A tese da pesquisadora Rafaela Siqueira Costa Schreck “A construção do campo da enfermagem obstétrica em Minas Gerais: um estudo genealógico”, orientada pela professora Kênia Lara da Silva, foi indicada pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG como melhor trabalho de doutorado defendido em 2023. A cerimônia de entrega dos certificados do Prêmio UFMG de Teses aconteceu na noite desta quarta-feira, 23 de outubro, no auditório da Reitoria, durante a 33ª Semana do Conhecimento.
As professoras Rafaela Schreck e Kênia Lara com o Prêmio UFMG de Teses
Foto: Raphaella Dias | UFMG
A tese, que também recebeu menção honrosa pela CAPES, é um estudo qualitativo interpretativo fundamentado na pesquisa histórica com objetivo de analisar a construção do campo da enfermagem obstétrica em Minas Gerais. A pesquisa ancorou-se nas concepções filosóficas da Genealogia proposta por Foucault, centrada na microfísica das relações, e na problematização das práticas de poder, destacando a importante articulação entre a Escola de Enfermagem da UFMG e o Hospital Sofia Feldman para emergência do campo da enfermagem obstétrica no Estado.
“Receber o Prêmio UFMG de Teses e Menção Honrosa da CAPES pela minha tese foi uma grande alegria! Sou grata pelo reconhecimento dessa pesquisa, que abordou a importância e potencialidade da enfermagem obstétrica mineira. Essas premiações contribuem para a divulgação e visibilidade da pesquisa”, comemorou Rafaela.
Da esquerda para direita: professoras Nágela Santos, coordenadora da residência em Enfermagem Obstétrica; Elysângela Dittiz, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Enfermagem; Sônia Soares, diretora da EEUFMG; Isabela Pordeus, pró-reitora de Pós-graduação da UFMG, a reitora Sandra Goulart e as premiadas, Rafaela Schreck e Kênia Lara
Os pesquisadores Bianca de Oliveira (Bioquímica e Imunologia), Fabrício Trindade Pereira (Artes) e Márcia Luciana da Costa Peixoto (Engenharia Elétrica) conquistaram o Grande Prêmio UFMG de Teses, edição 2024. Neste ano, 65 pesquisas de doutorado foram indicadas à distinção por seus respectivos programas de pós-graduação e receberam o Prêmio UFMG de Teses. Comissão instituída pela Câmara de Pós-graduação escolheu, entre elas, os três trabalhos vencedores do Grande Prêmio em cada uma das grandes áreas do conhecimento.
‘Dedicação, tenacidade e superação’
Esta foi a 17ª edição do Prêmio UFMG de Teses. Criada em 2006, a homenagem visa distinguir trabalhos que se destacam por sua originalidade e por sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, artístico, cultural e social do Brasil, no âmbito e a partir de suas respectivas áreas. “Nesse sentido, hoje homenageamos não apenas aquelas pessoas que se destacaram em suas áreas no ano de 2023, mas também todos e todas que construíram esta história e este legado do qual tanto nos orgulhamos”, disse a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, em seu pronunciamento no evento.
Para Sandra, os agraciados com o Prêmio UFMG de Teses são historicamente “um exemplo de dedicação, tenacidade e superação” para a Universidade. De fato, ilustrando o ponto citado pela reitora, entre os 65 premiados deste ano havia desde mães e pais com crianças novas, até mesmo recém-nascidas, a pessoas autoidentificadas com deficiências ocultas, como é o caso do espectro do transtorno autista. “Todas essas pessoas aqui reunidas são um exemplo significativo das possibilidades oferecidas pela Universidade e também do seu compromisso com uma educação pública e gratuita, de qualidade e de relevância, em sintonia com os desafios do nosso tempo”, demarcou a dirigente.
