{"id":4414,"date":"2025-05-15T03:23:15","date_gmt":"2025-05-15T06:23:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=4414"},"modified":"2026-07-07T14:17:12","modified_gmt":"2026-07-07T17:17:12","slug":"estudo-constata-elevado-consumo-de-medicamentos-para-depressao-e-ansiedade-por-estudantes-universitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=4414","title":{"rendered":"Estudo constata elevado consumo de medicamentos para depress\u00e3o e ansiedade por estudantes universit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estudantes universit\u00e1rios apresentam elevada vulnerabilidade para uso de medicamentos psicof\u00e1rmacos e transtornos mentais, como a ansiedade e depress\u00e3o. As mudan\u00e7as do estilo de vida, carga hor\u00e1ria elevada dos estudos, excesso de atividades, a dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica dos familiares para alguns jovens, as cobran\u00e7as da sociedade, da institui\u00e7\u00e3o e do pr\u00f3prio estudante, podem resultar em estresse, sintomatologia ansiosa e depressiva, entre outros transtornos. Estudo publicado recentemente por pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG e da Escola de Enfermagem de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo revelou elevada preval\u00eancia de sintomas de ansiedade, de depress\u00e3o e consumo de psicof\u00e1rmacos, subst\u00e2ncias que agem no sistema nervoso central, influenciando o comportamento, as emo\u00e7\u00f5es, as percep\u00e7\u00f5es e os pensamentos, entre estudantes de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Assis do Carmo Pereira J\u00fanior, do Departamento de Enfermagem B\u00e1sica da Escola de Enfermagem da UFMG, explicou que a pesquisa foi realizada com cerca de 900 estudantes de diversos cursos de uma universidade federal p\u00fablica do interior do estado de Minas Gerais, por meio de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico e utilizou como instrumentos: question\u00e1rio sobre dados sociodemogr\u00e1ficos, econ\u00f4micos e uso de psicof\u00e1rmacos e mini entrevista neuropsiqui\u00e1trica internacional (Mini International Neuropsychiatric Interview \u2013 MINI). A maioria da amostra era do sexo feminino (66.4%), com m\u00e9dia de idade variando de 18 a 69 anos, branca (63%), heterossexual (68.1%), solteiros (88.4%), sem filhos (92.6%), mora com a fam\u00edlia (77.8%), sem renda individual (57.7%), com dedica\u00e7\u00e3o exclusiva aos estudos (52.3%) e se declararam sem religi\u00e3o (42.3%).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" src=\"images\/Nova pasta\/consumo_de_medicamentos.png\" alt=\"\" \/>Verificou-se que 210 (23.3%) estudantes afirmaram fazer uso de psicof\u00e1rmacos. Dentre os usu\u00e1rios, 105 (50%) referiram usar ao menos um psicof\u00e1rmaco e 70 (33.3%) usavam dois psicof\u00e1rmacos. \u201cChamou a aten\u00e7\u00e3o que 16.7% dos participantes mencionaram usar tr\u00eas ou mais psicof\u00e1rmacos. Dentre os psicof\u00e1rmacos utilizados pelos estudantes, o antidepressivo foi o mais citado 193 (21.4%), seguidos dos anticonvulsivantes\/ estabilizadores do humor 71 (7.8%). O ansiol\u00edtico foi citado por 48 (5.3%) estudantes, o uso de antipsic\u00f3tico por 22 (2.4%), os psicoestimulantes e nootr\u00f3picos foram citados por 8 (0.8%) estudantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados do estudo apontaram tamb\u00e9m que 122 (35%) dos participantes estavam em uso de psicof\u00e1rmacos h\u00e1 menos de um ano, grande parte dos estudantes estava em uso destes medicamentos por per\u00edodo de um a dois anos e que 79 (23%) mencionaram fazer uso de psicof\u00e1rmacos por mais de dois anos. \u201c\u00c9 importante destacar que 74% das prescri\u00e7\u00f5es de psicof\u00e1rmacos foram provenientes de m\u00e9dicos psiquiatras, 6% de Neurologistas e 12% dos participantes n\u00e3o informaram o m\u00e9dico prescritor\u201d, enfatizou o professor.Ele enfatiza, ainda, que o uso de medicamentos no ambiente acad\u00eamico, incluindo os psicof\u00e1rmacos, vem sendo cada vez mais comum, por ser um local de extensa carga de trabalho e estudos, com potencial para adoecimento nos discentes e docentes acad\u00eamicos. \u201cDestaca-se que nossos resultados s\u00e3o superiores aos identificados na literatura, que indicaram preval\u00eancias entre 10% e 19.7% do uso de psicof\u00e1rmacos por essa popula\u00e7\u00e3o. A literatura mostra que a procura dos psicof\u00e1rmacos est\u00e1 frequentemente associada ao al\u00edvio ou enfrentamento de problemas ps\u00edquicos, como ansiedade, depress\u00e3o, estresse e dores f\u00edsicas\u201d, pontuou Assis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos fatores associados ao uso de psicof\u00e1rmacos, o professor ressaltou que as maiores chances de uso dos medicamentos ent\u00e3o entre estudantes com filhos, que ingressaram por meio de vagas atribu\u00eddas por cotas, dos cursos de Lingu\u00edstica, Letras e Artes e Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, que realizaram o trancamento, com dificuldades emocionais, que referiram uso de subst\u00e2ncias para modificar o humor, apresentaram rea\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis na falta da subst\u00e2ncia e que mencionaram continuar o uso da subst\u00e2ncia mesmo na presen\u00e7a dessas rea\u00e7\u00f5es. Entre os estudantes que cursam a universidade no per\u00edodo diurno, houve menores chances de utiliza\u00e7\u00e3o desses medicamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConstatou-se maiores chances de consumo de psicof\u00e1rmacos entre os estudantes com filhos. Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para esse achado pode ser a potencial sobrecarga advinda da realiza\u00e7\u00e3o de atividades simult\u00e2neas, quais sejam atividades relacionadas \u00e0 vida acad\u00eamica e o cuidado com filho(os). Nessa dire\u00e7\u00e3o, vale lembrar que a maioria dos participantes deste estudo \u00e9 do sexo feminino. Estudo aponta que ser m\u00e3e e estudante resulta em in\u00fameros afazeres com influ\u00eancia direta e indireta, de forma positiva e negativa, na vida social, afetiva, familiar e educacional. Para conciliar os pap\u00e9is de m\u00e3e e estudante, enfrentam grandes dificuldades que podem resultar em aus\u00eancia nas aulas, trancamento de curso e, at\u00e9 mesmo, no abandono dos estudos\u201d, ressaltou Assis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro achado importante do estudo, foi que estudantes que ingressaram por cotas tamb\u00e9m tiveram maiores chances de utiliza\u00e7\u00e3o de psicof\u00e1rmacos, bem como os estudantes do per\u00edodo integral. \u201cTanto para cotistas quanto para estudantes do per\u00edodo integral, a busca pelo uso de psicof\u00e1rmacos pode estar relacionada, entre outros aspectos, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. A literatura mostra que a baixa renda familiar pode desencadear preocupa\u00e7\u00f5es nos estudantes, atrapalhando o desempenho acad\u00eamico al\u00e9m de gerar sofrimento mental, podendo resultar no uso de psicof\u00e1rmacos. Vale ressaltar que estudantes do per\u00edodo integral apresentam maior dificuldade para aquisi\u00e7\u00e3o de trabalho extra-acad\u00eamico, com limita\u00e7\u00f5es para obten\u00e7\u00e3o de renda, resultando em dificuldade econ\u00f4mica para alguns estudantes\u201d, enfatizou o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sintomas depressivos e de ansiedade<\/strong><br \/>A preval\u00eancia de sintomas de depress\u00e3o e de ansiedade entre os estudantes de gradua\u00e7\u00e3o foi de 55.3% e 86.5%, respectivamente. No que se refere aos sintomas depressivos o resultado identificado est\u00e1 dentro do intervalo de preval\u00eancia de achados da literatura que variaram de 22.3% a 58.5%. A preval\u00eancia de sintomas de ansiedade foi superior aos achados anteriores, cujo intervalo de preval\u00eancia variou de 15.8% a 62.9%, dependendo do tipo de instrumento utilizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com o estudo, as maiores chances de sintomas depressivos est\u00e3o em estudantes matriculados no primeiro ano dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o do que aqueles matriculados do 5\u00ba ao 7\u00ba ano dos seus respectivos cursos. Alunos matriculados do 2\u00ba ao 4\u00ba ano tiveram menor chance de apresentar sintomas depressivos comparados aos alunos do 5\u00ba ao 7\u00ba ano de seus cursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Assis pontua que houve maiores chances de sintomas depressivos entre os alunos que afirmaram que trocariam de curso, que realizaram o trancamento, que apresentam dificuldades que interferem na vida e contexto acad\u00eamico, com problemas emocionais, que referiram o uso de medicamentos psicof\u00e1rmacos. Houve, tamb\u00e9m, aumento das chances de sintomas depressivos entre aqueles que referiram utilizar ansiol\u00edticos, antidepressivos e anticonvulsivantes\/estabilizadores de humor. \u201cConstatou-se maiores chances de sintomas depressivos nos estudantes em uso subst\u00e2ncias para modificar o humor , que informaram sentir rea\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis quando diminu\u00edam ou cessavam o uso de subst\u00e2ncias para alterar o humor e entre aqueles que continuar com o uso das subst\u00e2ncias, mesmo na presen\u00e7a de rea\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com o estudo, a maioria dos estudantes apresentava sintomas de ansiedade 780 (86.5%), a maioria deles ingressou por meio de vagas destinadas por cotas, dos cursos de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Letras, Artes e Lingu\u00edstica, seguido daqueles da \u00e1rea de Humanas, que est\u00e3o em cursos noturnos. Entre os alunos matriculados em cursos que n\u00e3o correspondiam \u00e0 primeira op\u00e7\u00e3o e entre aqueles que trocariam de curso, que referiram dificuldades que interferem no contexto acad\u00eamico, dificuldades emocionais que interferem na vida acad\u00eamica, usu\u00e1rios e que referiram rea\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis na falta da subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo concluiu que atualmente as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior contam com \u00f3rg\u00e3os destinados ao acompanhamento psicopedag\u00f3gico dos estudantes e que, para al\u00e9m disso, \u00e9 essencial desenvolver interven\u00e7\u00f5es como acompanhamento e apoio aos alunos, aconselhamento estudantil, workshop de programa de forma\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o da ansiedade, para detectar, gerir, acompanhar e encaminhar alunos em risco nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudantes universit\u00e1rios apresentam elevada vulnerabilidade para uso de medicamentos psicof\u00e1rmacos e transtornos mentais, como a ansiedade e depress\u00e3o. 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