{"id":4075,"date":"2024-01-08T10:05:15","date_gmt":"2024-01-08T13:05:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=4075"},"modified":"2026-07-07T14:17:32","modified_gmt":"2026-07-07T17:17:32","slug":"estudo-constata-que-a-pandemia-da-covid-19-piorou-os-indicadores-de-atividade-fisica-obesidade-e-morbidade-por-doencas-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=4075","title":{"rendered":"Estudo constata que a pandemia piorou os indicadores de atividade f\u00edsica, obesidade e morbidade por doen\u00e7as cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo nacional realizado por pesquisadores da UFMG, com aproximadamente 54 mil pessoas, comparou as mudan\u00e7as ocorridas nos comportamentos de risco e prote\u00e7\u00e3o para doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis (DCNT), morbidade referida e realiza\u00e7\u00e3o de exames preventivos de c\u00e2ncer antes e ao final da terceira onda da pandemia de Covid-19 no Brasil. Os resultados apontaram redu\u00e7\u00e3o da preval\u00eancia da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica (AF) no tempo livre e no deslocamento; aumento da preval\u00eancia de adultos com pr\u00e1tica insuficiente de AF, do comportamento sedent\u00e1rio e inatividade f\u00edsica nos anos de pandemia. Tamb\u00e9m houve piora nos indicadores de excesso de peso, obesidade e diabetes. A hipertens\u00e3o, est\u00e1vel no per\u00edodo de 2009 a 2019, aumentou nos anos da pandemia. Al\u00e9m disso, ocorreu redu\u00e7\u00e3o das coberturas de exames preventivos de mamografia e citologia do colo de \u00fatero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/cienciaesaudecoletiva.com.br\/artigos\/mudancas-nas-doencas-cronicas-e-os-fatores-de-risco-e-protecao-antes-e-apos-a-terceira-onda-da-covid19-no-brasil\/18701?id=18701\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo foi publicado no dia 28 de dezembro de 2023, na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Revista Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva.<\/a> A professora da Escola de Enfermagem da UFMG Deborah Carvalho Malta, primeira autora do estudo, explica que ele foi realizado com adultos de 18 anos ou mais, residentes das capitais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal que tinham telefone fixo. \u201c\u00c9 uma s\u00e9rie hist\u00f3rica do sistema de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (Vigitel) entre 2006 e 2021. Os achados apontam piora dos indicadores de DCNT. Por isso, a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade tornam-se priorit\u00e1rias nesse contexto\u201d, ressaltou a professora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica no tempo livre diminuiu de 39,0% em 2019 para 36,7% para a popula\u00e7\u00e3o total em 2021. No sexo masculino, a queda foi de 46,7% para 43,1% e nas mulheres uma redu\u00e7\u00e3o de 32,4% para 31,3%. A preval\u00eancia de atividade f\u00edsica no deslocamento passou de 14,2% em 2019 para 10,4% em 2021 na popula\u00e7\u00e3o total. Nos homens de 14,5% para 10,8% e 13,8% para 10% nas mulheres. \u201cOs achados mostram de forma in\u00e9dita que ocorreu redu\u00e7\u00e3o no deslocamento ativo, em cerca de 30%. Ou seja, ap\u00f3s dois anos do in\u00edcio da pandemia, os n\u00edveis de deslocamento se mant\u00eam baixos, possivelmente por persistirem os trabalhos a dist\u00e2ncia, em home office, mas tamb\u00e9m pelo aumento do desemprego\u201d, destacou Deborah Malta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/Caminhada_PBH.png\" alt=\"Caminhada PBH\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><em>Observou-se redu\u00e7\u00e3o da preval\u00eancia da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica no tempo livre e no deslocamento<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a preval\u00eancia de adultos com pr\u00e1tica insuficiente de atividade f\u00edsica aumentou na popula\u00e7\u00e3o total de 44,8% para 48,2%, nos homens de 36,1% para 39,3%, e nas mulheres de 52,2% para 55,7%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inatividade f\u00edsica aumentou na popula\u00e7\u00e3o total de 13,9% para 15,8%, nos homens de 13,9% para 15,6%, e nas mulheres de 14% para 16%. O comportamento sedent\u00e1rio tamb\u00e9m aumentou, passando de 62,7% para 66% na popula\u00e7\u00e3o total, nos homens de 63,9% para 66,7% e mulheres de 61,7% para 65,4%. \u201cNesse sentido, o distanciamento desencadeou a redu\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es sociais e fez com que a popula\u00e7\u00e3o aumentasse