{"id":343,"date":"2016-12-22T09:47:17","date_gmt":"2016-12-22T11:47:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=343"},"modified":"2026-07-06T13:07:12","modified_gmt":"2026-07-06T16:07:12","slug":"efeito-regressivo-inicial-do-sisu-na-inclusao-socioeconomica-foi-revertido-com-integralizacao-da-lei-de-cotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=343","title":{"rendered":"Efeito regressivo inicial do Sisu na inclus\u00e3o socioecon\u00f4mica foi revertido com integraliza\u00e7\u00e3o da Lei de Cotas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A propor&ccedil;&atilde;o de ingressantes com perfil de baixa renda familiar na UFMG em 2016, ap&oacute;s a integraliza&ccedil;&atilde;o da Lei de Cotas, foi de 53%, pouco maior que o percentual verificado em 2012 (48%), &uacute;ltimo ano em que vigoraram os b&ocirc;nus para egressos de escola p&uacute;blica, com adicional para os que se autodeclarassem pretos ou pardos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/Foca.png\" alt=\"Foca\" style=\"float: left;\" \/>H&aacute;, por&eacute;m, uma distin&ccedil;&atilde;o fundamental na composi&ccedil;&atilde;o do corpo discente, de acordo com o pr&oacute;-reitor de Gradua&ccedil;&atilde;o, Ricardo Takahashi [foto]. &ldquo;Com as cotas, ocorreu uma equaliza&ccedil;&atilde;o, de tal maneira que hoje todos os cursos t&ecirc;m propor&ccedil;&atilde;o parecida desses estudantes, que at&eacute; 2012 se concentravam em algumas &aacute;reas, enquanto outras eram mais elitizadas. Isso faz uma grande diferen&ccedil;a do ponto de vista da inclus&atilde;o&rdquo;, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo per&iacute;odo, aumentou de 49% para 56% a presen&ccedil;a de estudantes que cursaram ensino m&eacute;dio na rede p&uacute;blica, como demonstra relat&oacute;rio elaborado pelo setor de estat&iacute;stica da Pr&oacute;-reitoria de Gradua&ccedil;&atilde;o (Prograd). O mesmo estudo revela que, pela primeira vez, um ter&ccedil;o dos alunos matriculados nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o conclu&iacute;ram ensino m&eacute;dio fora da Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte &ndash; 21% s&atilde;o oriundos do interior de Minas e 9,6% de outros estados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amplia&ccedil;&atilde;o da base geogr&aacute;fica n&atilde;o foi o &uacute;nico reflexo da ades&atilde;o da UFMG ao Sistema de Sele&ccedil;&atilde;o Unificada (Sisu). Ao elevar a concorr&ecirc;ncia pelas vagas, recebendo candidatos de todo o pa&iacute;s, o Sisu produziu efeito regressivo na inclus&atilde;o socioecon&ocirc;mica, causando inicialmente a redu&ccedil;&atilde;o do percentual de estudantes de baixa renda, de 48% em 2012 para 42% em 2014, o que foi gradualmente corrigido com a eleva&ccedil;&atilde;o do percentual de vagas reservadas para as cotas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras mudan&ccedil;as, vividas pela Universidade nos &uacute;ltimos anos, tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para alterar o perfil dos alunos de gradua&ccedil;&atilde;o. O Programa de B&ocirc;nus, que vigorou de 2008 a 2012, elevou o percentual de egressos de escola p&uacute;blica, que em 2009 j&aacute; eram 45%, frente aos 31% de 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m disso, o Vestibular foi substitu&iacute;do em 2014 pela nota do Exame Nacional do Ensino M&eacute;dio (Enem), que se tornou crit&eacute;rio &uacute;nico de sele&ccedil;&atilde;o para a maior parte dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o &ndash; com exce&ccedil;&atilde;o dos cursos que exigem provas de habilidades espec&iacute;ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Competitividade<br \/><\/strong>Em 2012, quando a UFMG aplicava o pr&oacute;prio vestibular e adotava o Programa de B&ocirc;nus, 48% dos ingressantes nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o enquadravam-se na categoria baixa renda. O mesmo percentual foi mantido no ano seguinte, em que vigorava o antigo processo de vestibular e teve in&iacute;cio a implanta&ccedil;&atilde;o da Lei de Cotas, com percentual de 12,5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Em 2014, as cotas sobem para 25%, mas entra um elemento inteiramente novo, o Sisu, com oferta de vagas para o Brasil inteiro, ampliando muito a base dos estudantes atendidos e principalmente com um processo em que o candidato vai verificando se sua nota &eacute; suficiente para entrar em determinado curso, e pode fazer novas escolhas, o que aumenta expressivamente a competitividade pelas vagas&rdquo;, relembra Ricardo Takahashi. Naquele ano, o percentual de estudantes de baixa renda caiu para 42%, subindo em 2015 