Adriana Oliveira e Juliana Marcatto assumem direção da Escola de Enfermagem da UFMG para a gestão 2026–2030


As professoras Adriana Cristina de Oliveira Iquiapaza e Juliana de Oliveira Marcato foram empossadas, respectivamente, como diretora e vice-diretora da Escola de Enfermagem da UFMG para o mandato de 2026 a 2030, em cerimônia realizada na última sexta-feira, 9 de outubro. Conduzido pelo reitor da Universidade, Alessandro Fernandes Moreira, o evento contou com a presença dirigentes de unidades acadêmicas, pró-reitores, professoras eméritas, superintendente do HC/UFMG, servidores docentes e técnico-administrativos, funcionários, estudantes, familiares e representantes da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn). Confira aqui o álbum de fotos.

A nova gestão sucede a administração das professoras Sônia Maria Soares e Simone Cardoso Lisboa Pereira, que estiveram à frente da Escola durante dois mandatos consecutivos, entre 2018 e 2026. A cerimônia foi marcada pela apresentação das perspectivas para o próximo quadriênio, pela reafirmação do compromisso institucional com a formação em saúde, a ciência e o Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo reconhecimento da trajetória da diretoria que encerra seu ciclo.

A cerimônia de posse contou com a presença da comunidade acadêmica. Foto: Rosânia Felipe

Em seu pronunciamento, o reitor Alessandro Moreira ressaltou a trajetória da Escola de Enfermagem, fundada em 7 de julho de 1933, e sua contribuição para a formação de profissionais, a produção científica e o desenvolvimento de ações voltadas às necessidades da sociedade. “Desde sua fundação, a Escola de Enfermagem tem, continuamente, investido esforços para garantir uma formação de qualidade, seja em nível de graduação ou de pós-graduação, de enfermeiros, nutricionistas e profissionais dedicados à gestão de serviços de saúde. As ações dessa unidade impactam local e nacionalmente”.

Discurso do reitor Alessandro Moreira
Foto: Jebs Lima | UFMG

Ao abordar a atuação da Unidade durante a pandemia de Covid-19, o reitor destacou a participação da Escola no enfrentamento à crise sanitária, com iniciativas de assistência à saúde, vigilância epidemiológica, apoio técnico a gestores, projetos de pesquisa e extensão e pela criação de um polo de vacinação no âmbito da EE voltado para o atendimento de toda comunidade. “Relembro com muito carinho o lançamento da edição especial do Boletim Informativo produzido pela EEUFMG, que teve um caráter histórico em razão do contexto que se instalou com a pandemia do novo coronavírus. A publicação reuniu todas as contribuições desta unidade relacionadas ao enfrentamento da Covid. Projetos e ações desenvolvidas, depoimentos, experiências de servidores docentes, técnicos administrativos e discentes, os destaques na imprensa e os principais posicionamentos da nossa instituição”.

Ele fez um cumprimento especial às professoras que encerram oito anos à frente da Escola de Enfermagem. Ao recordar a parceria com Sônia, com quem esteve próximo por mais de uma década, e os momentos vividos com Simone, ele ressaltou a relação construída com as duas durante esse período, marcado por desafios e conquistas. Ao se dirigir às novas diretoras, Alessandro destacou os princípios apresentados no projeto de gestão: uma Escola viva, plural e inovadora, atenta ao diálogo, à participação da comunidade acadêmica e ao compromisso social. Também reafirmou o apoio da Reitoria a pautas da Unidade, como as questões de acessibilidade e a expansão de sua infraestrutura, incluindo o projeto do anexo.

“Que a Escola de Enfermagem continue sendo, na UFMG e no Brasil, um lugar onde se formam profissionais, se produz conhecimento e se afirma todos os dias que cuidar das pessoas é também cuidar da democracia e construir a soberania do país”, declarou.

Nova diretoria apresenta perspectivas para o próximo quadriênio
Em seu primeiro pronunciamento como diretora, Adriana Oliveira destacou a responsabilidade de conduzir a Escola em um período de transformações sociais, políticas e tecnológicas, reafirmando o compromisso com a formação de profissionais capazes de contribuir para o fortalecimento da saúde pública.

A professora ressaltou a trajetória dos três cursos de graduação da Unidade: Enfermagem, Nutrição e Gestão de Serviços de Saúde, e de seus programas de pós-graduação. Também mencionou avanços e perspectivas para a formação acadêmica, entre eles o fortalecimento da pesquisa, a ampliação das oportunidades de formação e a proposta de implantação de um doutorado profissional na área de Gestão de Serviços de Saúde, cuja tramitação ainda depende das etapas institucionais necessárias.

