Na tarde desta sexta-feira, 26 de agosto, alunos e professores estiveram reunidos no auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG para a aula inaugural conjunta dos cursos de Pós-graduação em Enfermagem e em Nutrição e Saúde. A coordenadora do Estudo ERICA em Minas Gerais e professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristiane de Freitas Cunha, apresentou o panorama nacional dos fatores de risco cardiovascular em adolescentes.
Segundo ela, o ERICA é um estudo multicêntrico nacional que tem por objetivo conhecer a proporção de adolescentes com diabetes mellitus e obesidade, assim como traçar o perfil dos fatores de risco para doenças cardiovasculares (níveis de lipídios e pressão arterial, entre outros) e de marcadores de resistência à insulina e inflamatórios nessa população. “Na pesquisa, conduzida pelo Ministério da Saúde e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), foram avaliadas as condições de saúde de cerca de 75 mil estudantes entre 12 e 17 anos, de 1.247 escolas brasileiras, públicas e privadas, distribuídas pelas 122 cidades participantes – incluindo todas as capitais”, explicou.
Arroz, feijão, pães, sucos, carnes e refrigerantes estão entre os alimentos mais consumidos pelos adolescentes. Essa última categoria aparece como hábito alimentar de cerca de 45% deles, uma proporção considerada alta pelo Ministério da Saúde. Doces e sobremesas aparecem na sequência, com 39,3% de consumo. Frutas, por sua vez, nem sequer aparecem na lista dos 20 alimentos mais consumidos. Entre os entrevistados, 100% apresentam consumo de vitamina E e cálcio abaixo do adequado.
De acordo com a professora Cristiane, o estudo mostrou que há um aumento na prevalência do sobrepeso, da obesidade e da hipertensão arterial entre os adolescentes. “Isso é muito importante porque desmistifica esse conceito equivocado de que o adolescente é saudável e que não precisa dos serviços de atenção à saúde, precisa muito. O sedentarismo também é comum entre eles, levando a um comprometimento da saúde”, pontuou.
A professora ressaltou, ainda, que na experiência de campo do ERICA observou-se que não havia vínculo entre os adolescentes e os serviços de saúde. Ela destacou a importância do Programa de Saúde na Escola ser realmente atuante, promovendo a saúde dos adolescentes.
A coordenadora da Pós-graduação em Nutrição e Saúde, professora Aline Cristine Souza Lopes, afirmou que esse tema foi escolhido em virtude de sua atualidade, lembrando que o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresentou os resultados desta pesquisa no mês de julho. “O ERICA é um estudo muito importante para melhor compreender a saúde do adolescente brasileiro, inclusive na perspectiva das doenças cardiovasculares. Achamos necessário compartilhar com os alunos da Pós-graduação temas novos, estando sempre atentos às pesquisas que ocorrem no País”, destacou. A professora Marília Alves, coordenadora da Pós-graduação em Enfermagem, ressaltou que é fundamental essa troca de experiências e vivências para a formação do pós-graduando. “O bom profissional é aquele que consegue ampliar seus horizontes”, finalizou.
