Nos dias 25 e 26 de novembro, o Campus Pampulha da UFMG recebeu centenas de pessoas para o VII Fórum Internacional sobre segurança do paciente: erros de medicação; II Simpósio de tecnologia e o uso de seguro de medicamentos e I Simpósio sobre o uso seguro de medicamentos na Atenção Primária e Secundária a Saúde.
Os eventos foram organizados pelo Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP) Brasil, que tem como vice-presidente a professora Flávia Latini, do Departamento de Enfermagem Básica da Escola de Enfermagem da UFMG. Ela enfatizou que o evento deste ano é muito importante para os profissionais de saúde, para os gestores, mas principalmente para o paciente que está no final do processo. “Contamos com convidados da OPAS, do Ministério da Saúde, das sociedades brasileiras de anestesiologia, segurança do paciente, Medicina, Farmácia, da Enfermagem e com a participação de referências no Brasil e mundo para o tema segurança do paciente”.
Os objetivos do fórum internacional e simpósio de tecnologia foram divulgar iniciativas que contribuam para a prevenção dos erros de medicação e aprofundar debates sobre o uso da tecnologia, questão que vem mobilizando profissionais, gestores e a sociedade nas práticas diárias relacionadas aos processos de trabalho, à segurança e ao cuidado do paciente. Já no I Simpósio sobre o uso seguro de medicamentos na Atenção Primária e Secundária a Saúde, foram discutidos temas pela primeira vez no Brasil, a prevenção de erros de medicação para este importante contexto em saúde, no qual estima-se que a maioria dos eventos adversos relacionados a medicamentos ocorra.
Durante a mesa de abertura do VII Fórum internacional, o presidente do ISM Mário Borges agradeceu a presença dos participantes e ressaltou o compromisso com o trabalho. “Nós entendemos a importância do uso seguro de medicamentos, trabalhamos esses espaços para propagar a evidência do tema, faremos valer o bem dos nossos pacientes, não é fácil, mas continuamos trabalhando na melhoria da nossa área”, enfatizou.
Mesa de abertura do fórum
O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, ministrou uma palestra on-line sobre “Saúde nas Américas: qualidade e segurança”. Ele destacou o trabalho do ISMP como fundamental e alinhado à OPAS. “Promover a partilha de conhecimentos e reforçar as capacidades institucionais são vitais para melhorar as práticas de saúde e segurança dos pacientes, o acesso equitativo a tecnologias de saúde eficazes, seguras, de alta qualidade e acessíveis são o alicerce da OPAS. Garantir esse acesso e priorizar a segurança do paciente é crucial para promover os princípios fundamentais da cobertura universal de saúde”.
Atenção Primária e Secundária à saúde
Durante a abertura do I Simpósio sobre o uso seguro de medicamentos na Atenção Primária e Secundária a Saúde, a professora Flávia Latini destacou que este momento não é apenas uma oportunidade de diálogo, mas também um marco inédito e essencial para a promoção de práticas mais seguras na saúde pública brasileira e internacional. “Realizar este simpósio no contexto do VII Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente reforça o compromisso com a proteção e cuidado integral às pessoas. A segurança do paciente não se limita às práticas hospitalares e sim se faz presente, e de forma urgente, na atenção primária e secundária, onde grande parte da população inicia ou mantém seu tratamento medicamentoso”.
A professora Fernanda Penido Matozinhos, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EEUFMG, ministrou palestra sobre “Segurança no uso de vacinas”. Ela enfatizou que a vacinação previne milhões de óbitos infantis mundialmente, pontuou sobre a confiabilidade de vacinas e sobre a onda crescente de desinformação acerca do tema e das fake news.
Palestra da professora Fernanda Penido
A professora comentou, ainda, sobre a implementação dos protocolos de segurança do paciente. “O Ministério da Saúde considera prioritária a prevenção de erros de imunização para garantir a proteção da população, evitar comprometer campanhas e manter a confiança dos envolvidos”.
De acordo com Fernanda, o gestor local tem papel fundamental no processo de consolidação da segurança do paciente nos serviços de saúde. “As ações do gestor devem priorizar a segurança do paciente, contemplando-a no planejamento local e promovendo meios para sua realização”.
