Teresa Gontijo de Castro, ex-professora da Escola de Enfermagem da UFMG e pesquisadora da Universidade de Auckland desde 2015, atuou como professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde entre os dias 7 e 11 de abril. Sua visita foi financiada pelo “Global Research Engament Fund” da Universidade de Auckland, Nova Zelândia. No dia 10 de abril, a professora ministrou a palestra “Nutrição da população e ambientes alimentares na Nova Zelândia: resultados de pesquisas e percepções”. O objetivo foi apresentar e refletir com os professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação sobre as pesquisas que vem conduzindo na Nova Zelândia acerca dos indicadores de dietas, nutrição infantil e a saludabilidade do ambientes alimentares.
Em sua palestra, a professora chamou atenção para a realidade da Nova Zelândia no âmbito do monitoramento nutricional da população. Ela afirmou que mesmo com indicadores preocupantes relacionados à obesidade infantil, insegurança alimentar e aleitamento materno, ha uma limitação de dado nacional disponível e também ha um déficit analítico que permita que a informação seja desagregada e monitorada de acordo com indicadores sociodemográficos importantes tais como a idade,etnia e posição socioeconômica. Isto impacta em dificuldades de realização de um monitoramento nutricional e alimentar detalhado dos diferentes subgrupos populacionais, restringindo ações voltadas a melhorias alimentares e a redução da iniquidades de nutrição e saúde.
Professora Teresa Gontijo
“Sabemos que o que acontece nos primeiros 1000 dias de vida impactam ao longo do ciclo da vida.Na Nova Zelândia, a prevalência de obesidade infantil e muito alta e as crianças têm exposição muito cedo e alta a alimentos com alto conteúdo de energia, sal, açúcar e gorduras saturadas, tais como batata frita, refrigerante, carnes embutidas entre outros e pouca exposição à frutas e verduras. A professora, junto ao grupo da Universidade de Auckland e colaboradores do NUPENS-USP esta trabalhando na primeira informação sobre compra de alimentos ultraprocessados pelos domicílios no pais, e os resultados serão publicados nos próximos meses. Crianças expostas a um padrão de alimentação não saudável e obesogênica no inicio da vida tendem a permanecer em trajetórias de ingestão alimentar não saudável ao longo da vida, aumento o risco de doenças cronicas e redução da qualidade de vida.
Em busca de uma melhor compreensão do cenário alimentar no país, a professora Teresa Gontijo direciona suas pesquisas ao alavancamento de uso de dados em nutrição infantil e juvenil, buscando o preenchimento de algumas lacunas históricas de indicadores de dieta e praticas alimentares. Ela também se dedica a estudos que monitoram a saludabilidade dos ambientes alimentares no pais, especialmente os ambientes em torno das crianças/jovens. “Como foco maior estou envolvida em pesquisas para subsidiar informação para prevenção da obesidade infantil. Como epidemiologista nutricional, gosto de trabalhar com dados de populações. Como sabemos, existem vários fatores de risco para obesidade, então eu foco muito na relação entre o aleitamento materno e a qualidade de dieta nos primeiros anos de vida e sua importância para contribuição as trajetórias de saúde e bem estar ao longo da vida.
Para além das discussões envolvendo o contexto alimentar e nutricional neozelandês, a professora Teresa abriu um espaço para comentar sobre a importância da internacionalização e como é possível ser útil fora do Brasil. No campo das pesquisas e politicas de alimentação e nutrição o Brasil tem várias estratégias que são consideradas referencias para o mundo. O mundo está olhando para cá, tentando entender como esse país enorme e complicado consegue por exemplo manter e ampliar o programa de alimentação escolar, produzir dados nacionais de tendencias da alimentação e do estado nutricional da população e implementar as diretrizes do guia alimentar dentro das diversas politicas e esferas administrativas ”.
Ela conclui exemplificando como a Universidade de Auckland trabalha em torno da internacionalização, recebendo pesquisadores de todo o mundo e de diferentes contextos. Estas experiências somam as nossas pesquisas locais, mas também geram conhecimento próprio de uma nova forma de trabalhar e compreender as questões de pesquisa que sao relevantes no contexto mundial.
Para finalizar, a professora Teresa abriu um espaço de diálogo entre os alunos e professores onde foram discutidas as formas de pesquisas comparadas a Nova Zelândia e Brasil, metodologias, possibilidades e trocas culturais.
