Primeira UTI Inteligente do SUS em Minas Gerais é implementada em hospital da Rede HU Brasil


O Ministério da Saúde (MS) e a HU Brasil inauguraram, nesta quinta-feira (2), a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG/ HU Brasil) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais. Nesta primeira fase, o sistema foi implementado em 10 leitos e em um veículo piloto. A solução é baseada em Inteligência Artificial (IA) e integração de dados, tem como objetivo auxiliar os profissionais de saúde a antecipar agravamentos, ampliando ainda mais a segurança dos pacientes.

O HC-UFMG é a segunda das sete instituições selecionadas para a fase inicial do projeto, que já contemplou o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), no último sábado (27), e ainda abrangerá hospitais de referência no Amazonas, Distrito Federal, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Inicialmente, serão implementados em 70 leitos, 10 em cada hospital participante. A previsão do MS é ampliar o programa para todo o país, atingindo um total de 280 leitos inteligentes em 14 UTIs, localizadas em 13 estados.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que esse é um dos passos para uma revolução tecnológica que o governo está fazendo no SUS. “A expectativa é que, quando a gente tiver esses serviços já funcionando, outras UTIs também queiram os mesmos equipamentos e conhecimentos. Assim, vamos transformando toda a nossa rede do SUS, com todos os equipamentos conectados e podendo ser acompanhados de onde o profissional estiver, por meio de um painel de controle. Com isso, é possível agir mais rapidamente diante de qualquer alteração no quadro do paciente”.

Segundo o presidente da HU Brasil, Arthur Chioro, o HC-UFMG foi escolhido para ser um dos primeiros a receber a UTI e o SAMU inteligentes por ser “um dos hospitais da rede com maior capacidade de desenvolvimento tecnológico, científico, totalmente integrado ao SUS e pioneiro nas inovações que se faz, tanto na gestão, no cuidado, quanto na capacidade de entrega para o SUS”.

Para ele, a unidade “vai produzir muita melhoria na qualidade do atendimento aos pacientes em estado grave atendidos nas UTIs. Mas, acima de tudo, gerar muita informação para aprimorar, progressivamente, esse atendimento, além de produzir muito conhecimento e pesquisa, que é o papel de um hospital universitário do porte, da tradição e do compromisso do HC-UFMG”, afirmou.

Inovação aplicada ao cuidado e pesquisa
De acordo com o diretor de Tecnologia da Informação e Saúde Digital da HU Brasil, Giliate Cardoso Coelho Neto, a solução utiliza tecnologia integrada para conectar equipamentos e sistemas assistenciais, gerando benefícios para a assistência tanto na UTI quanto no SAMU. Na terapia intensiva, os profissionais podem visualizar, em tempo real, os dados de cada paciente em um único lugar, receber alertas sobre possíveis agravamentos do quadro clínico e contar com a integração ao Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU), que permite o envio automático das informações ao sistema.

Já no SAMU, as informações da pessoa atendida também são registradas imediatamente e transmitidas da ambulância para o hospital, permitindo que a equipe acompanhe o caso antes mesmo da chegada do paciente e se prepare para o atendimento. “No final das contas, tudo isso tem um único objetivo: melhorar a qualidade do cuidado e a segurança do paciente”, ressaltou.
Para o superintendente do HC-UFMG, Alexandre Rodrigues Ferreira, esse projeto vem para fortalecer ainda mais o papel da unidade como um hospital universitário 100% SUS, que tem como marca atender pacientes de alta e média complexidade e produzir conhecimento científico por meio do ensino, formação profissional, pesquisa e inovação.

“Em um mundo cada vez mais digital, contar com uma tecnologia como essa traz benefícios que vão muito além da assistência. Os profissionais têm a oportunidade de vivenciar, na prática, um modelo de cuidado que tende a se tornar padrão nos hospitais de alta complexidade e entender que recursos, como a IA, vêm para apoiar a tomada de decisão, e não para substituí-los. Além disso, os dados gerados pela UTI Inteligente poderão subsidiar pesquisas e inovação, inspirando o desenvolvimento de novas soluções para estudantes, residentes e pesquisadores”, disse.

O reitor da UFMG, Alessandro Fernandes Moreira, reforçou as palavras do superintendente ao considerar a inauguração um passo importante para a capacitação, o treinamento e o uso responsável de novas tecnologias. Ele destacou também a trajetória da Faculdade de Medicina no uso da inteligência artificial, por meio do Centro de Inovação em Inteligência Artificial para a Saúde, e observou que “o nosso papel é de fato criar diretrizes e princípios para o uso da inteligência artificial em todos os processos, seja de ensino, de pesquisa, de extensão ou da administração da universidade como um todo”.

Da instalação à capacitação
A UTI e o SAMU Inteligentes são uma iniciativa do MS, em parceira com a HU Brasil, que está alinhada às políticas nacionais de transformação digital do SUS e ao fortalecimento da qualidade assistencial na rede de hospitais universitários federais. Segundo o Ministério, o investimento global para a implantação da solução será de mais de R$ 180 milhões.

O chefe do Setor de Engenharia Clínica do HC-UFMG, Alexandre Peixoto Maia, explicou que, para a central de monitoramento começar a operar, foram adquiridos equipamentos de hardware e um software. Além disso, foram disponibilizados para o hospital 10 novos monitores multiparamétricos e um tablet de administração e configuração. Todo o processo de instalação foi concluído em menos de 30 dias.

Para receber a solução, Maia contou que foram necessárias apenas pequenas adaptações por parte da unidade. O HC-UFMG disponibilizou o espaço físico adequado para a instalação da central de monitorização e viabilizou a conectividade de rede necessária para o funcionamento da solução, incluindo a cobertura de Wi-Fi no hospital.

“Além das adequações estruturais, foi realizado um processo de capacitação das equipes assistenciais e técnicas para utilização da nova plataforma. Os profissionais receberam treinamento sobre as funcionalidades da central de monitoramento, abrangendo desde a visualização e o acompanhamento dos dados clínicos até os procedimentos operacionais necessários para o uso seguro e eficiente da tecnologia”, esclareceu.

Sobre a HU Brasil
O HC-UFMG faz parte da Rede HU Brasil desde dezembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

(Centro de Comunicação do Hospital das Clínicas da UFMG)


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