Sobre a contribuição para a confiança nas vacinas, a professora pontuou questões importantes para os profissionais: ser simples, firme, focar apenas nos fatos, não discutir, ser transparente, começar cedo, demonstrar interesse, ser honesto, contar histórias, abordar a dor e mostrar os riscos da não-vacinação. “Nós não estaríamos aqui, saudáveis, se não fossem as vacinas, que são uma tecnologia importante para a prevenção de várias doenças. Muitas são as doenças eliminadas e controladas graças a vacinação, mas, muitas pessoas motivadas pela desinformação e pelas fake news, não atualizam suas cadernetas. Por isso, é importante que a informação de que as vacinas são seguras e que passam por testes pré-clínicos e clínicos que garantem sua eficácia e segurança antes de serem disponibilizadas chegue até as pessoas”, concluiu a professora Fernanda.
Premiação
Foi realizada, ainda, uma premiação para as experiências exitosas em segurança do paciente na Atenção Primária e Secundária, sob coordenação da professora Flávia Latini. O primeiro lugar foi conquistado pelo projeto “A reorganização da assistência de Enfermagem ao diabético na APS, após a pandemia de Covid-19: relato de experiência”, de uma equipe de enfermeiras do Centro de Saúde de São Marcos, realizado em parceria com os acadêmicos do Internato Rural do curso de graduação em Enfermagem da EEUFMG, coordenados pelas professoras Alexandra Dias Moreira D’Assunção e Flávia Latini.
A enfermeira Luciana Coimbra, que foi receber o prêmio, ressaltou que o projeto surgiu da demanda assistencial reprimida por causa da pandemia e decorreu com a oferta de consultas de enfermagem a partir de um diagnóstico clínico e laboratorial e da priorização dos pacientes que mais possuíam necessidade de atenção. “Nas consultas ofertadas foi percebido três diagnósticos prevalentes sendo indisposição para melhora do autocuidado pelo paciente, um déficit alimentar e um déficit medicamentoso. O estudo concluiu que a essas consultas de enfermagem otimizaram o acesso aos serviços de saúde e a sistematização da assistência de enfermagem, conseguiu contemplar e estimular o autocuidado e monitorização dos riscos inerentes aos pacientes devido ao diabetes”.
A professora Flávia e a enfermeira Luciana durante a premiação
“Foi uma honra representar a equipe de enfermeiras e acadêmicos com esse projeto hoje, consegui compreender que o serviço e a assistência são produtores de conhecimento e também podem contribuir com um evento dessa magnitude”, destacou Luciana.
A programação do primeiro dia de evento contou com diversas outras atividades. A palestra “Segurança no uso de medicamentos na Comunidade Europeia e em Portugal”, ministrada pela representante da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, Renata Barbosa, trabalhou práticas do trabalho e abordagens na europa. Além disso, foram realizados simpósios Satélites e ocorreram discussões sobre tecnologia, transformação digital na saúde, segurança do paciente na terapia infusional, inteligência artificial, entre outros.
Já no segundo dia, foram realizadas discussões envolvendo cultura de segurança, comportamento profissional e Burnout; melhoria da experiência do paciente; relatos de profissionais de saúde na posição de pacientes; desenvolvimento e validação de Instrumento para avaliação da gravidade de erros de administração de medicamentos; entre outros. O Oficial Técnico em acesso a tecnologias em saúde no Departamento de Inovação e Acesso a Medicamentos e Tecnologias em Saúde (IMT) da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – Washington, Murilo Freitas Dias, abordou o tema “Sistema de Gestão da Qualidade para aprimoramento da atuação regulatória”. Representantes do Ministério da Saúde e ANVISA abordaram sobre as novidades de rotulagem de medição e o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Na sessão de premiação de resumos submetidos ao VII Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente: erros de medicação e II Simpósio de tecnologia e o usos seguro de medicamentos, o enfermeiro Fagner de Souza Braga, recém-formado do curso de graduação em Enfermagem, recebeu menção honrosa por seu trabalho “Conhecimento da enfermagem sobre hemotransfusão: estudo transversal em um hospital de ensino”. O trabalho foi elaborado em parceria com o também recém- formado Pascoal Joaquim De Paula Neto, e orientado pela docente do ENB, professora Aldenora Laísa Paiva De Carvalho Cordeiro. O trabalho “Interrupções no trabalho do enfermeiro e suas interferências na segurança do paciente”, de autoria das enfermeiras Diene Inês Carvalho Moretão e Ana Carolina de Oliveira Paiva, e orientado pela professora aposentada Marília Alves, foi premiado em 3º lugar.
