Estudo revela redução das mortes por desnutrição e aumento por obesidade no Brasil


Estudo coordenado pela professora Deborah Carvalho Malta, do Departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, revelou redução das mortes por desnutrição e aumento das mortes relacionadas à obesidade no Brasil.

obesidadeO objetivo da pesquisa, que compreende o período de 1990 a 2019, foi analisar a dupla carga de mal nutrição: a deficiências nutricionais e índice de massa corporal (IMC) elevado nos 27 estados do Brasil. Utilizou os dados estimados pelo estudo carga Global de Doenças com métricas: número absoluto de mortes, taxa de mortalidade padronizada e anos de vida ajustados por incapacidade. Além disso, verificou-se a correlação entre a variação percentual das taxas de mortalidade e o índice sociodemográfico (SDI).

“Durante um tempo, a desnutrição e o IMC foram vistos como problemas de saúde pública distintos que afetavam diferentes grupos populacionais. No entanto, a co-ocorrência destes dois tipos de mal nutrição está aumentando e, este aparente paradoxo é o resultado de profundas mudanças sociais, desigualdades, e tanto a desnutrição como o IMC elevado tendem a ser concentrado em populações de baixo nível socioeconômico”, explicou a professora.

De acordo com Deborah Malta, os resultados mostram uma diminuição no número de mortes (75%), na taxa de mortalidade (75,1%) e nos anos de vida ajustados por incapacidade (os anos que a pessoa perde por doenças, internação, perda de qualidade de vida) (72%) atribuível à deficiências nutricionais encontrada no Brasil e em todas as regiões. Os principais afetados são crianças menores de 5 anos e idosos maiores de 60 anos.

Quanto ao IMC elevado, constatou-se aumento no número de óbitos (139,6%); no entanto, a taxa de mortalidade (9,7%) e os anos de vida ajustados por incapacidade (6,4%) diminuiu em todas as regiões, exceto nas regiões Norte e Nordeste, que apresentaram aumento. Em Minas Gerais houve queda de 21,1% nas taxas de mortalidade devido ao IMC elevado, porém, o número de mortos saltou de 7763 para 16.661 pessoas, aumento de 114,6%.

O estudo constatou, ainda, que as tendências gerais da dupla carga de má nutrição podem ser atribuídas principalmente a transições rápidas nas dietas em todo o mundo. “Alimentos ultraprocessados permitem uma vida útil mais longa e melhor palatabilidade, porém possuem alto valor calórico e são pobres em nutrientes. Devido ao seu baixo custo, tornaram-se altamente consumidos, especialmente pelas populações pobres. Além disso, houve diminuição do consumo de alimentos frescos, incluindo frutas e vegetais, que normalmente são baixos em calorias, ricos em micronutrientes, e rico em fibras. Esses hábitos resultaram em um aumento na prevalência da obesidade, levando a uma nova realidade, que ocorre tanto no Brasil quanto no mundo”, enfatizou.

Deste modo, Deborah ressalta que políticas públicas são necessárias para garantir o direito humano à uma dieta saudável e sustentável, juntamente com a segurança alimentar e nutricional e uma diminuição da desigualdade.

As doenças e os números mundiais
A desnutrição surge pela insuficiência alimentar ou deficiência absorção de um ou mais nutrientes, como iodo, vitamina A e ferro. Essas deficiências estão relacionadas ao aumento da morbidade e mortalidade, constituindo a quinta maior causa de morte e deficiência em crianças menores de 5 anos. Em termos de número de óbito, reduziu de 142.367  para 35.660.

Por outro lado, o sobrepeso e a obesidade, caracterizados por excesso acúmulo de gordura no corpo, resulta de um complexo processo adaptativo sistema no balanço energético, no qual as características biológicas, os padrões de atividade física e consumo alimentar, os aspectos psicológicos, o ambiente físico e alimentar, e os aspectos sociais e influências comerciais, moldam comportamentos e práticas de estilo de vida. Por outro lado, os óbitos por excesso de peso e obesidade aumentaram de 74.266 para 177.940.

No Brasil, a obesidade e o sobrepeso têm crescido rapidamente, atingindo 26% e 60% da população adulta brasileira, respectivamente. Estimativas globais indicam que cerca de 2,3 bilhões de crianças e adultos estão com excesso de peso e que mais de 150 milhões de crianças sofrem de desnutrição.

 


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