Na última quinta-feira, 16 de janeiro, o professor da Escola de Enfermagem da UFMG, coordenador da REDE-HANS/MG e Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hanseníase (NEPHANS) da UFMG, Francisco Lana,concedeu entrevista para o programa Conexões da Rádio UFMG Educativa.
O especialista alertou para a prevenção e conscientização sobre o diagnóstico precoce e tratamento da hanseníase, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essas medidas podem levar à cura da doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, o mundo registrou 174.087 novos casos de hanseníase, o que resultou em uma taxa de detecção de 21,8 casos por um milhão de habitantes. Índia, Brasil e Indonésia foram os países com os maiores números de casos novos, cada um ultrapassando a marca de 10 mil registros. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teve quase 19,5 mil casos novos de hanseníase em 2024, 8,6% a menos do que em 2023.
Prevenção e estigma
O professor Francisco destacou que a hanseníase é uma doença infecciosa e transmissível, mas que tem cura. O tratamento é gratuito e realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Essa doença causa, além das incapacidades físicas decorrentes dela, muito estigma, preconceito e descriminação, principalmente decorrentes das incapacidades físicas que gera, mas também pela sua história milenar dos tempos bíblicos em que a doença acontecia por algum ato impuro, por um pecado das pessoas”, destacou o líder do NEPHANS.
Com ênfase no diagnóstico e tratamento precoce, ele chama atenção para os principais sintomas da doença, causada por uma micobactéria: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade térmica, seja frio, calor, tátil e também a dor. “Porém, pode também ocorrer outros sintomas como sensação de choque, formigamento, fisgadas, agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, há, ainda, uma diminuição da sensibilidade e da força muscular, da face, mãos, pés devido a inflamações dos nervos e pode causar febre, edemas e dor nas articulações”, alertou.
O professor enfatizou que são sintomas que, muitas vezes, diagnosticados com conhecimento não vão levar a nenhum agravamento do ponto de vista de incapacidade. A principal medida de prevenção é o diagnóstico precoce, que pode ser feito em qualquer unidade do Sistema Único de Saúde, que tenha profissionais capacitados para realizar esse diagnóstico. A vacinação também está indicada nos casos das pessoas que tiveram contato domiciliar com quem foi diagnosticado com essa doença”, destacou o especialista.
O tratamento, conforme ressaltou Francisco Lana, pode durar de 6 a 12 meses dependendo da forma clínica da doença. “A micobactéria pode causar infecções nas pessoas, mas não necessariamente doenças, 90% da população é resistente e as pessoas tratadas, na primeira dose da medicação, já não transmitem mais para as demais pessoas. A transmissão, para ocorrer, tem ue ter um contato íntimo e prolongado”.
O professor destacou a importância do serviço de saúde estar preparado para realizar o diagnóstico e tratamento o mais precoce possível e que a enfermagem, enquanto profissão e prática social, tem muito a contribuir para o desenvolvimento das ações de controle, educação para a saúde, orientação das pessoas, prevenção de incapacidades, visitas domiciliares, apoio e orientações em relação de como observar essas manchas e outros cuidados.
Janeiro roxo
Este mês, conhecido como janeiro roxo, foi instituído pelo Ministério da Saúde para conscientizar a sociedade sobre a doença, formas de enfrentamento e como a sociedade pode trabalhar no sentido de apoiar os direitos humanos e a cidadania das pessoas que foram atingidas.
