{"id":4349,"date":"2025-02-05T02:14:28","date_gmt":"2025-02-05T05:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=4349"},"modified":"2026-07-07T14:17:13","modified_gmt":"2026-07-07T17:17:13","slug":"pesquisa-nacional-coordenada-pela-ufmg-constata-que-escolas-particulares-vendem-50-mais-ultraprocessados-do-que-alimentos-saudaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=4349","title":{"rendered":"Pesquisa nacional constata que escolas particulares vendem 50% mais ultraprocessados do que alimentos saud\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Alimentos ultraprocessados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nestes alimentos (AUPP) s\u00e3o aproximadamente 50% mais comercializados do que os in natura, minimamente processados, processados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nestes alimentos (AIMPP) nas cantinas de escolas particulares no Brasil. No com\u00e9rcio ambulante, essa diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais acentuada, chegando a 117%. \u00c9 o que revela o estudo pioneiro \u201cComercializa\u00e7\u00e3o de Alimentos em Escolas Brasileiras (Caeb)\u201d, coordenado por um grupo de pesquisadores vinculados a seis universidades p\u00fablicas brasileiras, que avaliou aspectos relacionados \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos e bebidas em 2.241 cantinas escolares e de cerca de 700 ambulantes no entorno de escolas privadas de ensino fundamental e m\u00e9dio nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados chamam aten\u00e7\u00e3o para a preocupante oferta de ultraprocessados no ambiente escolar, voltada para crian\u00e7as e adolescentes. Dentro das cantinas, o refrigerante foi o mais consumido, com expressivos 61,80%, na sequ\u00eancia, est\u00e3o o salgado assado com recheio ultraprocessado (47,88%), bombom ou chocolate (37,97%) e salgadinhos de pacote (37,48%). No com\u00e9rcio de ambulantes, os alimentos mais consumidos que se destacaram foram: refrigerante (46,2%), guloseimas (29,6%), salgadinho de pacote (21,5%) e pipoca de pacote (19%).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"images\/Nova pasta\/cantinaultraprocessados.jpeg\" alt=\"\" \/><em>Cantinas de escolas particulares\u00a0comercializam mais alimentos ultraprocessados. Foto:\u00a0Banco de Imagens do Estudo CAEB<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No grupo de alimentos in natura, minimamente processados ou processados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nestes alimentos (AIMPP), entre os mais consumidos nas cantinas est\u00e3o a \u00e1gua (79,70%); sucos naturais da fruta (70,54%), bolos de prepara\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria (59,43%), salgado assado sem recheio ultraprocessado (53,27%) e os sucos 100% integrais em caixinha, lata ou garrafa (37,57%). A \u00e1gua tamb\u00e9m foi a mais comercializada por ambulantes no entorno de escolas particulares, seguida do caf\u00e9 (12,2%), do bolo de prepara\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria (11,6%) e do suco natural de fruta (11,3%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da Escola de Enfermagem da UFMG, 23 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas brasileiras participam do levantamento, entre elas: Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a coleta de informa\u00e7\u00f5es com ambulantes e gestores de cantinas, foi realizado um question\u00e1rio que contemplou quest\u00f5es distribu\u00eddas em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es: informa\u00e7\u00f5es da cantina ou do ambulante (identifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o); comercializa\u00e7\u00e3o, variedade, tamanho, valor do menor pre\u00e7o e estrat\u00e9gia de venda (promo\u00e7\u00e3o\/combo) dos alimentos, bebidas e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias e presen\u00e7a de publicidade dos alimentos e bebidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coordenadoras do estudo e professora da EEUFMG, Larissa Loures Mendes , enfatizou que o ambiente alimentar escolar no Brasil desempenha um papel crucial na forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos e prefer\u00eancias alimentares entre crian\u00e7as e adolescentes e que a qualidade dos alimentos dispon\u00edveis nas escolas influencia diretamente a sa\u00fade e o bem-estar dos estudantes. Ela destaca que h\u00e1 um contraste no ambiente alimentar entre as escolas p\u00fablicas e privadas. \u201cAs escolas p\u00fablicas t\u00eam um papel destacado nesse contexto, pois a maioria apresenta um ambiente que promove a alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel por meio do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar, que oferta refei\u00e7\u00f5es alinhadas com as recomenda\u00e7\u00f5es das vers\u00f5es atuais dos guias alimentares brasileiros. Esse programa visa garantir a seguran\u00e7a alimentar e nutricional, promovendo uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel, al\u00e9m de ser um importante instrumento para o desenvolvimento biopsicossocial dos alunos. J\u00e1 as escolas privadas, frequentemente, apresentam um ambiente alimentar mais obesog\u00eanico, com maior disponibilidade de produtos ultraprocessados e menos op\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tipo de refei\u00e7\u00f5es comercializadas<\/strong><br \/>Quase a totalidade das cantinas das escolas particulares (92,54%) comercializam lanches. Observou-se tamb\u00e9m que 22,13% e 23,82% das cantinas avaliadas no pa\u00eds oferecem caf\u00e9 da manh\u00e3 e almo\u00e7o, respectivamente. Em rela\u00e7\u00e3o ao caf\u00e9 da manh\u00e3, mais da metade das cantinas em Boa Vista, Distrito Federal, Porto Alegre e Vit\u00f3ria comercializam essa refei\u00e7\u00e3o. E mais da metade das cantinas em Belo Horizonte, Distrito Federal e Vit\u00f3ria oferta o almo\u00e7o. Apenas 5,48% das cantinas no pa\u00eds ofertam jantar, sendo as maiores frequ\u00eancias encontradas em Campo Grande (29,3%), Vit\u00f3ria (26,67%) e S\u00e3o Paulo (24,80%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No conjunto de todas as 26 capitais e o Distrito Federal, observou-se que cerca de um quinto das cantinas (20,16%) oferecem refei\u00e7\u00e3o (comida). Apenas no Distrito Federal (59,22%) e em Belo Horizonte (51,32%) foi observado que mais da metade das cantinas oferecem refei\u00e7\u00e3o (comida).