Pesquisa estima aumento dos preços dos alimentos saudáveis em relação aos ultraprocessados até 2025


Estudo realizado por pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG, Faculdade de Medicina da UFMG, Universidade de São Paulo e do Instituto de Defesa do Consumidor constata que, no Brasil, entre janeiro de 2018 e março de 2022, o preço relativo dos alimentos saudáveis em relação aos alimentos não saudáveis aumentou de 69,3% para 94,6%. Em maio de 2022, esse índice ultrapassava 100,00%, atingindo 130,8% em 2025. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC), coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula vários índices de preço, dentre eles o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). No estudo foram analisados os tipos de alimentos mais consumidos no país e calculados os custos médios anuais dos grupos de alimentos.

Em 2018, os preços relativos dos alimentos in natura e minimamente processados como frutas, vegetais, leite, ovos, cereais e dos ingredientes culinários, incluindo óleos vegetais e animais, açúcar, já era aproximadamente de R$ 15,3 por quilo, já a projeção para 2025 é de um aumento para R$ 22,5. Para o mesmo período, houve redução nos preços relativos dos alimentos processados, como carnes processadas, hortaliças processadas, pão francês, de R$ 16,6 por quilo em 2018 para R$ 11,33 em 2025 e dos preços dos produtos alimentícios ultraprocessados que incluem confeitados, bebidas adoçadas, biscoitos, de R$ 22,1 por quilo em 2018 para R$ 20,2 em 2025.

O professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Rafael Moreira Claro, coordenador da pesquisa, enfatiza que esses resultados são preocupantes, pois o aumento do preço dos alimentos saudáveis agrava a insegurança alimentar e nutricional no Brasil. “Além disso, esta tendência incentiva a substituição das refeições tradicionais pelo consumo de alimentos não saudáveis, aumentando o risco à saúde da população”.

A previsão para 2025 indica novo aumento nos preços dos alimentos saudáveis em relação aos ultraprocessados. Foto:Agência Brasil 

Ele alerta que esta mudança nas tendências de preços inicialmente previstas para o Brasil, em estudos anteriores, parece refletir o impacto da pandemia da Covid-19 na economia global e que a desorganização das cadeias produtivas globalizadas tornou a pandemia um evento inflacionário mundial. “No que diz respeito especificamente aos produtos alimentares, as restrições à exportação e importação, juntamente com as medidas restritivas (distanciamento social e isolamento), interferiram no abastecimento alimentar, afetando tanto produtores como consumidores e gerando produção e escoamento insuficientes”.

Além disso, segundo Rafael Claro, embora a política monetária agressiva nos países de rendimento elevado tenha aumentado a procura de certos alimentos (como carne e outros produtos de origem animal), as ações de segurança social nos países de rendimento baixo e médio afetaram os padrões de consumo alimentar. “Este cenário de oferta restrita e aumento da demanda reflete negativamente nos preços dos alimentos. Foi relatado que medidas restritivas aumentam os preços dos alimentos e a dispersão da inflação de preços em todo o mundo, inclusive no Brasil”.

Ações necessárias
O pesquisador enfatiza que as intervenções governamentais são ainda mais necessárias para garantir a segurança alimentar da população e conter o avanço da prevalência da obesidade e de outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no país. Nesse sentido, ele enfatiza que os programas de transferência condicionada de renda (PTCC) parecem ser uma ação capaz de garantir resultados no curto prazo.

“Também são necessárias medidas a longo prazo destinadas a diminuir o preço dos alimentos saudáveis e a aumentar o preço dos alimentos não saudáveis. Tais medidas poderiam incluir melhores incentivos para a cadeia de produção e comercialização de alimentos saudáveis, como isenções fiscais e financiamento com taxas abaixo dos valores de mercado. Além disso, a tributação de alimentos não saudáveis também é uma possibilidade importante. Por exemplo, a tributação de bebidas açucaradas foi adotada em diversos países e impactou diretamente o consumo desses produtos”, conclui Rafael Claro.

 


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