Nesta segunda-feira, 24 de junho, o Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (OPESV-EEUFMG) e a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) promoveram uma oficina para discutir sobre os desafios e estratégias de operacionalização em vacinação para o aumento das coberturas vacinais nos ciclos de vida em Minas Gerais.
O encontro contou com a participação das referências técnicas em Imunização da SES-MG – nível central e das 28 Unidades Regionais de Saúde, diretores e coordenadores da Vigilância Epidemiológica e da Atenção Primária da SES-MG – representante e apoiadores do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS – MG) e de estudantes e dos professores Elysângela Dittz Duarte, Gustavo Velasquez-Melendez Nágela Cristine Pinheiro Santos e Rafaela Siqueira Costa Schreck da Escola de Enfermagem da UFMG.
A mesa de abertura contou com a presença das professoras Fernanda Penido, Simone Cardoso e Marcela Ferraz
A coordenadora do Projeto, professora Fernanda Penido Matozinhos, ressaltou que este encontro tem como objetivos a defesa do SUS e a luta pelo aumento da cobertura vacinal. “Uma pergunta que já tem sido feita no âmbito dos serviços e, também, da pesquisa é: se a vacina é cientificamente comprovada, por que a piora da aceitação ao longo dos anos? Essa é uma pergunta que nós gestores, profissionais de saúde, professores e pesquisadores estamos tentando compreender e, para além disso, pensar juntos em estratégias para melhorar este cenário. Este é o diferencial dessa nossa parceria, pensamos juntos, academia e serviço, no nosso projeto e nas estratégias que podem melhorar os processos de trabalho em imunização. Tudo isso é, também, um projeto político! Não estaríamos aqui, saudáveis, para essa discussão compartilhada, se não fosse a eficácia das vacinas!”.
A vice-diretora, professora Simone Cardoso Lisboa Pereira, enfatizou que este evento marca de forma muito importante como a professora Fernanda Penido opera o ensino, a pesquisa e a extensão, atividade constitucional da Universidade Pública e de forma indissociável. “Cumpre o nosso papel social de fortalecer essa importante política pública que é o programa de imunizações e tenho certeza que essa taxa de cobertura vacinal vai aumentar e chegar a patamares que tínhamos anos atrás, referência no mundo inteiro”.
Marcela Ferraz, diretora de Vigilância de Doenças Transmissíveis e Imunização da SES-MG, ressaltou que esta é uma proposta que traz resultados e uma aproximação entre as áreas e os municípios. “Por meio desta oficina, vamos ampliar as discussões para o aumento das coberturas vacinais de diferentes ciclos de vida da população, trabalhando de uma maneira mais abrangente e otimizando os projetos de trabalho nas regionais de saúde e dos municípios. Essa parceria estabelecida com o OPESV é de extrema importância para a Secretaria de Estado de Saúde, pois nós conseguimos trazer um método rigoroso, além da avaliação para nossos projetos de trabalho. Por meio de indicadores, é possível identificar também os resultados das ações que estão sendo adotadas”, pontuou.
No período da manhã, foram apresentados os resultados do projeto e os indicadores. Já no período tarde, os participantes se dividiram em grupos para discussão de ações e estratégias para aumentar as coberturas vacinais.
Impacto da intervenção
Na apresentação sobre o “Impacto de uma intervenção de seguimento no aumento da cobertura vacinal de crianças”, Fernanda Penido e Thales Rodrigues, pós-doutorando do OPESV da EEUFMG, afirmaram que o objetivo geral foi, para além de implementar, avaliar o impacto das Oficinas de Trabalho e da construção de Planos de Ação Municipais como intervenção para o aumento das coberturas vacinais nos municípios do estado de Minas Gerais, Brasil, ao longo do período de um ano, monitorando os indicadores a cada trimestre.
Apresentação da professora Fernanda e do pós-doutorando Thales
Foram avaliados oito indicadores: ações de sensibilização para os profissionais envolvidos com a vacinação; supervisões em salas de vacina; vacinação fora da rotina; visita domiciliar pelos Agentes Comunitários Saúde para busca ativa do cartão de vacinação de crianças menores de dois anos no seu território de abrangência; atualização do cartão de vacina dos faltosos; alcançar a meta de cobertura para as vacinas preconizadas para as crianças menores de um ano e de um ano a menores de dois e realizar reuniões mensais entre a equipe de Imunização/Vigilância em Saúde e APS para acompanhamento dos indicadores a curto prazo.
No que diz respeito ao impacto de uma pesquisa-ação nos indicadores vacinais em Minas Gerais, Janaina Fonseca Almeida Souza, doutoranda do OPESV e assessora da Superintendência de Vigilância Epidemiológica da SES-MG, pontuou os principais resultados: o projeto estadual de pesquisa-ação pode ter contribuído para a redução e mudança do cenário da classificação de risco de transmissão de doenças preveníveis por vacinas em Minas Gerais; observou-se que, nos anos de 2021 e2022 houve aumento da cobertura vacinal nas GRS/SRS prioritárias em Minas Gerais; entre as dez vacinas incluídas nas análises, nove apresentaram aumento estatisticamente significativo da cobertura vacinal após a realização de oficinas nos municípios sede das GRS/SRS. Ainda segundo Janaina, a classificação de risco para transmissão de doenças preveníveis por vacinas é um mecanismo importante para auxiliar os gestores na definição de locais que necessitam com mais urgência de intervenções para otimização e melhoria das coberturas vacinais.
Projeto unificado
Durante a apresentação sobre o Projeto Unificado, Marcela Ferraz, a professora Fernanda Penido e a doutoranda do OPESV e coordenadora de imunização da SES/MG, Josianne Dias Gusmão, destacaram que foram realizadas oficinas nas 28 Superintendências Regionais de Saúde (SRS) e nas Gerências Regionais de Saúde(GRS), com a participação de representantes de vigilância em saúde, APS, controle social, sociedade civil, comunidade escolar e comunidade acadêmica dos municípios. Foram sete eixos: gestão de pessoas, educação, comunicação social e vacinação, parcerias estratégicas, infraestrutura e logística e articulação gestora e 12 indicadores.
Referências técnicas em Imunização das Unidades Regionais de Saúde da SES- MG
Denise Carvalho, da superintendência regional de saúde de Uberaba destacou a importância da oficina. “É muito importante para nós, pois estamos tentando unificar as estratégias para melhorar as coberturas vacinais do estado todo, teremos eventos a semana inteira, reuniões para discutira diversidade no território do estado e para alinhar essas estratégias e podermos levar até os nossos territórios”.
Revista experiências exitosas
Após a apresentação dos grupos sobre as ações e estratégias para aumento da cobertura vacinal, Elice Eliane Nobre Ribeiro, membro do OPESV, apresentou a revista com experiências exitosas em vacinação dos municípios e das regionais de Minas Gerais, que será lançada ainda neste ano.
A finalização do encontro se deu com a apresentação do cronograma das Oficinas de de monitoramento, com a Adriana Coelho, pós-doutoranda do OPESV.
