Profissionais de saúde de MG participam de curso sobre prevenção e controle do pé diabético na Atenção Primária


O  diabetes mellitus (DM) atinge 10,2% da população brasileira, conforme dados da pesquisa Vigitel Brasil 2023 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). O bom controle dessa morbidade depende do autocuidado e do adequado acompanhamento na Atenção Primária à Saúde (APS). Com o propósito de priorizar a capacitação dos profissionais de saúde da APS do estado de Minas Gerais em relação ao rastreamento da neuropatia periférica diabética (NPD) e sua importância para a prevenção de complicações nos pés em pessoas com diabetes, foi realizado um curso, na última sexta-feira, 7 de junho, promovido pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em parceria com a Escola de Enfermagem da UFMG.

O curso, que preencheu todas as vagas, teve duração de oito horas, com diversas atividades divididas em aulas teóricas e oficinas práticas. A professora Alexandra Dias Moreira, do Departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública da EEUFMG, uma das coordenadoras do curso, explicou que a parceria surgiu durante um Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes, junto à coordenadora do Departamento de Neuropatias e Pé  Diabético  da SBD Nacional, Geísa Maria Campos de Macedo.

A diretora da Escola, professora Sônia Soares e a coordenadora do evento, professora Alexandra Dias

Sobre os objetivos da capacitação, a professora Alexandra destaca que foram: entender as etapas do diagnóstico e rastreamento da neuropatia diabética, sua importância no contexto da APS, como identificar, classificar e conduzir a infecção nos pés em pessoas com diabetes; compreender o manejo das lesões pré-ulcerativas e off loading em pessoas com diabetes e apreender o processo de identificação e rastreamento da Doença Arterial Periférica em pessoas com diabetes. Finalizando, a professora acrescenta: “O curso voltado a profissionais de saúde visou uma atualização e sensibilização desses profissionais para a realização dos exames e para a avaliação desses pacientes de forma periódica”.

Como uma das idealizadoras do curso, Geísa Macedo comenta a importância da atividade e afirma ser uma meta para sua gestão como coordenadora da SBD. “Eu acredito muito que investindo na atenção primária no Brasil, somos capazes de modificar a visão acerca do pé diabético e também o ponto final, ao invés de termos um paciente com amputação, teríamos um paciente recuperado, caminhando com um sapato adequado, sem úlceras e lacerações e com a assistência que ele merece. Eu quero dedicar o meu trabalho nesses dois anos de gestão para o pessoal da atenção básica de todo o Brasil, Belo Horizonte é o primeiro local que fazemos esse curso em parceria com uma universidade, que é a UFMG, então aqui tem sido pioneiro nisso e nós agradecemos muito”.

Em sua oficina, que foi voltada ao rastreio do pé diabético, ela apresentou procedimentos e instrumentos que colaboram com o diagnóstico e possam ofertar melhor tratamento ao paciente, além disso, também acrescentou a preocupação com as condições ofertadas para a entrega do diagnóstico. “ Essa capacitação mostra a ciência e a prática, para aprender como diagnosticar uma neuropatia, é na prática, porém, se o profissional vai para onde ele atua e não possuir os instrumentos para trabalhar, foi em vão, então é necessário que as Unidades de Saúde e os gestores compreendam que eles precisam fornecer os instrumentos para assim levar os pacientes a um destino diferente da amputação”.

Geísa Macedo durante a oficina rastreamento do pé diabético na prática

A enfermeira Nilce Dompiere, que também ministrou palestra e oficina, abordou sobre  a importância da prevenção de úlceras em diabéticos e sobre o off loading, técnica de alívio de carga na região plantar do pé, que auxilia na prevenção de ulcerações “É preciso enfatizar as boas práticas, o tratamento baseado em evidências, como devemos fazer o passo a passo para tratar lesões nos pés e como devemos fazer a remoção das cargas, para isso temos o off loading definitivo que é para prevenção de ulcerações e o off loading temporário que é quando a pessoa tem uma lesão ulcerada e  temporariamente tem que passar a fazer a descarga com alguns dispositivos, como uma bota imobilizadora ou uma sandália de cicatrização”.


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