“Assumimos a direção em um contexto marcado por aceleradas transformações sociais, polarização política, avanços tecnológicos, que exigem rigor ético e posicionamento. E nós não nos furtaremos diante desses desafios, pois compreendemos a urgência de nos mantermos defensores da Universidade pública, como uma instituição comprometida com os anseios da sociedade. Atenta aos desafios da humanidade e pronta a incorporar inovações tecnológicas, inteligência artificial, com responsabilidade, ética e atenção, garantindo que tecnologia e inovação estejam sempre a serviço do nosso compromisso com a saúde, com a segurança e com o desenvolvimento da humanidade”, enfatizou.

Iniciativas em prol da saúde global lideradas por docentes da Escola de Enfermagem foram destacadas pela professora Adriana como: a Rede Alyne, voltada à qualificação da atenção à saúde materna e infantil; o Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (OPESV), que atua no enfrentamento à queda das coberturas vacinai, a hesitação vacinal e à desinformação; e o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição, com papel o papel fundamental na construção de políticas públicas de saúde e segurança alimentar junto ao Ministério da Saúde.

As novas diretoras da EEUFMG: Professoras Adriana Oliveira e Juliana Marcatto

Ao apresentar os compromissos da diretoria, a nova diretora ressaltou a necessidade de uma gestão pautada pela escuta, diálogo, transparência e pela valorização das pessoas que constroem o cotidiano da Escola.

Compromisso e trajetória das novas diretoras

Professora Kênia Lara. Foto: Jebs Lima | UFMG

Em saudação às empossadas, a professora Kenia Lara da Silva falou em nome da comunidade acadêmica da Escola de Enfermagem e ressaltou a importância de reconhecer a história institucional sem deixar de construir novos caminhos.

Ao se dirigir a Adriana e Juliana, destacou a capacidade de trabalho, a determinação, a escuta e o compromisso com a formação acadêmica como características importantes para o exercício da gestão.

A professora Kenia também chamou a atenção para o projeto apresentado pela nova diretoria. Segundo ela, os princípios de uma Escola viva, plural e inovadora precisam se traduzir em ações coletivas, na defesa da universidade pública, na valorização dos trabalhadores e na promoção de ambientes acadêmicos comprometidos com a diversidade e o enfrentamento das desigualdades.

A professora lembrou, ainda, que a Escola completará 100 anos em 2033. Para ela, o centenário representa uma oportunidade de refletir sobre a instituição que a comunidade acadêmica deseja construir.

Oito anos de gestão e os desafios enfrentados
Ao se despedir da direção, a professora Sônia Soares fez um balanço das gestões de 2018–2022 e 2022–2026, destacando as experiências, os desafios e as conquistas compartilhadas com a vice-diretora Simone Cardoso.

Com mais de quatro décadas de trajetória na UFMG, a professora recordou seu percurso profissional, inicialmente marcado pela assistência e pela docência, até assumir responsabilidades na gestão acadêmica. Segundo ela, aceitar o desafio de dirigir a Escola representou colocar a experiência acumulada a serviço de uma instituição pública.

Discurso de despedida-Professora Sônia Soares. Foto: Jebs Lima | UFMG

Sônia destacou a parceria com Simone, e a importância de reunir diferentes formações e perspectivas na condução da Unidade. A participação de uma nutricionista na vice-direção pela primeira vez na história da EEUFMG, segundo a professora, representou uma escolha que ampliou as possibilidades de diálogo e reforçou o caráter multiprofissional e interdisciplinar da Escola.

Um dos momentos mais marcantes dos oito anos, segundo a professora Sônia, foi a pandemia de Covid-19. A diretora relembrou a organização de um polo de vacinação na Escola, em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, que possibilitou a imunização de mais de 18 mil pessoas.

A professora também recordou o plantio de 60 mudas de azaleias durante aquele período, iniciativa que, segundo ela, simbolizou a resistência e a esperança em meio às incertezas. “Enquanto o mundo experimentava a dor e o medo, procurávamos devolver cor à nossa escola. As azaleias se tornaram um símbolo de resistência de quem não desiste de cuidar, de quem quer proteger a vida e, acima de tudo, de quem se recusa a permitir que a escuridão seja a única paisagem possível. Aquelas flores nos lembravam de que a esperança não é passividade, é continuar agindo, mesmo quando o horizonte ainda não está claro. E talvez seja essa a grande aprendizagem desse movimento que nós tivemos”, enfatizou.

