{"id":4255,"date":"2024-10-18T02:47:37","date_gmt":"2024-10-18T05:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=4255"},"modified":"2026-07-07T14:17:13","modified_gmt":"2026-07-07T17:17:13","slug":"pesquisa-da-escola-de-enfermagem-da-ufmg-analisa-saude-sexual-e-reprodutiva-dos-adolescentes-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=4255","title":{"rendered":"Pesquisa analisa sa\u00fade sexual e reprodutiva dos adolescentes brasileiros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">A adolesc\u00eancia \u00e9 uma fase da vida marcada por experimenta\u00e7\u00e3o e a inicia\u00e7\u00e3o sexual, muitas vezes acompanhadas de um despreparo tanto decorrente da estreia, quanto da falta de acesso e de informa\u00e7\u00e3o sobre meios para uma viv\u00eancia segura, de forma a prevenir uma gesta\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis. Com o objetivo de investigar a frequ\u00eancia, o padr\u00e3o e os fatores individuais, intrapessoais, comunit\u00e1rios e contextuais associados ao uso de m\u00e9todos contraceptivos modernos e contracep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia por adolescentes escolares brasileiros, foi realizada uma pesquisa de\u00a0 doutorado no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Escola de Enfermagem da UFMG.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">A tese, de autoria do enfermeiro Marco Aur\u00e9lio de Sousa sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Mariana Santos Felisbino Mendes, reuniu estudos\u00a0com resultados provenientes de an\u00e1lises de dados nacionais de mais de 36 mil adolescentes escolares de 13 a 17 anos de idade que responderam um question\u00e1rio sobre o uso de m\u00e9todos contraceptivos na edi\u00e7\u00e3o mais recente da Pesquisa Nacional sobre Sa\u00fade do Escolar (PeNSE). A pesquisa constatou que 74% dos adolescentes nessa faixa et\u00e1ria que j\u00e1 tiveram inicia\u00e7\u00e3o sexual, utilizaram m\u00e9todos contraceptivos modernos na \u00faltima rela\u00e7\u00e3o sexual e 37,9% utilizaram contracep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia alguma vez na vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\"><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"images\/Nova pasta\/Foto-Unsplash-.jpg\" alt=\"\" \/><em>M\u00e9todos contraceptivos.\u00a0Foto: Unsplash\/ Health Supplies Coalition<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">Marco Aur\u00e9lio afirma que os contraceptivos mais utilizados por esses adolescentes foram o preservativo (70,3%) e a p\u00edlula (24,8%). \u201cOs fatores individuais como sexo feminino, hist\u00f3rico de viol\u00eancia dom\u00e9stica, importuna\u00e7\u00e3o sexual ou viol\u00eancia sexual; e, o fator comunit\u00e1rio de morar em \u00e1reas urbanas se associaram negativamente ao uso de m\u00e9todos modernos, enquanto procurar o servi\u00e7o de sa\u00fade no \u00faltimo ano e ter alta supervis\u00e3o dos pais se associou positivamente ao uso desses m\u00e9todos\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">Outro resultado importante desta tese \u00e9 sobre o uso de contracep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia alguma vez na vida. Foram observados que os fatores individuais como ser do sexo feminino, estar na faixa et\u00e1ria de 16 e 17 anos, ter hist\u00f3rico de viol\u00eancia sexual e ter procurado o servi\u00e7o de sa\u00fade no \u00faltimo ano; bem como o fator familiar de morar apenas com o pai, ou com nenhum dos pais ou apenas com a m\u00e3e; e, o fator comunit\u00e1rio e pol\u00edtico de morar nas regi\u00f5es Centro-Oeste e Sudeste aumentam as chances de uso desse tipo de contracep\u00e7\u00e3o. \u201cTamb\u00e9m foi constatado variabilidade no uso de m\u00e9todos modernos entre os estados brasileiros, morar em um estado com alto valor de \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e \u00cdndice Sociodemogr\u00e1fico (SDI) aumentou a chance do uso de m\u00e9todos contraceptivos modernos. Em contrapartida, \u00e9 visto que esses estados apresentam as menores m\u00e9dias de uso de contracep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia\u201d, relatou Marco.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">No que diz respeito ao sexo, tanto em 2015 como em 2019, a maior propor\u00e7\u00e3o de adolescentes de 13 a 17 anos que tiveram inicia\u00e7\u00e3o sexual foi do sexo masculino (56,8% e 53,6%, respectivamente), com propor\u00e7\u00f5es equiparadas entre os sexos na faixa et\u00e1ria de 16 e 17 anos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es do Brasil, a maior propor\u00e7\u00e3o de respondentes vivia no Sudeste (41,3% em 2015 e 38,8% em 2019), seguidos pelas regi\u00f5es Nordeste (26,4% e 26,6%), Sul (14,9% e 14,2%), Norte (9,9% e 12,3%) e Centro-Oeste (7,7% e 8,2%).