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora Larissa destaca que nessas escolas, apenas 26,95% das cantinas desenvolvem a\u00e7\u00f5es que incentivem a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. \u201cNas an\u00e1lises estratificadas, identificamos que apenas em Belo Horizonte, Campo Grande, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, Salvador e S\u00e3o Paulo mais da metade das cantinas desenvolve a\u00e7\u00f5es que incentivem a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Publicidade dos alimentos<\/strong><br \/>No estudo, foi constatado tamb\u00e9m que 36,09% das cantinas apresentam pelo menos uma estrat\u00e9gia de publicidade de alimentos in natura ou minimamente processados comercializados e 37,38% de publicidade de alimentos ultraprocessados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no com\u00e9rcio ambulante no entorno de escolas particulares, a exposi\u00e7\u00e3o de publicidade (banner\/cartaz do fornecedor, banner\/cartaz do ambulante, vestimenta, r\u00e9plica do produto, card\u00e1pio, embalagem, painel\/televis\u00e3o, folder, displays e brindes) vinculada a AIMPP e AAUP foi de 86,8% e 72,7% respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Import\u00e2ncia do nutricionista nas cantinas<\/strong><br \/>Considerando o conjunto de todas as 26 capitais e o Distrito Federal, um pouco mais da metade das cantinas (50,55%) possui nutricionista. Nas an\u00e1lises estratificadas por cidades, observou-se o mesmo cen\u00e1rio, com exce\u00e7\u00e3o de Aracaju, Bel\u00e9m, Boa Vista, Cuiab\u00e1, Goi\u00e2nia, Macap\u00e1, Macei\u00f3, Porto Velho, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro e Salvador, que foram as cidades em que menos da metade das cantinas possui nutricionista. A professora Larissa enfatizou que a presen\u00e7a de nutricionistas nas escolas privadas diminui a quantidade de ultraprocessados comercializados. \u201cIsso foi constatado no estudo, j\u00e1 que as capitais em que esses profissionais de sa\u00fade atuam nas escolas tiveram melhor desempenho no \u00edndice de saudabilidade calculado pela pesquisa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Projeto Caeb<\/strong><br \/><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" src=\"images\/Nova pasta\/logo_Caeb_1.jpg\" alt=\"\" \/>O <a href=\"https:\/\/estudocaeb.nutricao.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">projeto Caeb <\/a>re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos e bebidas em cantinas e lanchonetes de escolas privadas e tamb\u00e9m do entorno dessas unidades de ensino. A pesquisa foi realizada em parceria com o instituto Vox Populi. Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), conta com o apoio da ACT Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Ibirapitanga e do Instituto Desiderata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados obtidos foram analisados com a finalidade de embasar a cria\u00e7\u00e3o de propostas que contribuam para escolhas alimentares mais saud\u00e1veis pelos alunos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas foram selecionadas por sorteio, e a participa\u00e7\u00e3o na pesquisa ocorreu com a livre concord\u00e2ncia do propriet\u00e1rio ou gestor respons\u00e1vel pela cantina e dos comerciantes ambulantes. Foram coletadas informa\u00e7\u00f5es sobre pre\u00e7o, disponibilidade e qualidade dos alimentos e bebidas comercializados. Os estabelecimentos participantes receber\u00e3o, gratuitamente, um diagn\u00f3stico sobre a situa\u00e7\u00e3o da sua atividade de com\u00e9rcio de alimentos e bebidas nas escolas. &#8220;Essas informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ser\u00e3o tratadas de modo confidencial e ser\u00e3o compartilhadas apenas com o gestor respons\u00e1vel pelo com\u00e9rcio, que foi a pessoa que respondeu \u00e0 pesquisa. O diagn\u00f3stico inclui um esquema de f\u00e1cil visualiza\u00e7\u00e3o que mostra o percentual de alimentos in natura, minimamente processados e ultraprocessados oferecidos pelos estabelecimentos. A devolutiva indica os pontos cr\u00edticos desse com\u00e9rcio e fornece dicas de como melhorar o neg\u00f3cio, tornando-o mais alinhado \u00e0s \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es para uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel. Por fim, o participante da pesquisa receber\u00e1 um guia pr\u00e1tico para a implementa\u00e7\u00e3o de uma cantina saud\u00e1vel em formato de e-book&#8221;, esclareceu a professora Larissa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alimentos ultraprocessados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nestes alimentos (AUPP) s\u00e3o aproximadamente 50% mais comercializados do que os in natura, minimamente processados, processados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias baseadas nestes alimentos (AIMPP) nas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-4349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4349"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4349\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7942,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4349\/revisions\/7942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}