Políticas de enfrentamento da violência no SUS são discutidas em seminário de extensão


Com o objetivo de caracterizar os aspectos teóricos e conceituais da violência e acidentes no país e políticas públicas de saúde para seu enfrentamento, foi o realizado, no dia 8 de agosto, o Seminário de Extensão “Políticas de Prevenção à Violência no SUS”. A professora Deborah Carvalho Malta, do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, e a médica sanitarista Marta Alves da Silva falaram sobre o tema, abordando os principais tipos e causas de violência no Brasil e seus reflexos no Sistema Único de Saúde.

De acordo com dados de 2013, do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, a violência é a 3ª maior causa de morte no Brasil e 1ª causa de 1 a 39 anos, 91,7% das vítimas do sexo masculino, 60,7 % da raça parda. São 151.683 mortes por ano, 56.214 por homicídios e 42.000 mortes de acidentes de transporte. Em 2013, foram 228.367 internações por acidentes de transporte terrestre (ATT) no Brasil.

“A violência pode ser definida como o uso intencional da força física contra si próprio, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resulte ou que possa resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação. Tudo isso demanda altos custos para a Saúde, pois gasta-se com internações, cirurgias, materiais e, em muitos gastos, com tratamentos que precisarão ser feitos durante toda a vida do usuário”, conta Deborah Malta, coordenadora da disciplina Violência e Saúde. A professora acredita também que para enfrentar a violência torna-se necessário atuação intersetorial que envolve outros setores da sociedade além da Saúde, como a assistencial social, a segurança pública, a educação e a geração de renda e emprego.

deborahEstudantes de graduação e pós-graduação da UFMG e servidores das secretarias municipais e estaduais de saúde participaram do evento

Deborah falou ainda sobre a importância de fomentar essa discussão no ambiente acadêmico. “A Universidade desempenha um importante papel na Pesquisa, identificando a extensão do problema, os públicos vulneráveis e os impactos de intervenções preventivas. O Ensino e a Extensão formam os alunos com sensibilidade para não somente tratar as vítimas, mas também para notificar as violências e promover uma articulação com outros setores a fim de alcançar uma resposta integrada”.

Marta Alves da Silva, abordou algumas políticas de prevenção, como o sistema de notificação de violência doméstica, implantado pelo Ministério da Saúde em 2009. “Qualquer profissional de saúde que chegar a atender uma vítima de violência, física ou psicológica, pode fazer uma notificação. Dessa forma, contribui-se para a geração de estatísticas e aciona-se uma rede de cuidados e proteção, que vai atender a vítima de acordo com sua complexidade”.
O enfermeiro e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da EEUFMG, Marcus Tavares, parabenizou pela iniciativa do evento, considerando que essa temática ainda é pouco discutida na graduação. “Trata-se de um tema importantíssimo para a área da saúde, pois a situação de violência, seja no trânsito, homicídios, suicídios e outras, impactam fortemente no sistema de saúde. Ao capacitar os profissionais da área, contribui-se significativamente para um melhor manejo dos casos de violência no serviço, da atenção primária, passando pelos serviços especializados, à atenção hospitalar”, enfatizou.
Violência no trânsito
Segundo o Sistema de Informação Hospitalar (SIH), do Ministério da Saúde, foram registradas 42.000 mortes em acidentes de trânsito, causadas na maioria pelo excesso de velocidade ou pela combinação de álcool e direção. Além das fatalidades, os dados do SIH mostram um total de 228.367 internações por Acidentes de Transportes Terrestres (ATT) a um custo de R$ 303.522 milhões.
O levantamento mostra também que as internações concentram-se na faixa etária de 20 a 39 anos (47,8%) e que os homens são os principais envolvidos (77,7%). Dos homens internados por ATT, 59,7% são motociclistas e 23,8% são pedestres.


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