
Na última terça-feira (29), o Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da Escola de Enfermagem da UFMG (PPGNS) realizou o “Seminário: Qualidade da dieta e excesso de adiposidade durante a pré-escola: resultados da maior coorte de nascimento multiétnica da Nova Zelândia” no Auditório Maria Sinno. Ministrado pela nutricionista e pesquisadora sênior na Universidade de Auckland (Nova Zelândia) e professora colaboradora do PPGNS, Teresa Gontijo de Castro, o evento reuniu pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação para discutir as perspectivas da alimentação saudável durante a infância.
A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde, professora Simone de Vasconcelos Generoso, destacou que a atividade foi uma oportunidade de fortalecer os vínculos internacionais da UFMG, além de promover integração entre os pesquisadores. “A parceria internacional é muito importante para fortalecer o nosso programa, ampliar a colaboração científica e promover o intercâmbio de professores e alunos, um ponto que o PPG tem estimulado. O seminário de hoje também foi aberto para os alunos de graduação, o que é muito significativo no processo de formação acadêmico-científica. Eles já têm contato com a internacionalização, assim como com a difusão de conhecimentos e com a visão que ela trouxe sobre a qualidade da dieta e os estudos que têm sido realizados.”
Qualidade da dieta e obesidade infantil
Em sua palestra, a professora Teresa Gontijo abordou detalhes da pesquisa que está desenvolvendo a respeito da nutrição infantil na Nova Zelândia. Segundo ela, a falta de dados sobre o cenário de alta obesidade infantil e ambientes alimentares inadequados dificulta a produção científica em âmbito nacional. “O evento teve como objetivo abordar a saúde infantil e da nutrição na Nova Zelândia, com foco na obesidade infantil, visto que é um dos países com maiores prevalências de obesidade infantil do mundo. Apesar disso, faltam dados nacionais de monitoramento que permitam acompanhar se esse problema está piorando ou melhorando, especialmente em relação à qualidade da dieta e aos primeiros cinco anos de vida, que são fundamentais para estabelecer uma base para a saúde ao longo da vida.”
A partir da análise da pesquisa Growing Up in New Zealand (Crescendo na Nova Zelândia), financiada pelo governo e representativa da população nacional, a pesquisadora apresentou resultados preliminares que associam a qualidade da dieta na primeira infância à obesidade infantil. “Sabemos, globalmente, que o excesso de peso e a alimentação estão relacionados, mas ainda precisamos produzir evidências locais para estimular ações voltadas à melhoria da dieta e das condições de acesso das crianças a alimentos adequados, considerando aspectos como preço e disponibilidade. Existem alguns aprendizados no programa de alimentação escolar da Nova Zelândia, especialmente relacionados à participação dos povos indígenas e ao desenvolvimento conjunto de ações em algumas escolas.”
A pesquisadora também enfatizou que eventos como este demonstram a relevância da internacionalização como uma troca de saberes que respeita as diferenças culturais, estimula a adaptação de conhecimentos entre diferentes realidades e contribui para enfrentar a concentração da produção científica.“A troca de experiências proporcionada pela internacionalização é extremamente importante para reconhecer que todos os países têm conhecimentos e pesquisas relevantes. Esse processo não significa identificar algo que funciona no Brasil e aplicá-lo exatamente da mesma forma em outro país. Cada contexto tem sua própria cultura, e é necessário compreender como adaptar os conhecimentos e o que pode ser aprendido de uma realidade para contribuir com outra.”
