiente acadêmico. O mural será composto por diferentes seções temáticas, incentivando a participação de todos.
A exposição “As cores dos indicadores de atenção ao parto e nascimento!” estará no hall de entrada da EEUFMG e na maternidade do HC-UFMG entre os dias 25 e 29 de novembro. Também sob coordenação das professoras Kleyde Ventura de Souza e Eunice Francisca Martins, a atividade propõe dar visibilidade às desigualdades entre os indicadores locais, regionais e nacionais de atenção ao parto e nascimento e mobilizar as pessoas para reconhecer o racismo presentes no cotidiano do cuidado às mulheres, na esfera da saúde reprodutiva. Pretende-se trabalhar os indicadores de modo dinâmico, onde as pessoas (trabalhadores, usuárias e acompanhantes de todas as raças/cores) possam colocar suas respostas (em forma de cores) e depois conferir os acertos e erros para cada indicador. Além disso, terá um espaço para se colocarem como integrantes da produção deste indicador, tanto como profissional e também como usuárias do serviço.
Racismo em diferentes manifestações
Como afirma o texto de apresentação do evento, “é necessário transformar e reconstruir a universidade com uma educação antirracista, alicerçada em valores democráticos e com igualdade de oportunidades”. Nesta edição, serão destacados, por meio de amplo diálogo, os avanços na UFMG e as dificuldades encontradas para o enfrentamento ao racismo em suas diferentes manifestações – estrutural, institucional, epistemológica, interpessoal, entre outras.
Estudantes de graduação e pós são responsáveis pela proposição de 45% das atividades, seguidos por professores (18%), servidores técnico-administrativos (14%), comunidades que se relacionam com a UFMG, com participação significativa de ex-alunos (14%), instâncias administrativas (5%) e colaboradores terceirizados (4%). Noventa e três por cento das propostas foram apresentadas por pessoas que se autodeclaram negras.
“Esta edição do Novembro Negro tem forte protagonismo estudantil, assim como grande amplitude de distribuição dos eventos, que se espalham por todas as unidades de todos os campi, em Belo Horizonte e Montes Claros, e os espaços de cultura e ciência”, enfatiza a professoras Elisângela Chaves, diretora de Políticas de Ações Afirmativas da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae). Ela salienta também a diversidade de tipos de atividades – há exposições, seminários, fóruns, rodas de conversa, oficinas, apresentações artísticas, entre outras, e ainda o Festival de Teatro Negro, organizado pelo Teatro Universitário, pela Pró-reitoria de Cultura e pela Prae. Toda a programação é gratuita; algumas pedem inscrições apenas por causa da limitação de lugares em auditórios, por exemplo.
‘Sempre mais a ser vivido’
A programação vai abrigar a 1ª Mostra de Acadêmico-científica de Estudantes Negras e Negros, promovida em parceria com o Centro de Convivência Negra (CCN). Serão expostos em forma de pôsteres, no CAD 2, campus Pampulha, 34 trabalhos de alunos de graduação e pós-graduação. O objetivo é ampliar a visibilidade do conhecimento produzido por estudantes negros e negras.
A edição de 2024 do Novembro Negro é marcada pela perspectiva da manifestação de saberes e experiências muito diversas, segundo Elisângela Chaves. “Este Novembro também nos lembra que há sempre mais a ser vivido nos espaços da Universidade. O aumento da presença de pessoas negras na UFMG tem incidido fortemente no nosso fazer cotidiano, e cresce também a atuação de coletivos ligados a movimentos sociais”, ressalta a professora da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional.
Para diretora de Políticas de Ações Afirmativas da Prae, o volume e a diversidade das propostas de intervenções para o Novembro Negro demonstram que é cada vez maior a sensibilidade da comunidade universitária para a pauta da valorização da cultura negra e do combate ao racismo. “Esse movimento é muito potente porque passa pela percepção, pela consciência e pela luta, que ganha força e é muito mais compartilhada. Muito mais pessoas dedicam seu tempo, sem retorno objetivo, em prol de uma luta coletiva por mudança social e pelo combate ao racismo”, afirma Elisângela.
Todas as informações sobre o Novembro Negro estão no site dedicado ao evento.
(Com Centro de Comunicação da UFMG)
