{"id":8679,"date":"2026-05-29T06:07:56","date_gmt":"2026-05-29T06:07:56","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-07-06T12:59:35","modified_gmt":"2026-07-06T15:59:35","slug":"estudo-com-inteligencia-artificial-aponta-maior-abuso-de-alcool-em-regioes-menos-vulneraveis-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=8679","title":{"rendered":"Estudo com intelig\u00eancia artificial aponta maior abuso de \u00e1lcool em regi\u00f5es menos vulner\u00e1veis de BH"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em Belo Horizonte, a tecnologia est\u00e1 ajudando a desvendar h\u00e1bitos de consumo de bebidas alco\u00f3licas. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais usaram intelig\u00eancia artificial para criar popula\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas \u2014 modelos virtuais que simulam, de forma an\u00f4nima e estatisticamente fiel, as caracter\u00edsticas e comportamentos da popula\u00e7\u00e3o real. Com isso, foi poss\u00edvel revelar que \u00e1reas consideradas menos vulner\u00e1veis apresentam maior preval\u00eancia de consumo abusivo, caracterizado pela ingest\u00e3o de quatro ou mais doses em uma \u00fanica ocasi\u00e3o para mulheres e cinco ou mais para homens. Essa ferramenta inovadora busca entender padr\u00f5es de sa\u00fade e orientar pol\u00edticas p\u00fablicas com mais precis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" src=\"images\/Nova pasta\/IA-_MATERIA_DEBORA.png\" alt=\"\" \/>O estudo \u201cUso de popula\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica para estimativas de consumo abusivo de bebidas alco\u00f3licas em pequenas \u00e1reas\u201d, coordenado pela professora Deborah Malta, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Sa\u00fade P\u00fablica da Escola de Enfermagem da UFMG, analisou vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas e de estilo de vida de residentes da capital mineira para identificar nove agrupamentos de vulnerabilidade com caracter\u00edsticas semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa utilizou dados referentes aos anos de 2006 a 2018 do Sistema de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (Vigitel), um sistema de entrevistas telef\u00f4nicas anuais que monitoram h\u00e1bitos de sa\u00fade e doen\u00e7as de residentes das capitais brasileiras. Contudo, a professora Deborah explica que a depend\u00eancia de linhas fixas para a realiza\u00e7\u00e3o do censo limita a representatividade em grupos mais vulner\u00e1veis, como popula\u00e7\u00f5es de baixa renda e moradores de \u00e1reas perif\u00e9ricas, o que exige a implementa\u00e7\u00e3o de metodologias alternativas para aumentar a precis\u00e3o em pequenas \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os pesquisadores, o uso de popula\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas permite a produ\u00e7\u00e3o de estimativas v\u00e1lidas para pequenas \u00e1reas, onde os altos custos e desafios na coleta de dados inviabilizam o avan\u00e7o de pesquisas. \u201cInova\u00e7\u00f5es em intelig\u00eancia artificial, como as redes generativas adversariais condicionais (cGAN), v\u00eam sendo aplicadas para gerar popula\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas realistas, permitindo simula\u00e7\u00f5es que ampliam a capacidade de an\u00e1lise em contextos em que os dados reais s\u00e3o escassos, confidenciais ou de dif\u00edcil obten\u00e7\u00e3o\u201d, sinalizou a professora Deborah. Ela acrescenta que a utiliza\u00e7\u00e3o de dados sint\u00e9ticos contribui para maior estabilidade das estimativas e menor variabilidade entre per\u00edodos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Consumo abusivo de bebidas alco\u00f3licas<\/strong><br \/>Em todos os per\u00edodos analisados, o estudo demonstrou que as preval\u00eancias de consumo abusivo de bebidas alco\u00f3licas foram consistentemente mais elevadas nos clusters de menor vulnerabilidade, tanto nos dados reais quanto nos sint\u00e9ticos. De 2006 a 2009, 23,3% dos cidad\u00e3os com menores vulnerabilidades socioecon\u00f4micas consumiram \u00e1lcool de forma abusiva, em compara\u00e7\u00e3o a 14,3% entre os mais vulner\u00e1veis. Entre 2014 a 2018, os n\u00fameros foram 24% e 15,2%, respectivamente, no comparativo entre os mesmos grupos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora Deborah esclarece que o maior consumo de bebidas alco\u00f3licas em \u00e1reas menos vulner\u00e1veis pode ser explicado por fatores como renda, localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e h\u00e1bitos de consumo. \u201cEm contextos de maior renda, h\u00e1 n\u00e3o apenas maior disponibilidade financeira para a aquisi\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas, mas tamb\u00e9m maior oferta de estabelecimentos comerciais e espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o que estimulam o consumo. Al\u00e9m disso, aspectos culturais e comportamentais, como a valoriza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sociais vinculadas ao uso de bebidas alco\u00f3licas, contribuem para refor\u00e7ar esse padr\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo constata, ainda, que a menor ocorr\u00eancia de consumo abusivo de bebidas alco\u00f3licas em \u00e1reas de maior vulnerabilidade n\u00e3o sinaliza uma melhoria, uma vez que essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais propensas a enfrentar problemas associados ao consumo de \u00e1lcool. \u201cPor mais que as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis apresentem menor preval\u00eancia relatada de consumo abusivo de bebidas alco\u00f3licas, elas est\u00e3o mais expostas a agravos decorrentes do consumo devido \u00e0 menor disponibilidade de servi\u00e7os de sa\u00fade e suporte social\u201d, afirma a professora Deborah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a professora, a utiliza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas em estudos representa um avan\u00e7o metodol\u00f3gico para a diminui\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es de inqu\u00e9ritos populacionais, mas depende da qualidade dos dados reais e requer rigor \u00e9tico e cient\u00edfico. \u201cPopula\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas representam um recurso inovador para vigil\u00e2ncia em sa\u00fade, mas seu uso deve ser acompanhado de avalia\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, valida\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e reflex\u00e3o \u00e9tica. Essa inova\u00e7\u00e3o pode apoiar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais precisas e equitativas, desde que utilizada de forma respons\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da professora Deborah, o artigo \u00e9 assinado pelos pesquisadores da UFMG: Crizian Saar Gomes, Regina Tomie Ivata Bernal, Celso Renato Fran\u00e7a J\u00fanior, Samuel Norberto Alves, Juliana Bottoni de Souza, Flora Vit\u00f3ria Serena Oliveira Baldi, Marcos Andr\u00e9 Gon\u00e7alves e Jussara Marques Almeida; e a pesquisadora Larissa Fortunato Ara\u00fajo da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Belo Horizonte, a tecnologia est\u00e1 ajudando a desvendar h\u00e1bitos de consumo de bebidas alco\u00f3licas. 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