Pesquisa aponta desigualdades no controle e conscientização da hipertensão arterial dos brasileiros


Três em cada dez brasileiros com 18 anos ou mais têm hipertensão arterial (32,3%), popularmente conhecida como pressão alta. Um pouco mais da metade dessa população tem conhecimento do diagnóstico (60,8%). Entretanto, apesar de quase a totalidade com diagnóstico estar em tratamento medicamentoso (90,6%), somente a metade desses tem a pressão controlada (54,4%), com piores resultados em indivíduos com menor escolaridade e sem plano de saúde. É o que constata estudo recém-publicado por pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG.

O estudo é fruto do mestrado da pesquisadora Maria Alice Souza Vieira no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG, sob coordenação dos professores Jorge Gustavo Velásquez Meléndez e Mariana Santos Felisbino Mendes. Foi realizado de forma transversal a partir da análise de dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) com cerca de 59 mil adultos brasileiros. A coleta de dados ocorreu por meio de questionários que investigaram sobre condições socioeconômicas e de saúde, também com a realização de medidas de peso, altura, circunferência da cintura e aferição da pressão arterial dos participantes. Foram observadas variações significativas por idade, sexo, escolaridade, raça/cor, estado civil, plano de saúde e região.

Somente a metade dos brasileiros tem a pressão controlada

A população do estudo foi composta majoritariamente por mulheres (52,3%), com idade entre 36 e 59 anos (42,6%), de raça/cor branca (47,5%) e com baixa escolaridade (49,1%). A maior concentração de participantes está na região Sudeste (43,9%), moradoras de áreas urbanas (86,2%) e que vivem com sem plano de saúde (69,7%). Além da alta prevalência da hipertensão (32,3%) em adultos maiores de 18 anos, a pesquisa revelou que o maior índice de desconhecimento do diagnóstico ocorre por parte dos homens (50,5%), jovens de 18 a 35 anos (28,3%), pessoas com companheiro (56,6%), moradores de áreas rurais (54,9%) e aqueles sem plano de saúde (58,9%).

O relato de tratamento medicamentoso foi alto, atingindo 90,6% dos diagnosticados, no entanto, grupos como homens (85,9%) e pessoas mais jovens (74,4%) apresentaram menor prevalência do uso da medicação. A análise também indicou que apenas 54,4% dos hipertensos em tratamento possuem a pressão arterial controlada, os com baixa escolaridade (51,7%) e sem plano de saúde (52%) têm menor prevalência no controle da pressão.

A egressa do Programa de Pós-graduação em Enfermagem destaca que mesmo no contexto de amplo acesso à medicação, o controle da hipertensão foi menor do que o esperado. “Outras estratégias para melhor controle da HA devem ser levadas em consideração, incluindo a adesão ao tratamento. Por exemplo, a vinculação e responsabilização tanto do profissional quanto do usuário são elementos necessários para garantir a longitudinalidade do cuidado. Ações educativas poderiam ser uma estratégia de vinculação, mas são pouco valorizadas e têm baixa frequência. Além disso, o estabelecimento de medidas não farmacológicas é crucial para o controle da hipertensão como intervenções coadjuvantes ao tratamento medicamentoso, tais como a redução da ingestão de sódio, atividade física regular, cessação do tabagismo e controle do peso devem ser considerados”, orienta Maria Alice.

A pesquisadora destaca a necessidade de políticas públicas voltadas para grupos mais vulneráveis. “Embora uma alta porcentagem de pacientes hipertensos esteja tomando medicamentos, ainda há lacunas substanciais na conscientização e controle, particularmente entre certos grupos sociodemográficos. Esses achados destacam a presença de desigualdades socioeconômicas e demográficas no controle da hipertensão, destacando a necessidade de políticas e intervenções de saúde direcionadas. Priorizar esses grupos vulneráveis ​​pode melhorar o gerenciamento geral da hipertensão e reduzir um dos principais fatores de risco cardiovascular, abordando as disparidades nos resultados de saúde em todo o Brasil”.

 


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