Representar elementos simbólicos da cultura indígena, destacando saberes ancestrais, espiritualidade, liderança, a conexão com a natureza e a presença indígena dentro da universidade. Esse é o objetivo da obra “Ancestralidade do cuidado”, uma pintura simbólica realizada no segundo andar da Escola de Enfermagem da UFMG e inaugurada na tarde desta segunda-feira, 25, com a presença das diretoras da Unidade, professores, estudantes, servidores técnico-administrativos e funcionários. A pintura é uma iniciativa do Coletivo dos Estudantes Indígenas da UFMG (COLEI/UFMG), com apoio do projeto de extensão “Parentes na Rede: fortalecimento do cuidado e saúde de estudantes indígenas em Belo Horizonte”, coordenado pela professora Érica Dumont Pena, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública.
Inauguração da pintura “Ancestralidade do cuidado” no segundo andar da EEUFMG
Em discurso realizado durante o evento de inauguração da obra, a professora Sônia Maria Soares, diretora da EEUFMG, agradeceu a oportunidade de presenciar uma conquista conjunta para a comunidade acadêmica e parabenizou a iniciativa dos estudantes. “É uma grande alegria para nós podermos pensar na universidade para todos, abrir os espaços coletivos e trazer a dimensão da cultura indígena para a nossa Escola. Não é apenas a inauguração de uma pintura, mas de tudo aquilo que a arte representa e pode expressar para os nossos estudantes indígenas, seja pela representatividade ou o acolhimento. Que possamos, cada vez mais, institucionalizar propostas que abarcam representações coletivas dos nossos estudantes, dos nossos servidores e dos nossos docentes.”
A professora Érica Dumont enfatizou que a pintura artística no ambiente acadêmico representa a presença de estudantes indígenas na universidade e de todos aqueles que compõem os povos originários e honra a contribuição por eles desenvolvida. “Estamos demarcando a importância da valorização dos saberes tradicionais indígenas no campo da saúde, que são fundamentais para a promoção de um sistema de saúde mais justo e pautado por um cuidado integral. Os conhecimentos ancestrais de pajés, parteiras, rezadeiras e outros agentes tradicionais de cura representam uma contribuição inestimável para os modos de cuidar”.
A professora Érica explica que a pintura traz ao centro a figura de uma parteira, que simboliza a ciência e a sabedoria de cuidado própria de cada povo, além de elementos marcantes para o cuidado indígena, como o cocar e o maraká. “A parteira é aquela que conhece e sabe manusear as ervas medicinais, trazendo consigo a força dos conhecimentos construídos de geração em geração, enquanto a natureza representa a origem da força e do sagrado. Os saberes tradicionais não contribuem apenas para o cuidado dos povos indígenas, mas para a comunidade em geral. A desvalorização desses conhecimentos representa uma perda significativa para a saúde pública e para a valorização da diversidade cultural brasileira”. Ela acrescenta que a conexão dos elementos da pintura fortalece o pertencimento de estudantes indígenas no ambiente institucional.
A aluna do 6º período do curso de Enfermagem, Mihai’wery Pataxó, participou do processo de elaboração e pintura da arte, e destacou a necessidade de representatividade dos povos originários em diferentes contextos. “Esse projeto é um sonho desde que entrei na UFMG, e que conseguimos realizar com o apoio do projeto de extensão. A pintura vem para indigenizar a universidade, para mostrar que existem indígenas presentes no campus e que nós somos livres para ocupar espaços sem deixar de lado quem somos. O respeito se faz necessário, porque a universidade também é um território indígena e a inclusão precisa ser integrada.”
Sobre o projeto Parentes na Rede
Criado em 2023, o projeto “Parentes na Rede: Fortalecimento do Cuidado e Saúde de Estudantes Indígenas em Belo Horizonte” articula um conjunto de atividades de extensão desenvolvidas com e por estudantes indígenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, docentes e discentes da Faculdade de Educação (FAE), da Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), da Escola de Enfermagem.
Professora Érica Dumont com os alunos do projeto de extensão Parentes na Rede
“O projeto tem o objetivo de contribuir para a promoção da saúde de estudantes indígenas em Belo Horizonte, Minas Gerais, a partir do fortalecimento de redes de cuidado, e surgiu da necessidade de fortalecer o acesso dos estudantes indígenas da UFMG à rede de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), durante a permanência na capital mineira. Parte-se do princípio de que o acesso à saúde e à atenção diferenciada, direito dos povos indígenas, é condição fundamental para a garantia de permanência dos estudantes na Universidade”, explicou a professora Érica Dumont.
