Segurança do paciente e uso seguro de medicamentos são abordados em fórum internacional e simpósios


Nos dias 23 e 24 de julho, o campus Pampulha da UFMG recebeu pesquisadores, docentes, profissionais de saúde e estudantes para o VIII Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente, II Simpósio sobre Segurança do Paciente na Atenção Primária e Secundária à Saúde e I Simpósio sobre Uso Seguro de Medicamentos em Oncologia. Realizados de maneira simultânea e voltados para a promoção do cuidado seguro multiprofissional, os eventos foram promovidos pelo Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP Brasil), em parceria com a Escola de Enfermagem e a Faculdade de Farmácia da UFMG.

O professor Jorge Gustavo Velásquez, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EEUFMG, esteve à frente da Comissão Organizadora do evento, juntamente ao presidente do ISMP Brasil, Mário Borges Rosa, e o Secretário Executivo do ISMP Brasil, Leonardo Augusto Kister de Toledo. A professora Flávia Latini, do Departamento de Enfermagem Básica, participou da Comissão Organizadora e da Comissão de Trabalhos Científicos. Também houve apresentação de trabalhos dos professores Assis do Carmo Pereira Junior e Elen Cristiane Gandra, do Departamento de Enfermagem Básica da Escola de Enfermagem da UFMG, e de vários estudantes.

Mesa de abertura do evento

Em discurso durante a mesa de abertura, a diretora da Escola de Enfermagem da UFMG, professora Sônia Maria Soares, que representou o reitor da UFMG, professor Alessandro Fernandes Moreira, reiterou o papel estratégico da universidade pública na transformação do conhecimento científico em políticas que humanizem o cuidado e integrem diferentes saberes profissionais. “É justamente no encontro entre ensino, pesquisa, extensão e serviços de saúde que reafirmamos o nosso papel enquanto universidade, sempre em construção de soluções para os desafios contemporâneos da sociedade. Essa parceria representa a essência do cuidado em saúde, pautada pelo trabalho interprofissional que traz diferentes saberes e a busca permanente pela assistência.”

O presidente do ISMP Brasil, Mário Borges Rosa, discursou sobre a necessidade de consolidação da assistência à saúde baseada em evidências, focando no aprimoramento constante dos processos de trabalho para garantir a proteção tanto dos pacientes, quanto dos profissionais. “Há 20 anos, ousamos acreditar que era possível transformar a maneira como o Brasil compreende os erros relacionados a medicamentos, materiais médicos e equipamentos de saúde, quando esse ainda era um tema cercado de silêncio, medo e punição. De lá para cá, a assistência em saúde tornou-se extremamente complexa, com a implementação de novas tecnologias e processos cada vez mais integrados. Reconhecer essa realidade não significa aceitar o erro, mas compreender que a excelência nasce da capacidade de identificar riscos, aprender continuamente e aperfeiçoar os processos de cuidado.”

II Simpósio sobre Segurança do Paciente na Atenção Primária e Secundária à Saúde
Durante a mesa-redonda “Segurança no uso de medicamentos e populações vulnerabilizadas”, a professora Giselle Lima de Freitas, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública, abordou os desafios e determinantes sociais da saúde das pessoas em situação de rua. Ela destacou que fatores como violência, falta de saneamento básico e dificuldade de acesso aos serviços públicos de saúde comprometem a segurança desses pacientes. “As pessoas em situação de rua têm maior possibilidade de sofrer insolação, desidratação, hipotermia, tuberculose e infecções sexualmente transmissíveis, além de estarem constantemente expostas à privação do sono, violência e estresse. Pessoas com baixas condições de higiene, por exemplo, às vezes não têm acesso aos serviços de saúde, porque sofrem discriminação e violência. Quando falamos de direitos das pessoas em situação de rua, primeiro temos que garantir que esse paciente entre ao serviço de saúde para então falarmos de segurança no tratamento.”

