{"id":4377,"date":"2025-03-18T02:38:24","date_gmt":"2025-03-18T05:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=4377"},"modified":"2026-07-07T14:17:12","modified_gmt":"2026-07-07T17:17:12","slug":"pesquisa-aponta-cerca-de-39-mil-casos-notificados-de-violencia-contra-criancas-as-maes-sao-as-mais-agressoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=4377","title":{"rendered":"Pesquisa aponta cerca de 40 mil casos notificados de viol\u00eancia contra crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" src=\"images\/Nova pasta\/Violencia_contra_crianas.png\" alt=\"\" \/>O Brasil vem registrando indicadores alarmantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s viol\u00eancias, tornando-se um problema de sa\u00fade p\u00fablica e coletiva. Estudo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/csc\/a\/mrP9YDgVDZnMhMNTm3RRJSG\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rec\u00e9m-publicado na revista Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva<\/a> por pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG, em parceria com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, revela que, em 2022, foram notificados\u00a0cerca de 40 mil casos de viol\u00eancias contra crian\u00e7as: 21.462 entre as meninas e 17.437 entre os meninos. As maiores v\u00edtimas tinham entre 2 e 5 anos (39,4%). O tipo de viol\u00eancia mais frequente foi a neglig\u00eancia (50,7%), seguido da f\u00edsica (23%) e da psicol\u00f3gica (14,5%). Os principais agressores foram a m\u00e3e (51,7%), o pai (40%), o padrasto (6,2%) e algum conhecido (8,5%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coordenadora da pesquisa, professora Deborah Carvalho Malta, destaca que o objetivo foi descrever as caracter\u00edsticas da viol\u00eancia praticada contra crian\u00e7as e analisar os fatores associados. \u201cOs dados foram do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (SINAN), que constitui um sistema de grande relev\u00e2ncia, permite monitorar essas ocorr\u00eancias e possibilita que as equipes de sa\u00fade adotem as medidas de notifica\u00e7\u00e3o para estabelecer prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resid\u00eancia foi o local de ocorr\u00eancia mais frequente (88,3%), seguido da via p\u00fablica (6,9%) e da escola (4,7%). Os meios de agress\u00e3o foram a for\u00e7a corporal\/espancamento (21,1%), amea\u00e7a (7,7%), objeto quente (3,4%), objeto contundente (2,5%) e objeto perfurocortante (1,65%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo apresentou que as viol\u00eancias praticadas contra as crian\u00e7as t\u00eam varia\u00e7\u00f5es conforme a idade. Evid\u00eancias mostram que as crian\u00e7as menores s\u00e3o mais sujeitas \u00e0 neglig\u00eancia, que inclui abandono, aus\u00eancia ou insufici\u00eancia de cuidados f\u00edsicos e emocionais. \u201cEntre as v\u00edtimas de at\u00e9 1 ano, a ocorr\u00eancia mais frequente foi na resid\u00eancia, praticada por m\u00e3e ou pai e o tipo de viol\u00eancia foi neglig\u00eancia. Crian\u00e7as de 2 a 5 anos, foram mais v\u00edtimas da viol\u00eancia sexual, praticada por conhecidos, na resid\u00eancia. J\u00e1 as crian\u00e7as entre 6e 9 anos, sofreram mais viol\u00eancias f\u00edsica e psicol\u00f3gica, praticadas pelo padrasto ou conhecidos, com amea\u00e7a e for\u00e7a corporal, uso de objetos cortantes\/contundentes e o principal local de ocorr\u00eancia foi na escola e via p\u00fablica. A praticada na escola, que acontece de forma repetida e no \u00e2mbito de uma rela\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio de poder, pode ser descrita como bullying e inclui viol\u00eancia f\u00edsica, verbal, intimida\u00e7\u00e3o e cyberbullying\u201d, detalha a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deborah enfatiza que a participa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es nessas pr\u00e1ticas \u00e9 considerada uma consequ\u00eancia da perpetua\u00e7\u00e3o do ciclo de viol\u00eancia. \u201cMulheres que enfrentam viol\u00eancia dom\u00e9stica, por parte de seus companheiros, frequentemente foram v\u00edtimas de viol\u00eancia em suas fam\u00edlias de origem, o que contribui para a propens\u00e3o a reproduzir essas pr\u00e1ticas com seus filhos. Somam-se a isso as vulnerabilidades sociais enfrentadas pela maior parte das fam\u00edlias chefiadas por mulheres. Entender e abordar esse ciclo de viol\u00eancia \u00e9 crucial para o desenvolvimento de interven\u00e7\u00f5es eficazes que visem interromper esse padr\u00e3o e promover ambientes familiares mais saud\u00e1veis e seguros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Enfrentamento: cuidado integral, preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o<br \/><\/strong>Segundo a professora, para o enfrentamento da viol\u00eancia \u00e9 preciso uma readequa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o tradicional dos servi\u00e7os, com a necessidade de atua\u00e7\u00e3o muito mais espec\u00edfica, interdisciplinar, multiprofissional, intersetorial e engajada, visando o cuidado integral, a preven\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o, o que se configura tamb\u00e9m como um imenso desafio a ser transposto. \u201cAl\u00e9m disso, devem ser adotadas estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o que trabalhem a origem da viol\u00eancia, bem como alterar os processos que levam \u00e0 subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos. No ambiente intrafamiliar, os cuidados integrais devem ser estimulados e incentivados por pol\u00edticas p\u00fablicas, programas e servi\u00e7os, permitindo que comunidades, pais e cuidadores garantam a boa sa\u00fade e a nutri\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, assim como proteg\u00ea-las de viol\u00eancias e amea\u00e7as, juntamente com a melhoria do v\u00ednculo familiar e a parentalidade positiva. Nenhuma viol\u00eancia contra crian\u00e7a \u00e9 aceit\u00e1vel e todos os eventos podem ser prevenidos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vem registrando indicadores alarmantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s viol\u00eancias, tornando-se um problema de sa\u00fade p\u00fablica e coletiva. 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