Escola de Enfermagem da UFMG realiza evento para celebrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial


Para celebrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de maio, foi realizado um evento nesta quinta-feira (16), no auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG, integrando a programação da 34ª Semana de Enfermagem do campus Saúde da UFMG. 

A professora Larissa Almeida Rezio, da  Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ministrou palestra sobre  “Terapia Comunitária Integrativa: Espaço de acolhimento e escuta qualificada”. Em seguida, foi realizado o lançamento da Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde Mental (LAESAM) e uma apresentação artística da Isabella Keren de Carvalho, escritora, música e usuária da Rede de Atenção Psicossocial de Belo Horizonte (RAPS-BH).

Durante a abertura do evento, a diretora da  Escola de Enfermagem, professora Sônia Maria Soares, comentou  sobre a importância da Semana de Enfermagem.  “O tema  ‘Romper bolhas para existir e o coexistir da Enfermagem’  requer muitas reflexões de como nós estamos, no cotidiano da nossa profissão, trabalhando a valorização, o contexto da sustentabilidade e as nossas crenças limitantes para o desenvolvimento para nossa profissão. As bolhas que temos que romper estão em cada um de nós, como enxergamos nossa profissão e como apontamos para este cenário de ainda muita desigualdade”. 

Mesa de abertura do evento com a diretora Sônia Soares e a professora Janaina Soares

A professora Janaina Soares, coordenadora da área de saúde mental do Departamento de Enfermagem Aplicada, mediou o evento e destacou que o tema da semana de Enfermagem vai de encontro à luta antimanicomial. “A enfermagem nasce dentro de um manicômio, com o trabalho de vigiar e punir e depois com o avanço do conhecimento científico na área, a enfermagem vai desenvolvendo e criando estratégias de cuidado e recuperação”, concluiu a professora. 

Terapia Comunitária Integrativa
Em sua palestra, a professora Larissa apresentou a Terapia Comunitária Integrativa como um espaço de escuta qualificada e acolhimento, onde as pessoas têm lugar para falar e compartilhar umas para as outras sobre seu sofrimentos e também sobre suas conquistas. “Ao escutar o outro, você também aprende, então se torna terapeuta de si mesmo, porém de forma coletiva, em um espaço de coletividade”. 

Com um método que trabalha vínculos, fortalecimento e cuidado visando foco no paciente, ela destaca a importância da gestão de intersetorialidade do cuidado. “Como vou discutir saúde mental se o paciente não tem onde morar? A intersetorialidade é saber articular outros setores dentro de uma rede de cuidado”. 

Professora Larissa Rezio da UFMT

A professora Larissa também comentou sobre a questão do tema bolhas e explicou que para a realização de um atendimento antimanicomial, os profissionais devem abdicar das práticas manicômios que ainda residem “É preciso trabalhar caminhos opostos, ser substitutivo, buscar acolher. No modelo manicomial se realiza contenção química por medicamentos, na atenção psicossocial usamos métodos para ressocialização”.

O modelo de Atenção Psicossocial da Terapia Comunitária Integrativa, segundo ela, atua com o ouvir a partir da escuta qualificada, que busca sempre atenção e cuidado para compreender, gerar valor e agregar ao diálogo, respeitando as etapas da terapia, o acolhimento, escolha do tema, contextualização, problematização e o encerramento. 

Apresentação da LAESAM
O evento também contou com a apresentação da Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde Mental (LAESAM), fundada por Paulo André, Vitor Rocha, Vitória Moreira, Sther Abras e Nayara Dias, estudantes do 7º e 6º período da graduação em Enfermagem, com as professoras de referência Janaina Soares e Belisa Vieira da Silveira. A liga visa, por meio da inclusão, diversidade e a multidisciplinaridade em áreas de Enfermagem, Neurologia, Fisiologia,  Sociologia, Farmacologia, Psicologia, Direito, Cultura, Artes, Educação e Assistência Social, debater e promover as questões de saúde mental. “A finalidade da LAESAM é unir ensino, pesquisa e extensão, sendo uma associação científica criada e organizada por nós, estudantes, no exercício do protagonismo em relação ao processo formativo. Tudo isso para além de trazer a perspectiva da enfermagem e do cuidado em  enfermagem enquanto ciência”, comentou Paulo André, presidente da Liga. 

Apresentação da Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde Mental

 


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