No dia 10 de junho, foi realizada a webconferência sobre a “Importância da retinografia na Atenção Primária à Saúde (APS)”, promovida pelo Projeto Telenfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG e pelo Núcleo de Telessaúde de Minas Gerais da Faculdade de Medicina da UFMG, sob coordenação da professora Solange Godoy, do Departamento de Enfermagem Básica.
O palestrante foi Alan Cristian Marinho Ferreira, doutor em Saúde Pública pela UFMG e pesquisador com ampla experiência na validação e no uso da retinografia e da Inteligência Artificial para o rastreamento de complicações oculares decorrentes de doenças crônicas no Sistema Único de Saúde.
A conferência abordou o panorama epidemiológico do Diabetes Mellitus no Brasil e o impacto de suas complicações sistêmicas, como a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira evitável. Ao longo da palestra, foram discutidos os desafios da rede secundária, como as longas filas de espera, e a urgência de ampliar a cobertura de exames preventivos. Ele destacou que apenas uma parcela reduzida das Unidades Básicas de Saúde (UBS) dispõe de estratégias estruturadas de rastreio ocular, o que faz com que muitos pacientes aguardem anos até apresentarem sintomas graves.
Ao apresentar evidências sobre a viabilidade de realizar a retinografia na rotina da APS de forma rápida e não invasiva, utilizando retinógrafos portáteis acoplados a smartphones e plataformas de telessaúde, o palestrante sinalizou a simplicidade e efetividade do exame. “O rastreamento com a retinografia é uma das estratégias voltadas para o fortalecimento da atenção primária, sendo que a captura das imagens não exige o uso de colírios para dilatação e pode ser realizada por técnicos de enfermagem e estudantes devidamente capacitados. O exame é altamente sensível e permite a visualização detalhada da retina, nervo óptico, mácula e rede vascular, possibilitando a identificação clínica de microaneurismas, hemorragias e exsudatos (um tipo de líquido que corre nos vasos sanguíneos)”.
O uso de ferramentas de Inteligência Artificial para a triagem inicial foi um dos tópicos abordados pelo conferencista. Segundo ele, a implementação de novas tecnologias permite identificar alterações com alta sensibilidade e encaminhar ao especialista apenas os casos estritamente necessários.”Diante da alta demanda reprimida, o rastreamento anual recomendado deve priorizar inicialmente os pacientes com maior risco clínico, como idosos e indivíduos com múltiplas comorbidades.”
Alan enfatizou, ainda, que a descentralização do exame favorece o cuidado territorializado e o vínculo com a equipe, evitando o deslocamento desnecessário e a fragmentação do acompanhamento do paciente. “A integração da teletriagem consegue resolver e manter a grande maioria dos casos na própria atenção primária, diminuindo drasticamente o tempo de espera para aqueles que apresentam risco iminente de perda visual.” Além disso, foi mencionada a perspectiva promissora de distribuição, pelo Ministério da Saúde, de cerca de 10 mil kits de telessaúde para os municípios, o que facilitará a expansão dessa política preventiva.
O pesquisador destacou que é indispensável aliar inovação tecnológica à resolutividade da APS para garantir diagnósticos precoces, otimizar recursos e preservar a qualidade de vida das pessoas vivendo com diabetes. “A retinografia é central para o rastreamento de retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira evitável. No Brasil, onde a maioria das pessoas depende do Sistema Único de Saúde (SUS) e o acesso ao oftalmologista é limitado, levar esse exame para a Atenção Primária é estratégico e necessário para a integralidade do cuidado.”
A webconferência foi transmitida no canal do Núcleo de Telessaúde de Minas Gerais – UFMG no YouTube.
