Eventos sobre melhoria das coberturas vacinais reúne centenas de profissionais em São Joao del-Rei


Agregar pesquisa, ensino, extensão, difusão do conhecimento e mobilização social. Esses foram os pilares dos eventos que discutiram os desafios e estratégias para o aumento das coberturas vacinais em Minas Gerais, realizados com  cerca de duzentos profissionais das Unidades Regionais de Saúde de Barbacena e São João del-Rei, em Minas Gerais, entre os dias 23 e 25 de julho, na Universidade Federal de São João del-Rei.

As capacitações e seminário foram elaborados pelo Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (OPESV-EEUFMG), sob a coordenação da professora Fernanda Penido Matozinhos, com parceria do Ministério da Saúde e o apoio da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, Unidade Regional de Saúde de São João del-Rei, Unidade Regional de Saúde de Barbacena, Secretaria Municipal de Saúde de São João del-Rei e Escola de Enfermagem da UFMG.

Nos dias 23 e 24, foram realizados três cursos em parceria com o Ministério da Saúde para Agentes Comunitários de Saúde (ACS), profissionais de enfermagem e médicos que atuam nas salas de vacina. Os objetivos foram capacitar profissionais de enfermagem para as boas práticas de vacinação e discutir sobre estratégias que favoreçam a ampliação de coberturas vacinais nos territórios, e capacitar e refletir, junto aos ACS, quanto às estratégias de ampliação da cobertura vacinal por meio da busca ativa, identificação de parcerias com equipamentos sociais do território e diálogo com a população adstrita às Unidades Básica de Saúde. 

Discussão mediada pelo pediatra José Geraldo

A discussão com os médicos foi mediada pelo pediatra, epidemiologista e mestre em Medicina Tropical com vasta experiência na área da vacinação, José Geraldo Leite Ribeiro, com discussão sobre as boas práticas de vacinação, bases teóricas dos Calendários do SUS e estratégias que favoreçam a ampliação de coberturas vacinais nos territórios; visando compreender o processo de planejamento, monitoramento e avaliação do processo de vacinação e seus indicadores, e considerando as competências e atribuições das equipes envolvidas nas atividades relacionadas à vacinação.

Dayane Taís de Almeida Gonçalves, responsável técnica do município de Bom Sucesso, enfatizou a importância dos cursos.  “Auxiliou muito sobre a necessidade de ter um olhar diferenciado para a questão das coberturas vacinais, e principalmente a nos ajudar a identificar os grandes gargalos que existiam em relação ao sistema e a baixa procura”.

Seminário –  Desafios e reflexões para melhoria das coberturas vacinais

No dia 25 de julho, foi realizado o seminário para discutir os desafios e estratégias na produção do conhecimento sobre as diferentes formas de publicação e disseminação dos conhecimentos produzidos na temática vacinação.

A mesa de abertura foi composta pelo Subsecretário de Vigilância em Saúde da SES/MG, Eduardo Campos Prosdocimi; Superintendente da Unidade Regional de Saúde de São João Del Rei, Secretário Municipal de Saúde de São João del-Rei, Renê Marcos Fernandes; Representante da direção da gerência regional de saúde de SJDR, Patrícia Cristina de Oliveira; Coordenador do Núcleo de Vigilância epidemiológica da superintendência regional de Barbacena, Márcio Heitor Silva; Representante do Curso de Medicina da UFSJ, Márcia de Andrade;  Diretora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais, professora Sônia Maria Soares e pela Coordenadora do Observatório de Pesquisas e Estudos em Vacinação (OPESV), professora  Fernanda Penido Matozinhos.

