
Quatro projetos de pesquisa coordenados pelas professoras da Escola de Enfermagem da UFMG Adaliene Versiani Ferreira, Eline Lima Borges, Luciana Regina Ferreira da Mata e Milene Cristine Pessoa foram aprovados na Chamada 01/2026 – Demanda Universal, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Com investimento total de R$ 105 milhões, a chamada é a maior já realizada pela instituição e contempla pesquisadores vinculados a instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) de Minas Gerais, com prazo de execução de 36 meses. A iniciativa tem como objetivo estimular a pluralidade e a diversidade da pesquisa científica e tecnológica nas diversas áreas do conhecimento.
Na categoria A, foram contemplados os projetos das professoras Eline Borges, “Redistribuição da pressão de interface em neonatos sobre superfícies de suporte: estudo experimental controlado crossover”, com R$93.674,69 e da professora Milene Pessoa, “Avaliação e monitoramento de cozinhas comunitárias em Contagem (MG): acesso, efetividade, território e indicadores de gestão”, com R$97.244,08.
O estudo coordenado pela professora Eline tem como objetivo avaliar o desempenho comparativo de três superfícies de suporte na redistribuição da pressão de interface em modelo experimental neonatal. Trata-se de estudo experimental não clínico, controlado, com delineamento crossover e medidas repetidas, a ser conduzido no LABTEC C-CORE/UFMG. “A proposta apresenta relevância científica, clínica e translacional, com potencial de impacto na segurança do paciente e na inovação em saúde. Adicionalmente, o projeto apresenta potencial de desdobramentos relevantes, incluindo a realização de estudos clínicos subsequentes, desenvolvimento de protocolos assistenciais e contribuição para processos de avaliação e incorporação de tecnologias em saúde. Os resultados poderão subsidiar decisões em diferentes níveis, desde a prática clínica até a gestão de recursos em instituições de saúde”, explicou Eline.
A pesquisa coordenada pela professora Milene tem como objetivo avaliar as cozinhas comunitárias do município de Contagem quanto ao acesso, à efetividade e à distribuição territorial, considerando sua contribuição para o enfrentamento da insegurança alimentar e nutricional. A pesquisa buscará conhecer o perfil dos usuários, seus níveis de insegurança alimentar e padrões de consumo alimentar, a forma de utilização das cozinhas e a satisfação com os serviços oferecidos. Também será analisada a distribuição desses equipamentos no território e sua relação com a vulnerabilidade social e com as características do ambiente alimentar, permitindo identificar possíveis desigualdades no acesso. “Além disso, o projeto irá aplicar e testar um sistema de indicadores de Segurança Alimentar e Nutricional adaptado ao contexto das cozinhas comunitárias de Contagem. A proposta é produzir informações e ferramentas que possam apoiar o monitoramento e a avaliação desses equipamentos pela gestão municipal, contribuindo para o planejamento, a tomada de decisões e o aprimoramento das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional”.
Já na categoria B, foram contemplados os projetos das professoras Adaliene Versiani “Impacto da restrição calórica e da alimentação com restrição de tempo na regulação da flexibilidade metabólica e inflamatória em mulheres com obesidade: um estudo longitudinal de 12 Meses”, com R$ 406.731,60 e da professora Luciana da Mata “Integração de Inteligência Artificial Generativa e Dashboard Interativo à Plataforma mHealth, com R$296.658,00.
O projeto coordenado pela professora Adaliene conta com a expertise de pesquisadores de Minas Gerais (UFMG, CEFET e UNIFAL), em parceria com a Sorbonne Université (França), propõe investigar adaptações sistêmicas e celulares em resposta à perda de peso por meio de dois tratamentos dietéticos. “Dois eixos serão desenvolvidos para determinar a eficiência do protocolo proposto para a avaliação da inflexibilidade de mulheres com excesso de peso e ampliar a compreensão de aspectos relacionados a essa rigidez orgânica e avaliar se esses processos são reversíveis”.
O projeto da professora Luciana, tem como objetivo aprimorar a plataforma de saúde móvel IUProst®, desenvolvida para apoiar a reabilitação de homens com incontinência urinária após a cirurgia para o tratamento do câncer de próstata. A proposta prevê a incorporação de recursos de Inteligência Artificial Generativa e o desenvolvimento de um dashboard interativo, possibilitando organizar e visualizar informações relacionadas ao processo de reabilitação e ao uso da tecnologia. “A integração desses recursos busca ampliar o suporte aos usuários e favorecer um acompanhamento mais individualizado, a partir de informações clínicas, comportamentais e de utilização da plataforma. O projeto também contempla a avaliação dos novos recursos quanto à qualidade, usabilidade e aceitabilidade, contribuindo para o avanço de soluções digitais orientadas por dados na reabilitação após o câncer de próstata”, destacou a professora Luciana.
