Professora Teresa Kurimoto recebe título de cidadã honorária do município de Carmésia


A professora do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da UFMG, Teresa Cristina da Silva Kurimoto, recebeu, nesta segunda-feira, 18, o título de cidadã honorária de Carmésia, cidade mineira localizada na Região do Vale do Rio Doce.  A homenagem foi realizada  durante solenidade organizada pela Câmara Municipal no salão da prefeitura. O título de cidadania honorária é concedido para aquelas pessoas não naturais do município que tenham prestado relevantes serviços e contribuições para o desenvolvimento da cidade.

Teresa Kurimoto relata que conheceu Carmésia em 2016, por meio da disciplina “Estágio curricular: Atenção Primária à Saúde”, mais conhecida como Internato Rural. A honraria foi indicada pelo vereador Xé Pataxó, concedida pela dedicação e  reconhecimento dos trabalhos desenvolvidos pela professora com os estudantes de Enfermagem na cidade. “Hoje me torno cidadã, não por direito, pois não nasci aqui, mas por pertencimento. Entendo que esta homenagem é extensiva à Escola de Enfermagem, à Fundação Universitária Mendes Pimentel, da qual estou presidente, e à UFMG. Não cheguei aqui sozinha”, diz.

Teresa CarmesiaA professora agradeceu o vereador Xé Pataxó e enfatizou a importância dessa indicação que vem de um representante dos povos originários, com quem tanto  aprende. Foto: Fernando Kurimoto

A professora agradeceu seus mestres e mestras, estudantes do curso de graduação em Enfermagem, amigos, familiares, o prefeito da cidade, Atos Tácio Soares de Oliveira, e os vereadores de Carmésia. “Este título é um sinal de reconhecimento que aponta para a experiência de um encontro potente entre uma instituição de ensino e município, e nas pessoas que os representam. Encontro este que instaurou um diálogo extenso e intenso que nos conduziu à construção de novos saberes e experiências que agora já fazem parte do cotidiano desta comunidade e desta cidade”, ressalta a professora.

O prefeito de Carmésia, Atos Tácio, explica o título concedido à professora Teresa. “Ela tem essa capacidade de lutar e desenvolver projetos para o nosso município principalmente na questão das pessoas com deficiência. A Teresa poderia ter passado aqui apenas como uma professora dos alunos de Enfermagem, como outras já passaram, mas ela resolveu ir além e deixar um legado para o município de Carmésia”, destaca.

História com Carmésia
A professora relata que chegou à cidade em 2016, e desde lá vem realizando encontros formativos, com idas e vindas, de BH para Carmésia, aprendendo o que a comunidade tem de belo, de potência e as particularidades. “Os vínculos de trabalho foram se dando de forma orgânica, os diálogos foram naturalmente acontecendo e as iniciativas e ações foram sendo construídas”.

Teresa Carmesia2Ao todo, a professora Teresa Kurimoto esteve envolvida em 13 projetos de intervenção construídos por estudantes em conjunto com a equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF), que promoveram juntos projetos voltados para as pessoas com hipertensão, diabetes, de atenção à saúde das mulheres e das crianças. Além de projetos de educação em saúde desenvolvidos nas escolas e assistência social.

Entretanto, o trabalho que mais se orgulhou foi o projeto que criou junto ao prefeito, o ‘Casa Verde – Dando Asas’, que, para ela, foi o projeto mais ousado e intenso.  “O projeto nasce da responsabilidade social e política do gestor municipal,  quando o projeto era ainda um embrião, concretamente um incômodo diante das duras realidades das pessoas com deficiência e suas famílias. Realizamos um encontro provocador, entre o prefeito Atos, Josinei e eu, que acolhi a demanda de pensar (um pontapé inicial) um projeto voltado para pessoas com deficiência de Carmésia”, lembra.

Neste projeto foram desenvolvidas diversas atividades terapêuticas, lúdicas, de convivência e de construção de laços sociais entre as pessoas, tornando uma cidade mais inclusiva. “Tudo isto marcado pelo princípio de que pensar que inclusão não pode ser apenas pensar um serviço, mas precisava ser uma proposta na qual as Pessoas com Deficiência (PcD), que têm trajetórias sempre marcadas pela invisibilidade, fossem tiradas desta condição tendo sua cidadania reconhecida”, aponta.

O prefeito Atos compartilha que Teresa ficou encarregada de mapear as dificuldades e apontar o que precisavam. “Ela participou de todo o processo desde o início, desde a sua concepção e até hoje ela nos dá esse suporte mesmo não estando mais na coordenação dos estagiários de enfermagem”, destaca.

Encontro com outros saberes
Depois de mais de trinta anos atuando como docente na UFMG, Teresa Kurimoto compreende que é necessário falar da universidade que sai do prédio, salas de aulas, laboratórios, pessoas–professoras/es, pessoas-estudantes, pessoas-trabalhadores administrativos. “Uma universidade que não sai de seus muros, não sai de si mesma, não se deixa ser interpelada e questionada pelas realidades sociais e seus dilemas e vicissitudes, é uma universidade que caminha para sua extinção. Ela pode até continuar existindo, mas o que se faz ali (seja o ensino ou a pesquisa) ao não dialogar com as realidades e com a diversidade destas realidades, não se permitir ser questionada por estas realidades, corre o risco de ir produzindo cursos e algum conhecimento que pouco serve para as pessoas, que pouco contribuem para que a sociedade seja mais equânime, diversa, inclusiva, acolhedora. A Universidade errante é aquela que entende que é no encontro com outros saberes (sim, vários saberes relevantes, assim como o saber científico), que é no diálogo com outras pessoas, que é na indignação diante de realidades difíceis marcadas pela invisibilidade, pela exclusão e pela injustiça, indignação esta que comove e nos põe a trabalho, esta é a Universidade errante e viva”, aponta.

Teresa3Os vereadores e os novos cidadãos honorários de Carmésia. Foto: Wesley Moraes

Ela enfatiza, ainda, que é universidade não recua diante dos desafios e se põe a trabalho, não por saber mais e ter todas as respostas e nem para ensinar como se faz as coisas certas, mas porque entende que o trabalho é de vários/as, é coletivo e é construído no diálogo com todos/as que se propõem ao trabalho. “Esta é a UFMG que eu defendo e acredito. Esta é a UFMG que muitos e muitas defendem”, enfatiza.


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