Mesa de abertura do seminário

Eduardo Prosdocimi destacou a importância do evento que considerou como plural: envolvendo a academia, municípios e estado. “Entendemos que a vacinação é um dever de cidadania e, para isso, temos um grande rigoroso projeto de aumento das coberturas vacinais. Agradeço a nossa parceria com a Escola de Enfermagem da UFMG por esse projeto tão bem sucedido. Tenho certeza que Minas Gerais, ao longo desse ciclo, vai recuperar as coberturas vacinais e voltar a cumprir com as metas de vacinação e erradicar de vez as doenças que vem acometendo a sociedade”.

A diretora da EEUFMG, Sônia Soares ressaltou sobre o compromisso das universidades públicas desse país, de servir a população, e do conhecimento de qualidade. “É essa proposta que nós abraçamos com o projeto que constroi, juntamente com o Ministério da Saúde, uma proposta que leva a intervenção, a mudança. Desejamos que os indicadores sejam diferenciados, precisamos transformar a saúde desse país com as nossas ações. A Escola de Enfermagem é uma parceria incondicial com o SUS, estaremos sempre nessa linha”.

A professora Fernanda Penido,  líder do OPESV, destacou o projeto em parceria com a SES de melhoria das coberturas vacinais e  a importância das parcerias. “Isso não seria possível sem o apoio das regionais e dos municípios! Tivemos resultados muito positivos com o  nosso projeto que impactaram não só em Minas Gerais, mas também no Brasil. A partir deste projeto, tivemos outras demandas vindas dos territórios, como a de capacitação. Estamos, portanto, tirando o conhecimento das prateleiras das universidades para fazer com que a ciência chegue à população. Seguiremos pensando não só nos desafios, mas também nas estratégias para a cobertura vacinal. Recentemente, foi divulgado um relatório mostrando que o Brasil deixou a lista dos 20 países com menos crianças vacinadas, mas ainda há muito o que ser feito e, juntos, seguiremos na defesa do SUS e no aumento das coberturas vacinais”, concluiu.

Cenário das coberturas vacinais nos cursos de vida

A mesa sobre “Cenário das coberturas vacinais nos cursos de vida: Brasil e Minas Gerais” e “Bases teóricas dos Calendários do Sistema Único de Saúde”, coordenada pela professora do Departamento de Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da USP e membro do OPESV, Sheila Aparecida Ferreira Lachtim, contou com os palestrantes: Eduardo Prosdocimi, Subsecretário de Vigilância em Saúde SES-MG; Luciano Alves dos Santos, enfermeiro em imunização e referência técnica da Gerência Regional de Saúde de SJDR; Márcio Heitor Silva, Coordenador do Núcleo de Vigilância epidemiológica da superintendência regional de Barbacena,  e José Geraldo Leite Ribeiro, pediatra, epidemiologista e mestre em Medicina Tropical com experiência na área da vacinação.

Eduardo Prosdocimi comentou que a Secretaria de Saúde fez um planejamento estratégico em 2023, entendendo quais seriam os grandes objetivos a serem tratados pelo ponto de vista de formulação e planejamento de políticas públicas para o estado de Minas Gerais. “Identificamos o objetivo de alcançar um novo nível de cobertura vacinal, voltando a cumprir com as metas de vacinação”.

Ele pontuou, ainda, a importância da comunicação, de conversar com diferentes públicos e adotar diferentes abordagens. “É bacana usar um carro de som nas zonas rurais, mas isso não funciona em Belo Horizonte, é necessário sair dos escritórios e do ar-condicionado para entender como falar com o seu Zé e com a dona Maria que precisam saber da importância e que terá vacina disponível para eles e seus filhos. Vacina e mobilização, várias pessoas não acessam a vacinação pois não tem a possibilidade de ir até um posto de saúde, quando tem nem sempre tem horário disponível para ir, é preciso levar a vacina até a porta da casa dessas pessoas e para isso fazer a vacinação extra público é fundamental”.