o tempo em frente \u00e0 TV e no tablet, computador e celular, tornando-se uma op\u00e7\u00e3o de lazer e tamb\u00e9m uma alternativa de trabalho remoto. A redu\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica e o aumento de comportamentos sedent\u00e1rios afetam negativamente a qualidade de vida e a sa\u00fade, tendo efeitos prejudiciais na sa\u00fade cardiovascular e na infec\u00e7\u00e3o por Covid-19, al\u00e9m de repercuss\u00f5es na sa\u00fade mental e de poder resultar no aumento de mortes prematuras e evit\u00e1veis\u201d, pontuou a professora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao excesso de peso, o aumento foi de 55,4% para 57,2% em 2021\/22. Tamb\u00e9m aumentou a preval\u00eancia de obesidade, que era de 20,3% em 2019 para 22,4% em 2021\/22. A obesidade tamb\u00e9m aumentou nos homens, passando de 19,5% para 22%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a morbidade referida, houve aumento na preval\u00eancia autorreferida de hipertens\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o total de 24,5% para 26,3%, e entre homens de 21,2% para 25,4%. A preval\u00eancia autorreferida de diabetes aumentou de 7,5% para 9,1% para a popula\u00e7\u00e3o total, em mulheres de 7,8% para 9,6% (IC95%: 8,8; 10,5), e nos homens de 7,1% para 8,6%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo mostra, ainda, retrocesso na realiza\u00e7\u00e3o de exames de detec\u00e7\u00e3o precoce de c\u00e2ncer em mulheres. Houve redu\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da mamografia, que vinha em ascens\u00e3o no per\u00edodo, e da citologia onc\u00f3tica, que se encontrava est\u00e1vel. Houve redu\u00e7\u00e3o da cobertura de mamografia nos \u00faltimos dois anos, passando de 76,9% em 2019 para 72,8% em 2021\/2022. Houve diminui\u00e7\u00e3o da cobertura do exame de citologia do colo de \u00fatero nos \u00faltimos tr\u00eas anos, reduzindo de 81,5% em 2019 para 77,2% em 2021\/2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elabora\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><br \/>A pandemia de Covid-19 foi reconhecida em 11 de mar\u00e7o de 2020 pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em 26 de fevereiro e at\u00e9 28 de maio de 2022, foram registrados mais de 30,9 milh\u00f5es de casos e mais de 666 mil \u00f3bitos no pa\u00eds, n\u00famero este acima da m\u00e9dia global durante 2020 e 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das estat\u00edsticas de mortalidade, estudos t\u00eam apontado que as medidas de distanciamento social adotadas no enfrentamento \u00e0 pandemia resultaram tamb\u00e9m em mudan\u00e7as nos comportamentos e na sa\u00fade dos brasileiros, incluindo aumento dos sentimentos de solid\u00e3o, tristeza, estresse e ansiedade, piora nos estilos de vida (diminui\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica (AF), aumento do consumo de bebidas alco\u00f3licas, cigarros e de alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, destaca a import\u00e2ncia deste estudo, que permitiu delinear um panorama do comportamento em sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o adulta das capitais brasileiras nos per\u00edodos pr\u00e9 e durante a pandemia de Covid-19. \u201cAssim, ajuda na elabora\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, programar medidas de redu\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais e em sa\u00fade baseadas em evid\u00eancias, bem como pode contribuir para o planejamento e organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e programas de sa\u00fade no p\u00f3s-pandemia\u201d, enfatizou Deborah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da professora Deborah, o artigo \u00e9 assinado pela residente p\u00f3s-doutoral da Faculdade de Medicina da UFMG Crizian Saar Gomes; pelo mestrando da Escola de Enfermagem da UFMG Elton Junio Sady Prates e pela residente p\u00f3s-doutoral da EEUFMG Regina Tomie Ivata Bernal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo nacional realizado por pesquisadores da UFMG, com aproximadamente 54 mil pessoas, comparou as mudan\u00e7as ocorridas nos comportamentos de risco e prote\u00e7\u00e3o para doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis (DCNT), morbidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-4075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4075"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7814,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4075\/revisions\/7814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}