Pesquisa aponta que mais de 95% das faculdades de BH estão em áreas com alta concentração de venda de ultraprocessados


Pesquisa inédita sobre o ambiente alimentar de varejo no entorno de instituições de ensino superior (IES) públicas e privadas de Belo Horizonte, recém-publicada, aponta dado alarmante: cerca de 95% estão localizadas em áreas que podem predispor o público universitário a escolhas alimentares baseadas no consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas. A maioria desses estabelecimentos estão localizados no entorno das IES privadas e em áreas de maior renda.

O estudo, fruto do trabalho de mestrado de Larissa Ananda da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da EEUFMG, foi orientado e coordenado pela professora Larissa Loures Mendes, da Escola de Enfermagem da UFMG, e Thales Rodrigues da Silva, pesquisador da EEUFMG e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foram avaliadas 81 unidades de IES com ensino presencial, considerando apenas os dados de estabelecimentos de aquisição de alimentos para consumo imediato, como: bares, restaurantes, padarias, lanchonetes, mercearias, varejistas de doces, serviços ambulantes, supermercados e hipermercados.

A professora Larissa explica que no contexto do Ambiente Alimentar Universitário (AAU), o ambiente interno e externo são fundamentais para a alimentação desta população acadêmica, sendo importante nestes locais a análise de pântanos alimentares, que o estudo define como “vizinhanças onde há grande concentração de estabelecimentos que comercializam alimentos altamente calóricos e não saudáveis”.

O público universitário está predisposto a escolhas alimentares baseadas no consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas. Foto: Banco de imagens/ Freepik

“Neste contexto, os jovens adultos na universidade não consomem, em sua maioria, vegetais com a frequência recomendada pela Organização Mundial da Saúde, nem em quantidades suficientes. Entre os universitários brasileiros, é destaque o alto consumo de fast foods, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e doces”, afirmou a professora.

Os resultados apontaram que em 98,7% existia ao menos um estabelecimento com venda de alimentos para o consumo imediato, com destaque para a presença de restaurantes (98,76%), lanchonetes (97,53%) e ambulantes (96,29%).

A professora também chama atenção para os riscos de excesso de peso, obesidade, ou de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) que podem surgir em detrimento de uma má alimentação. “Os achados deste estudo apontaram ainda a presença de pelo menos um bar no entorno de mais de 90% das IES, além de ser uma categoria frequente nos buffers avaliados. Por se tratar de um tipo de estabelecimento com oferta predominante de alimentos e bebidas não saudáveis, como ultraprocessados e bebidas alcoólicas, sua elevada disponibilidade e proximidade das IES requer cautela, visto que tanto o consumo alimentar inadequado com ultraprocessados como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são considerados como fatores de risco para as DCNT”, destacou a professora.

Larissa Loures conclui que apesar do foco deste estudo ser o ambiente alimentar do entorno das IES, considera-se que seus resultados evidenciam a importância de se implementar políticas de alimentação e nutrição à nível institucional, além de projetos de pesquisa e extensão sobre o tema. “Garantir um ambiente alimentar interno mais saudável pode desestimular a busca de alimentos e refeições no entorno das IES”, enfatizou.


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