Por: Jaqueline Guimarães- Representante Docente no Núcleo gestor da Divisão de Enfermagem do HC-UFMG-HU Brasil
No dia 17 de setembro, comemora-se o Dia Mundial da Segurança do paciente, uma data que tem como objetivo conscientizar a todos sobre a importância de se reduzir riscos nos serviços de saúde. Não são raras as ocorrências de danos sofridos por pacientes em todo o mundo, o que não acontece somente em hospitais, mas também em serviços de atenção primária, ambulatórios, clínicas e consultórios. Os erros são ocasionados por múltiplos motivos, dentre os quais desatenção e interrupções, somados à crescente complexidade dos serviços prestados, dentre outros.
Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destacam o tema “Cuidados seguros durante toda a vida!”, direcionando a campanha para a segurança no cuidado das pessoas com doenças não transmissíveis, como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas. Essas pessoas frequentemente necessitam de cuidados contínuos, utilizam múltiplos medicamentos, realizam exames repetidamente e transitam por diferentes serviços e profissionais, aumentando as oportunidades para que ocorram falhas e danos evitáveis. Dados da OPAS mostram que, em pacientes com câncer, por exemplo, um em cada três pacientes apresenta eventos adversos ao receber cuidados, sendo que o risco aumenta em situações em que o paciente tenha várias afecções crônicas concomitantes, o que deve merecer a atenção de todos.
A campanha de 2026 também reforça que a pessoa que recebe o cuidado deve ser parceira na construção de sua própria segurança. Dessa forma, escutar o paciente, esclarecer dúvidas, estimular que ele participe das decisões, orientar sobre medicamentos e sinais de alerta, bem como sobre riscos em geral, e respeitar sua autonomia, são ações essenciais. A OMS destaca, ainda, a importância da continuidade e da coordenação do cuidado, especialmente nas transições entre profissionais, setores e serviços.
A segurança do paciente deve ser vista como um compromisso ético e profissional de todos aqueles que participam do cuidado. Compreender e praticar a segurança do paciente significa reconhecer que cada atitude, cada decisão e cada orientação podem contribuir para prevenir danos e preservar vidas. Para isso é necessário desenvolver uma postura profissional baseada na prevenção, na comunicação efetiva, no trabalho em equipe, na utilização das melhores evidências científicas, e na adoção constante de boas práticas. Conferir a identificação do paciente, administrar medicamentos de forma segura, realizar corretamente a higiene das mãos, prevenir quedas e lesões por pressão, reconhecer sinais de deterioração clínica, registrar adequadamente os cuidados realizados e comunicar rapidamente alterações relevantes são atitudes que fazem parte de uma assistência segura.
Outro aspecto fundamental é compreender que segurança não significa procurar culpados quando algo dá errado. Uma cultura de segurança deve estimular a identificação e a notificação de incidentes, permitindo que as equipes aprendam com as falhas e aperfeiçoem os processos de trabalho. Notificar um incidente é um ato de responsabilidade e de cuidado, não de punição. E o aprendizado coletivo é o caminho na construção de serviços mais seguros.
Para os profissionais de saúde em formação, o aprendizado sobre a segurança do paciente desde a graduação deve propiciar a incorporação dessas condutas, que deverão o acompanhar toda a sua trajetória profissional. Deve significar, ainda, transformar conhecimento em prática cotidiana, e compreender que a qualidade da assistência depende, além da competência técnica, de processos organizados, comunicação, responsabilidade e capacidade de identificar e mitigar riscos. Nesse sentido, espera-se que todos sejam protagonistas da segurança do paciente. Pergunte quando houver dúvidas, comunique riscos, registre corretamente, siga protocolos, utilize evidências científicas, valorize o trabalho em equipe, escute e valorize a participação do paciente e ou sua família. Cada conduta adequada pode prevenir um erro.
Que ninguém tenha um dano ao precisar de cuidados. Cabe a cada profissional de saúde assumir, todos os dias, seu papel na construção de uma assistência mais segura, humana, ética e qualificada.
Cuidados seguros ao longo da vida: que este seja um compromisso de todos nós!