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">Nas duas edi\u00e7\u00f5es da pesquisa, 59% dos adolescentes eram negros (pretos e pardos), seguidos de brancos (34,8% em 2015 e 33,3% em 2019), amarelos (3,6% nos dois anos) e ind\u00edgenas (2,7% em 2015 e 3% em 2019). No que diz respeito a escolaridade da m\u00e3e, 37,9% em 2015 e 33,8% dos respondentes tem m\u00e3es que estudaram at\u00e9 o ensino fundamental e 33,6% em 2015 e 34,9% em 2019 tem m\u00e3es que estudaram at\u00e9 o ensino m\u00e9dio. Nos dois anos da pesquisa a maior parte dos adolescentes residiam com ambos os pais (49,9% e 47,7%, respectivamente), 35% deles em 2015 e 36,1% em 2019 residiam apenas com a m\u00e3e. De acordo com a depend\u00eancia administrativa das escolas, 90% dos adolescentes s\u00e3o de escolas p\u00fablicas nas duas edi\u00e7\u00f5es da pesquisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\"><strong>M\u00e9todos contraceptivos modernos<\/strong><br \/><\/span><span style=\"font-size: 12.16px;\">Marco Aur\u00e9lio explica que os m\u00e9todos contraceptivos modernos podem ser entendidos como formas de se evitar a gravidez, de maneira n\u00e3o comportamental, incluindo o uso de contraceptivos orais, hormonais injet\u00e1veis, dispositivo intrauterino (DIU), adesivo intrad\u00e9rmico, anel vaginal, implantes ou mesmo o preservativo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">Entre os fatores individuais a propor\u00e7\u00e3o do uso de m\u00e9todos contraceptivos modernos pelos adolescentes brasileiros foi de 74%, maior entre os meninos 76,3%. As meninas que apresentam hist\u00f3rico positivo de gravidez pr\u00e9via utilizam menos m\u00e9todos contraceptivos modernos (59,9) se comparado as que nunca ficaram gr\u00e1vidas (72,4%). Os adolescentes que passaram por viol\u00eancia dom\u00e9stica (67,4%), importuna\u00e7\u00e3o sexual (66,1%) e viol\u00eancia sexual (64,2%) apresentam menor propor\u00e7\u00e3o do uso de m\u00e9todos modernos no que os que n\u00e3o passaram por esses tipos de viol\u00eancia. Os adolescentes que buscaram o servi\u00e7o de sa\u00fade no \u00faltimo ano fizeram maior uso de m\u00e9todos contraceptivos na \u00faltima rela\u00e7\u00e3o (75,4%) ao se comparar com quem n\u00e3o buscou o servi\u00e7o de sa\u00fade (71,8%). Os adolescentes que se vacinaram contra o HPV tamb\u00e9m apresentam maior propor\u00e7\u00e3o de uso de m\u00e9todos contraceptivos modernos (75,5%). Em rela\u00e7\u00e3o aos fatores familiares, destaca-se que os adolescentes que t\u00eam alta supervis\u00e3o dos pais (78,3%) apresentam maior propor\u00e7\u00e3o do uso de MC modernos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s faixas et\u00e1rias, os adolescentes de 13 a 15 anos utilizaram menos m\u00e9todos contraceptivos modernos e tiveram maior propor\u00e7\u00e3o do n\u00e3o uso de m\u00e9todos se comparado aos adolescentes de 16 e 17 anos. \u201cAo comparar as estimativas de 2015 e 2019, destaca-se tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o do uso de m\u00e9todos contraceptivos modernos nas faixas et\u00e1rias de 13 a 17 anos (de 77,5% para 74%) e de 16 e 17 anos (de 80,4% para 74,1%) em ambos os sexos\u201d, ressaltou o enfermeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px;\">Segundo o pesquisador, o uso de m\u00e9todos contraceptivos modernos por adolescentes escolares brasileiros \u00e9 elevado, entretanto, houve redu\u00e7\u00e3o no uso desses m\u00e9todos entre os anos de 2015 e 2019, o que refor\u00e7a a necessidade de fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a sa\u00fade sexual e reprodutiva dessa popula\u00e7\u00e3o. \u201cOs achados dessa tese apontam para a necessidade de amplia\u00e7\u00e3o do mix contraceptivo para os adolescentes brasileiros, garantindo o acesso a m\u00e9todos contraceptivos eficazes e com maiores chances de uso pelos adolescentes. Tamb\u00e9m h\u00e1 a necessidade de garantia do acesso equ\u00e2nime aos m\u00e9todos contraceptivos pelos adolescentes no territ\u00f3rio nacional, e levando em considera\u00e7\u00f5es as especificidades dessa fase da vida e os fatores individuais, familiares, comunit\u00e1rios e contextuais associados ao uso desses m\u00e9todos. O fortalecimento de a\u00e7\u00f5es entre os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, como o Programa Sa\u00fade na Escola, podem favorecer o acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade sexual e reprodutiva, incluindo a contracep\u00e7\u00e3o, favorecendo escolhas contraceptivas seguras e orientadas\u201d.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A adolesc\u00eancia \u00e9 uma fase da vida marcada por experimenta\u00e7\u00e3o e a inicia\u00e7\u00e3o sexual, muitas vezes acompanhadas de um despreparo tanto decorrente da estreia, quanto da falta de acesso e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-4255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4255"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7637,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4255\/revisions\/7637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}