Capacitar os profissionais da Saúde para boas práticas de vacinação; refletir sobre estratégias que favoreçam a ampliação de coberturas vacinais nos territórios e acerca da investigação e da identificação de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI). Esses foram os objetivos dos cursos que antecederam o “II Congresso Brasileiro Defesa da Vacinação: a reconquista das altas coberturas vacinais”, realizados nesta terça-feira, 6 de maio, na Escola de Enfermagem da UFMG, com cerca de 200 profissionais de saúde que atuam diretamente com a vacinação.
A mesa de abertura foi composta pela diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Sônia Maria Soares; coordenadora dos cursos junto ao Ministério da Saúde e líder do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação – OPESV- UFMG, professora Fernanda Penido Matozinhos; Coordenador-Geral de Farmacovigilância de Vacinas do Departamento do Programa Nacional de Imunizações da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, representando o Diretor do Programa Nacional de Imunizações, Jadher Pércio; Subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Eduardo Campos Prosdocimi e pela chefe do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Giselle Lima de Freitas.
A coordenadora, professora Fernanda Penido, enfatizou que o congresso exerce uma função social importante da universidade: contribuir para que as pessoas tenham acesso à informação de qualidade. “Essa integração entre academia e serviço é de extrema importância, pois assim conseguimos aprimorar os processos de trabalho e melhorar as boas práticas e as coberturas vacinais. Estamos muito felizes pelo fato destes cursos, apoiados pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado de Saúde, acontecerem exatamente aqui na nossa Escola de Enfermagem da UFMG”.
Mesa de abertura dos cursos
Jadher Pércio destacou que essas iniciativas são fundamentais para fortalecer o SUS e reconquistar as elevadas coberturas vacinais no Brasil. “A confiança nas vacinas é um dos pilares fundamentais do Programa Nacional de Imunizações. Quando as pessoas deixam de confiar nas vacinas, elas deixam de se vacinar e se colocam sob risco de adquirir doenças e reintroduzir no país aquelas doenças que já foram eliminadas graças às vacinas. Iniciativas como essa, do congresso, são fundamentais para aumentarmos o número de profissionais capacitados e seguros para orientar a população e assim aumentar a confiança nas vacinas.
A diretora da EEUFMG, professora Sônia Soares, ressaltou a importância do congresso e do processo que a escola e essa universidade vêm desenvolvendo em relação à temática das vacinação. “Demos um passo muito importante nesse protagonismo de pesquisa, de atividades de extensão e até mesmo fortalecendo também o ensino por meio desses cursos que vocês vão ter oportunidade de participar aqui hoje. Estarmos aqui, mais uma vez, defendendo a ciência, o nosso Sistema Único de Saúde e como nós podemos nesse engajamento de forças e de coletivo trazer os resultados e os indicadores que o nosso país necessita em prol da vacina”.
Eduardo Prosdocimi pontuou sobre a importância da parceria com a Escola de Enfermagem desde 2021 em prol de retomar as coberturas vacinais. “Estou aqui muito alegre, vejo esse auditório com pessoas com os olhos brilhando para fazermos juntos um grande movimento. Teremos a oportunidade de trocar experiências e falar de várias situações interessantes. Que sejamos verdadeiramente multiplicadores. Todo mundo aqui sabe que a vacina salva vidas, mas tem gente lá fora que não sabe. E essas pessoas precisam da nossa informação. Tenho certeza que nós vamos virar esse jogo, já estamos virando. Nós faremos ser possível novamente, graças ao trabalho de cada um que está aqui neste evento”.
A professora Giselle Freitas relatou que este é um tema que mudou a história da saúde pública ao mudar o curso de doenças, reduzir o número de mortes e o sofrimento humano. “Precisamos trazer à tona esse movimento de reconquista de coberturas vacinais e é nesse sentido que eu parabenizo toda a equipe do OPESV pela organização deste congresso. É importante ver esse acolhimento de vocês aqui e essa estratégia que o Congresso permite de diálogo entre nós, da academia, e entre o serviço, que é quem lá no território pode mudar essa realidade. Para nós, do EMI, é muito gratificante ser a casa do OPESV, porque as nossas disciplinas e as nossas linhas de pesquisa têm uma ligação com a vacinação. É um tema transversal, pois trabalhamos com crianças, jovens, adolescentes, mulheres, homens, adultos e reconhecemos a vacinação como um bem público e a garantia do cuidado coletivo”.
Atividade em grupo do curso ESAVI: Investigação e avaliação de causalidade
Os cursos que foram realizados durante todo o dia abordaram os temas: “Boas práticas de vacinação”; “Estratégias de mobilização e comunicação social na Imunização”; “ESAVI: Investigação e avaliação de causalidade”, e “Análise de sistemas de informação”. Eles tiveram como objetivos apresentar as atualizações dos calendários de vacinação da criança, do adolescente, do adulto, do idoso e da gestante nos sistemas público e privado; atualizar as técnicas de administração de vacinas; métodos não farmacológicos de alívio da dor durante a vacinação. Além disso, forneceram ferramentas para apoiar a comunicação eficaz entre o trabalhador da saúde e a população em geral, com o objetivo de fortalecer, manter ou recuperar a confiança nas vacinas e nos programas de imunização no país e promover a detecção, notificação, investigação, compreensão, comunicação e a prevenção de questões relacionadas à segurança da vacinação no Brasil.
Halice Figueiredo, Coordenadora Estadual de Imunização do Maranhão participou do curso sobre boas práticas de vacinação e afirmou que pretende replicar o que aprendeu para sua equipe. O estado de Minas é referência de vacinação no nosso país. Então, vim buscar essas informações, tudo aquilo que Minas tem vivenciado, as suas experiências, isso só reforça esse desejo que temos de fazer do nosso estado uma referência no nosso país em relação a essa temática de melhorar as nossas coberturas vacinais e proteger a nossa população contra doenças imunopreveníveis. Para os próximos, tenho a expectativa de trazer também a minha equipe, com certeza sairei com uma bagagem muito melhor para multiplicar no estado do Maranhão”, comemorou.
