Em parceria com Hospital Sofia Feldman, projeto de extensão Renascer cria Ambulatório de Apoio ao Luto Perinatal


Neste mês de abril, foi inaugurado no Hospital Sofia Feldman – Unidade Carlos Prates, o Ambulatório de Apoio ao Luto Perinatal, criado em parceria com o Projeto Renascer: cuidado multidisciplinar do luto perinatal, da Escola de Enfermagem da UFMG.

O atendimento é destinado às famílias em situação de luto perinatal assistidas pelo Hospital Sofia Feldman. De acordo com coordenadora do projeto Renascer,  professora Juliana de Oliveira Marcatto, do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, o objetivo do projeto é ofertar cuidados direcionados para o acolhimento do luto de mulheres e famílias que vivenciam a experiência da perda de seus bebês, independentemente da idade gestacional. Além da organização do cuidado pautado em boas práticas evidenciadas pela literatura durante o pré-natal e no momento do nascimento, a implementação do ambulatório tem por objetivo cuidar das famílias após a alta hospitalar por meio de escuta qualificada e atendimento especializado, quando necessário. 

Os atendimentos são realizados na Unidade Carlos Prates. Foto: Claudio Rabelo/ CMBH

A professora Juliana enfatizou que a criação desse ambulatório tem como objetivo validar a experiência e a dor da perda. “Por meio da escuta qualificada, esperamos criar espaço seguro de manifestação das experiências de maneira acolhedora, processual e individual, considerando os valores e necessidades de cada mulher/família. Atualmente existem poucos espaços especializados para promoção deste cuidado no Sistema Único de Saúde. A experiência de estruturação deste ambulatório pode ser modelo para outras unidades no Brasil e fortalecer a proposta de implementação de uma Diretriz Nacional de Acolhimento à Perda Gestacional e Neonatal”, ressaltou a professora.

No ambulatório, o primeiro atendimento será destinado ao acolhimento, escuta qualificada, preenchimento de dados sociodemográficos, identificação da necessidade de cuidados especializados, aplicação da Escala de Luto Perinatal e escala de qualidade de vida com 2, 6 12 e 18 meses após a perda. “De acordo com a demanda das famílias ou avaliação profissional, será dado continuidade ao atendimento com periodicidade mensal nos primeiros seis meses, depois trimestral até 12 meses. Além disso, serão ofertadas outras atividades de seguimento e monitoramento, como: ligação de condolências, rodas de conversas, reunião ABRAÇO e clube do livro, em parceria com o Projeto de Extensão da Escola de Enfermagem da UFMG.

A professora destaca, ainda, que o luto perinatal é uma temática sensível, que difere muito do luto em outros contextos. “As famílias de bebês de vida breve têm poucas oportunidades de criar memórias afetivas que possam ser acionadas durante o processamento do luto. A inversão da ordem natural do ciclo de vida e o “colo vazio” não são experiências validadas socialmente, gerando um estado de silenciamento da dor que, na maior parte das situações, compromete mulheres e famílias na dimensão biológica, social, emocional e espiritual”. 


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