Com o objetivo de capacitar e sensibilizar a equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município de Morro do Pilar – Minas Gerais quanto à importância do cuidado com o usuário do SUS em adoecimento psíquico, as alunas do internato rural do curso de Enfermagem Daniela Azevedo, Eduarda Dantas e Helena Brasiel organizaram e coordenaram cinco encontros em modalidade de aula expositiva dialogada e roda de conversa, sob a supervisão da professora Maria Odete Pereira, do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da UFMG.
Os temas abordados na capacitação foram: resgate histórico do cuidado à pessoa em adoecimento psíquico, Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e matriciamento na APS, técnicas em comunicação, visitas domiciliares, aplicação das tecnologias leves para a formação de vínculo e abordagem a respeito de transtornos mentais como esquizofrenia, depressão unipolar, transtorno afetivo bipolar e de ansiedade.
Roda de conversa com a equipe de equipe de Estratégia de Saúde da Família
A professora Maria Odete explica que a Reforma Psiquiátrica, regulamentada pela lei nº 10.216 de 2001, abriu as portas das instituições psiquiátricas fechadas, conhecidas como “manicômicos”, para o cuidado em liberdade e a reinserção social das pessoas que vivenciavam condições crônicas de adoecimento psíquico. “A partir disso, se tem o início da implantação de várias políticas de saúde, que culminam numa Rede de Atenção Psicossocial, instituída em 2011, por meio da Portaria nº 3.088, que inclui a Atenção Primária à Saúde – APS, enquanto porta de entrada dos usuários do SUS e ferramenta para a continuidade longitudinal de atenção à saúde, na perspectiva da integralidade. Assim, faz-se necessária a capacitação dos profissionais dos pontos de cuidado da Atenção Primária à Saúde (APS), para a construção de um olhar ampliado, para a garantia do cuidado em liberdade e em rede, centrado em pessoas/famílias e suas necessidades”.
No dia 26 de outubro, a professora Maria Odete liderou a roda de conversa com o tema ‘’Técnicas em Comunicação’’, com a participação das alunas Daniela, Eduarda e Helena. Durante a atividade, que contou com a presença de profissionais da equipe de ESF: técnicos de enfermagem, enfermeiras, agentes comunitários de saúde e trabalhadoras da Assistência Social, do Centro de Referência de Assistência Social, foram discutidos os conceitos de empatia e comunicação não-violenta (CNV), além das estratégias de comunicação para serem aplicadas de forma terapêutica, trabalhadas em dinâmica com os participantes, que trouxeram experiências do cotidiano de trabalho em que usaram os recursos de comunicação.
“Tendo em vista que cabe à Atenção Primária articular o cuidado em rede e garantir o acesso do usuário aos serviços de saúde mental, é de suma importância que os profissionais da ESF sejam empáticos e sensíveis à causa, bem como tenham o conhecimento necessário acerca da RAPS, do usuário e suas necessidades, considerando o cuidado em liberdade, integral e singular. A Saúde Mental é um direito humano universal, como bem expressou a Organização Panamericana de Saúde, no 10 de outubro de 2023 – dia internacional da Saúde Mental,” ressaltou a professora Maria Odete.