Mesa: Cenário das coberturas vacinais nos cursos de vida: Brasil e Minas Gerais” e “Bases teóricas dos Calendários do Sistema Único de Saúde”

Luciano Santos destacou a importância do trabalho da atenção primária com a vigilância de saúde. “Nós temos essas discussões internas pensando em sensibilizar e defender a imunização e partirmos para a análise da cobertura vacinal nos municípios. Nós temos ido nos municípios conversar, a nossa regional está empenhada nesse aumento de coberturas vacinais  e temos certeza que nós vamos conseguir e não será em um futuro longe, já saímos do lugar, é um futuro a médio prazo”.

Márcio Silva lembrou que a superintendência regional de saúde faz diversas ações de apoio às ações de imunização, por compreender a importância da manutenção através da prevenção da ocorrência de doenças. “Quando vemos a vigilância fazendo seu trabalho com o auxílio das outras áreas de atenção, dos gestores, vemos o ciclo ser completado, discutimos o tempo todo a importância de todos fazerem seu papel de forma cinética e integrada com todas as equipes, esses são exemplos que virão inspirações de trabalho para todos nós. Temos reuniões com participação de diversas áreas, atenção primária, serviço de imunização, epidemiológico, gestores e referências técnicas municipais. A gente tem a parte da orientação da atenção primária, quando a gente teve a migração dos sistemas de informação, que também marca a queda das coberturas vacinais, foi uma migração importante, pois deixamos de ter o registro coletivo das vacinas para a gente começar a ter o registro da vinculação individual do usuário, o que é muito importante mas leva para a gente uma dificuldade de registro e perda de registro efetivo para a regularização da cobertura, e desde essa época a atenção primária tem se oferecido para ensinar a fazer a regulação correta dessa cobertura vacinal. Além do auxílio da atenção primária nós temos a manutenção e o aumento dos equipamentos da cobertura vacinal, o setor tem sempre crescido em demanda”.

O pediatra José Geraldo falou sobre a base teórica dos calendários do SUS. Pontuou que para transmitir confiança nas vacinas os pediatras podem ajudar: sendo simples, transparentes, firmes, focando nos fatos, com honestidade e falando sobre os eventos adversos e a dor. Explicou sobre a imunização passiva: Transitória, proteção rápida, IgG materna, soros, imunoglobulinas e Imunização Ativa:  transitória, com memória, ou definitiva; em geral, exige dias para a proteção e vacinas. No que diz respeito aos tipos de vacina, ele citou as atenuadas (“vivas”): próprio agente e agentes semelhantes e as não vivas (“inativadas”): Agente inteiro; partículas e mRNA.

O evento reuniu cerca de duzentas pessoas

O período da tarde foi dedicado para discussões sobre “Projeto para melhoria das coberturas vacinais em Minas Gerais: Estratégias, resultados e desafios”. Contou com os palestrantes: professora Fernanda Penido, da EEUFMG e professor Thales Philipe Rodrigues da Silva, do Departamento de Enfermagem na Saúde da Mulher da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo e membro do OPESV. A mesa foi coordenada por Elice Eliane Nobre Ribeiro, enfermeira e assessora técnica do OPESV, com ampla experiência na gestão municipal, regional e municipal.

Além disso, foi realizada, ainda, a mesa de discussão: “Trabalhando para a melhoria da cobertura vacinal da Unidade Regional de Saúde de São João Del Rei e Barbacena”, com os palestrantes: Ana Cristina dos Santos Lima – Coordenadora de Imunização da Unidade Regional de Saúde de Barbacena e Luciano Alves dos Santos,  Coordenador de Imunização da Unidade Regional de Saúde de São João del-Rei. A mesa foi coordenada por Josiane Dias Gusmão, coordenadora de Imunização da SES/MG e doutoranda do OPESV.

Para encerrar o evento, foram apresentadas as experiências exitosas do município de São João del-Rei, por Katiucia Canaan; do município de Prados, por Gleicimara Gonzaga; do município de Ibertioga, por Marília Silveira; do município de Santana do Garambeu, por Dalila Almeida.

(Rosânia Felipe- Assessora de Comunicação)


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