Comunidade universitária e familiares compareceram em peso ao auditório da Reitoria; à esquerda, a pró-reitora Isabela Pordeus discursa
Foto: Raphaella Dias | UFMG
A reitora lembrou que o alto nível dos premiados se relaciona com o fato de a UFMG ter hoje uma das melhores pós-graduações do país, com 70% de seus programas com notas de excelência na Capes – notas 5, 6 e 7 (a mais alta possível). A reitora frisou que o trabalho de pós-graduação realizado na Universidade se insere em uma tradição de “luta por uma sociedade melhor, mais justa e equânime, como cabe a uma Universidade pública, de qualidade e relevância como a nossa”. Para ela, a construção desse futuro passa necessariamente pela valorização da educação “em todos os seus níveis, incluindo a educação superior” e da ciência “por meio de seu investimento adequado e perene”.
Além de Sandra, também falaram no evento Isabela Pordeus, pró-reitora de Pós-graduação da UFMG, e o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Luiz Gustavo de Oliveira Lopes Cançado. Ao parabenizar os vencedores, Pordeus recuperou o longo histórico de produção de boas teses na UFMG. Ela lembrou que a primeira foi defendida ainda no longínquo ano de 1897, na Faculdade de Direito, quando ela ainda estava situada em Ouro Preto e a cidade de Belo Horizonte se preparava para ser inaugurada. “A produção de conhecimento é historicamente um compromisso inarredável da nossa UFMG”, disse.
Em sua fala, Luiz Gustavo – que é professor do Departamento de Física da UFMG – afirmou que a premiação era “a oportunidade perfeita para refletirmos sobre o verdadeiro significado de se realizar um doutorado. Mais do que a obtenção de um título, o doutorado é uma jornada de profunda transformação pessoal”, afirmou. O evento foi o primeiro de que ele participou representando oficialmente a Fapemig, instituição na qual assumiu a Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação no início deste mês. Para esses novos e “transformados” pesquisadores que o ouviam, Luiz Gustavo informou que, no interesse de seguir fomentando a produção de ciência de excelência em Minas Gerais (e, ao mesmo tempo, tentando-se combater a fuga de cérebros para o exterior de que congenitamente padece o Brasil), a Fapemig abrirá um edital de bolsas de pós-doutorado ainda neste ano. “Serão cem bolsas de até 24 meses com valor mensal de R$ 9 mil, além de taxa de bancada, com contratação no segundo semestre de 2025”, ele disse.
Passo importante para nova vacina
Transmitida por picadas de alguns tipos de mosquito, a leishmaniose visceral humana (também conhecida como calazar e barriga d’água) vitima principalmente crianças pequenas, de até dez anos de idade. Ainda não existe vacina para essa doença parasitária, que alcança grande letalidade em climas tropicais. Na tese Caracterização de uma nova proteína mitocondrial de Leishmania e seu potencial como vacina, Bianca de Oliveira investiga justamente a possibilidade de produção dessa vacina a partir de uma proteína “hipotética repetitiva conservada” denominada DTL8. Nos testes realizados com camundongos, a imunização com uma versão truncada recombinante da DTL8 (denominada rDTL8), associada ao adjuvante Poly (I:C), gerou respostas celular e humoral e uma diminuição significativa no parasitismo tecidual.
Nos experimentos, também foi gerada uma proteína quimérica recombinante denominada rDTL10, contendo fragmentos imunogênicos da rDTL8 e de uma outra proteína, para ser testada em uma formulação vacinal associada também com o adjuvante Poly (I:C). Como vacina profilática, foi observada que essa proteína induziu uma imunidade protetora ainda superior àquela apresentada pela rDTL8. Orientada por Ricardo Tostes Gazzinelli e coorientada por Ana Paula Sales Fernandes, a tese de Bianca de Oliveira descreve uma vacina candidata promissora para a leishmaniose visceral humana e estabelece as premissas para que, agora, seja possível avançar na investigação com ensaios clínicos em humanos.
(Com Centro de Comunicação da UFMG)
