EEUFMG firma parceria com Ministério da Saúde para curso de especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne


A Escola de Enfermagem da UFMG firmou parceria com o Ministério da Saúde para a realização do Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne. A iniciativa visa qualificar 585 enfermeiras obstétricas para atuação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, inicialmente. O lançamento do edital está previsto para o segundo semestre deste ano.

A Rede Alyne, lançada em 2024, substitui a Rede Cegonha e tem como objetivo ampliar o acesso das mulheres a cuidados obstétricos humanizados e de excelência, contribuindo para redução da mortalidade materna. Alinhado a essa proposta, o curso de especialização busca expandir e fortalecer a atuação de enfermeiras obstétricas no Sistema Único de Saúde (SUS), com base nos princípios da descentralização e regionalização, fortalecimento da enfermagem no SUS, qualificação do cuidado, integração ensino-serviço, formação-intervenção, equidade, direitos reprodutivos e combate às violências estruturais.

Laerge Thadeu Cerqueira da Silva, representante da Coordenação-Geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES/SGETES) do Ministério da Saúde, destacou a importância da parceria: “A UFMG tem histórico de atuação sólida na formação em enfermagem obstétrica. O Ministério da Saúde reconhece essa expertise e a importância da contribuição da universidade nesse processo formativo”.

Diretoras, coordenadoras do curso, professores da EEUFMG e equipe do Ministério da Saúde

A professora Kleyde Ventura de Souza, coordenadora do curso e docente do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EEUFMG, ressaltou os desafios da formação em contextos marcados por vazios assistenciais. “Nosso objetivo é fortalecer a formação de enfermeiras visando um cuidado qualificado, seguro, humanizado e alinhado às expectativas das mulheres e suas famílias. Almejamos que este curso seja uma das linhas de força instituinte da necessária e urgente reforma obstétrica no Brasil, assim como outras reformas históricas no campo da saúde”.

Segundo a coordenadora, a formação contará com parcerias consolidadas em experiências multicêntricas, envolvendo Instituições de Ensino Superior (IES), entidades da enfermagem obstétrica como a ABENFO Nacional, o Sistema COFEn-Conselhos Regionais de Enfermagem, entre outras instituições, além de serviços de saúde.

Estrutura do curso
A especialização será presencial, com duração de 16 meses e carga horária total de 720 horas, incluindo atividades teóricas, teórico-práticas e práticas de campo. A estrutura curricular está organizada em torno de eixos temáticos como políticas públicas de saúde da mulher, saúde sexual e reprodutiva, e assistência obstétrica e neonatal. A proposta metodológica apoia-se na articulação entre formação, intervenção e avaliação.

“A enfermagem está aqui compreendida dentro de uma lógica ampliada de trabalho em equipe, voltada à transformação dos modos de cuidar, gerir e formar. Com isso, buscamos garantir um atendimento seguro, inclusivo, equitativo, baseado em evidências e no respeito aos direitos das mulheres e das crianças”, reforçou a professora Kleyde.

Homenagem
O nome da Rede homenageia Alyne Pimentel, mulher negra e de origem popular, que morreu grávida de seis meses por desassistência em Belford Roxo (RJ), em 2002. O caso tornou o Brasil o primeiro país condenado por uma corte internacional por morte materna evitável, reconhecida como violação dos direitos humanos das mulheres a uma maternidade segura.


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