Na avaliação de Sônia, o primeiro mandato foi marcado pela necessidade de enfrentar o inesperado, preservar vidas e manter a instituição em funcionamento. Já o segundo exigiu reconstrução, consolidação de iniciativas e planejamento para o futuro.

Entre os avanços mencionados, estão o fortalecimento das condições de ensino e aprendizagem, a qualificação dos espaços acadêmicos, o desenvolvimento dos laboratórios, o apoio às atividades de pesquisa e extensão e a criação de condições de convivência e acolhimento para a comunidade. A professora também destacou a continuidade do projeto de ampliação da infraestrutura da Escola, uma demanda que espera ver concretizada nos próximos anos.

Ao abordar a transição, Sônia desejou que a nova diretoria encontre uma instituição fortalecida e aberta ao diálogo, com autonomia para formular propostas e rever caminhos.

A professora encerrou o pronunciamento agradecendo aos professores, estudantes, gestores, técnicos-administrativas, trabalhadores terceirizados, parceiros institucionais e familiares que participaram da trajetória. Também expressou gratidão à vice-diretora pela parceria durante os dois mandatos. “Um agradecimento muito especial à professora Simone, que com primazia exerceu a condição de vice-diretora dessa escola. Uma parceira com quem eu pude dividir diversos momentos, concluir projetos e trabalhar para que a nossa instituição ficasse cada vez mais fortalecida”.

Homenagem à gestão que se encerra
A pró-reitora de Recursos Humanos da UFMG, Carla Aparecida Spagnol, foi responsável pela homenagem a Sônia Soares e Simone Cardoso Lisboa Pereira, em nome da comunidade da Escola de Enfermagem.

Em um discurso estruturado como um diário de acontecimentos e lembranças, intitulado “Travessias de Sônia e Simone: uma gestão que deixa marcas e abre caminhos”, Carla propôs um olhar sobre os oito anos de administração que ultrapassasse a enumeração de projetos e resultados. A intenção, segundo ela, foi registrar também as relações, os encontros, os desafios e as experiências que marcaram o período.

Saudação de Despedida à Diretoria, Gestão 2022-2026- Professora Carla Spagnol. Foto: Rosânia Felipe EEUFMG

A pró-reitora destacou que as duas gestoras conduziram uma Escola plural, formada por diferentes cursos e áreas de conhecimento, e enfrentaram um contexto de dificuldades orçamentárias, mudanças políticas e uma grave crise sanitária. Nesse cenário, ressaltou a importância das decisões tomadas para manter as atividades acadêmicas e o compromisso da Unidade com a sociedade.

Carla também mencionou iniciativas relacionadas às condições de ensino, como a renovação da frota de veículos utilizada nas atividades formativas e a inauguração do Laboratório de Treino de Habilidades e Simulação Clínica (LabSim). Na área administrativa, lembrou ações voltadas ao acolhimento, à organização do trabalho e à melhoria dos espaços de convivência, além dos esforços para viabilizar a substituição dos elevadores da Escola.

Outro ponto destacado foi o empenho da gestão na construção de perspectivas para a ampliação da infraestrutura, com o projeto do novo prédio da Unidade.

Ao longo do pronunciamento, Carla enfatizou a parceria entre Sônia e Simone e as características que, em sua avaliação, contribuíram para a condução da Escola. A pró-reitora ressaltou a persistência e a capacidade de enfrentamento de Sônia, assim como a escuta, a mediação de conflitos e a sensibilidade de Simone. “Talvez uma das maiores dificuldades de quem ocupa um lugar de gestão seja justamente essa: encontrar o equilíbrio entre a responsabilidade de decidir e a sensibilidade necessária para compreender as pessoas envolvidas nas decisões”, afirmou.

Alessandro Moreira, Sônia Soares, Adriana Oliveira, Juliana Marcatto, Simone Cardoso e Alamanda Kfoury
Foto: Jebs Lima | UFMG

Para a pró-reitora, o legado de uma gestão não se limita às realizações registradas em documentos, prédios ou indicadores, mas permanece nas relações e nas experiências que ajudam a transformar a instituição. “Legado é aquilo que, mesmo depois de nós, continua produzindo caminhos”, declarou.


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