Professora Giselle Freitas

A professora também explicou que é fundamental sensibilizar profissionais de saúde para a necessidade de um cuidado humanizado que vise a igualdade e a flexibilização de normas institucionais para garantir a dignidade e a eficácia terapêutica para uma população historicamente marginalizada. “Trazer o tema do cuidado com as pessoas em situação de rua para dentro de um evento que fala sobre segurança de medicação é essencial, porque dá visibilidade ao tema. É importante reunirmos profissionais da farmácia, enfermagem, medicina, odontologia, e tantas outras áreas para pensar as realidades e as adversidades de quem está nas ruas e que tem os direitos negados, enfrenta barreiras de acesso e dificuldade para iniciar e de continuar o tratamento.”

A palestra “Vacinação segura e coberturas vacinais: desafios locais”, foi ministrada pela professora Fernanda Penido Matozinhos, também do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública. Ela relacionou a promoção de ambientes de saúde seguros com a maior adesão populacional às vacinas e uma menor taxa de erros de imunização. “As pessoas que são vacinadas estão saudáveis e em busca de proteção e, por isso, toleram menos erros que possam colocar em risco a sua segurança ou a de seus familiares. Prevenir riscos de imunização também significa manter a confiança dos indivíduos nas vacinas, garantir o sucesso das campanhas e assegurar a proteção da população.”

Professora Fernanda Penido

Para a professora, a consolidação de uma cultura de segurança do paciente exige o desenvolvimento e incorporação de competências específicas pelos profissionais de imunização. “O trabalho em equipe em prol da comunicação eficiente e clara, a otimização de fatores humanos e ambientais e o gerenciamento de riscos são algumas das etapas que fortalecem uma cultura de segurança do paciente. Precisamos promover ambientes onde erros sejam vistos como oportunidades de aprendizado, e não como falhas individuais.” Ela completou dizendo que os usuários e familiares também devem ser orientados sobre imunobiológicos, esquemas vacinais, contra indicações e eventos adversos, promovendo a sua participação na segurança.

Prêmio Michael Coen
No encerramento do primeiro dia do evento, a professora Flávia Latini foi agraciada com o Prêmio “Michael Cohen – Soluções para a Melhoria da Segurança do Paciente”. A homenagem reconhece sua trajetória e contribuição para a promoção da segurança do paciente, área em que atua há mais de uma década, com participação no Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente desde 2010 e atuação na vice-presidência do ISMP Brasil entre 2023 e 2025. Instituído em 2014 e considerado a mais alta honraria do ISMP Brasil, o prêmio homenageia o farmacêutico norte-americano Michael Cohen, referência mundial em segurança do uso de medicamentos, e reconhece profissionais e iniciativas que promovem práticas inovadoras voltadas à segurança do paciente.

Professora Flávia Latini e o presidente do ISMP Brasil, Mário Borges

“Recebo esta homenagem com profunda emoção e, sobretudo, com um grande senso de responsabilidade. O Prêmio Michael Cohen representa um dos mais importantes reconhecimentos na área da Segurança do Paciente, e sinto-me verdadeiramente honrada por integrar o grupo de mulheres, profissionais da saúde, que o receberam comigo: professora Zildete Pereira, pioneira em Farmácia Hospitalar do Brasil; professora Mariana Gonzaga, também da Faculdade de Farmácia da UFMG; professora Elena Bohomol, enfermeira e Vice-Diretora da Escola Paulista de Enfermagem da UNIFESP; Ana Helena Ulbrich, farmacêutica e que hoje integra a lista da revista TIME, das 100 maiores personalidades em IA do planeta; e professora Bryony Dean Franklin, da Imperial College Healthcare NHS Trust. Compartilho esta distinção com todos aqueles que caminharam ao meu lado: colegas, meus mestres, estudantes, pesquisadores e instituições, sobretudo à Escola de Enfermagem da UFMG, que me formou em todos os sentidos. Compartilhar esta honraria é importante, pois compreendo que a segurança do paciente é uma construção necessariamente coletiva. Que este reconhecimento nos inspire a continuar trabalhando, com rigor científico, compromisso ético e generosidade, para que o cuidado, embora redundante, seja cada vez mais seguro. Muito obrigada ao ISMP que me concedeu esta honraria e este reconhecimento, que recebo com imensa gratidão!”, enfatizou a professora Flávia Latini.


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