para 46%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;A inten&ccedil;&atilde;o ao adotar as cotas era promover uma amplia&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica, enquanto o intuito, com o Sisu, era expandir a concorr&ecirc;ncia. Inicialmente, o efeito do aumento da competi&ccedil;&atilde;o preponderou. Mas, nesse modelo de ingresso, com o atual tamanho das cotas, a UFMG recuperou e at&eacute; ultrapassou um pouco o percentual de estudantes de baixa renda que havia antes do in&iacute;cio desse processo&rdquo;, avalia o pr&oacute;-reitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rede p&uacute;blica<\/strong><br \/>A sele&ccedil;&atilde;o pelo Sisu tamb&eacute;m teve reflexos na presen&ccedil;a de egressos de escolas p&uacute;blicas no corpo discente da UFMG. O percentual, que era de 48% em 2012, caiu para 42%, em 2014. Com a integraliza&ccedil;&atilde;o da Lei de Cotas, subiu para 55%, maior patamar atingido pela rede p&uacute;blica at&eacute; hoje na Universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Ricardo Takahashi chama aten&ccedil;&atilde;o para uma particularidade nesse quadro: a diferen&ccedil;a de desempenho observada entre a rede p&uacute;blica federal &ndash; composta basicamente pelo Col&eacute;gio T&eacute;cnico da UFMG, Cefet e Col&eacute;gio Militar &ndash; e a rede estadual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as primeiras tiveram crescimento significativo no per&iacute;odo &ndash; de 9,9%, em 2012, aos atuais 16,8% &ndash; as estaduais alcan&ccedil;am agora 35,8%, ultrapassando um pouco o patamar de 2012, que era de 33,5%. &ldquo;As cotas favoreceram bastante os estudantes das escolas p&uacute;blicas federais, que quase dobraram sua presen&ccedil;a nesse per&iacute;odo&rdquo;, comenta o pr&oacute;-reitor de Gradua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Composi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica<br \/><\/strong>A presen&ccedil;a de estudantes provenientes das cidades do interior de Minas Gerais vem se mantendo aproximadamente constante ao longo dos anos, tendo oscilado de 21%, em 2012, para 22%, em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, o Sisu proporcionou a amplia&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de alunos oriundos de outros estados brasileiros, percentual que passou de 4,45%, em 2012, para 9,6%, neste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, na opini&atilde;o do pr&oacute;-reitor, o Sisu propiciou a materializa&ccedil;&atilde;o de antigo projeto da UFMG, que j&aacute; na d&eacute;cada de 1990 ensaiou a realiza&ccedil;&atilde;o do vestibular em outras capitais. Desde o ano passado, S&atilde;o Paulo e Esp&iacute;rito Santo s&atilde;o os estados com maior presen&ccedil;a na UFMG, seguidos por Rio de Janeiro, Goi&aacute;s e Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Est&atilde;o mais presentes exatamente os estados fronteiri&ccedil;os, o que seria de se esperar, mas h&aacute; tamb&eacute;m estudantes de outras partes do pa&iacute;s, vindos de praticamente todos os estados&rdquo;, acrescenta o pr&oacute;-reitor. Em 2016, apenas Roraima e Amap&aacute; n&atilde;o se encontram representados no conjunto dos novos estudantes da UFMG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Declara&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a<br \/><\/strong>Por ser opcional, a declara&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a tem flutuado expressivamente nos &uacute;ltimos anos, o que impede a obten&ccedil;&atilde;o dos dados reais sobre a composi&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica do corpo discente. &ldquo;S&atilde;o n&uacute;meros contaminados pelo quanto a informa&ccedil;&atilde;o vai ser utilizada para gerar um benef&iacute;cio&rdquo;, explica Ricardo Takahashi, observando que os dados do relat&oacute;rio nesse item s&oacute; fazem sentido se cotejados com o benef&iacute;cio que essa decis&atilde;o pode gerar em cada contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At&eacute; 2012, por exemplo, o candidato com sete anos de escola p&uacute;blica que declarasse ra&ccedil;a teria direito a b&ocirc;nus extra. Com a ado&ccedil;&atilde;o da Lei de Cotas, desde 2013, embora o percentual de reserva &eacute;tnica fosse relativamente pequeno, tamb&eacute;m cresceu o percentual de alunos que poderia se beneficiar com a declara&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a, porque, em vez de sete, bastavam tr&ecirc;s anos de ensino m&eacute;dio cursados na escola p&uacute;blica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J&aacute; com a ades&atilde;o da UFMG ao Sisu, em 2014, o candidato passou a saber de antem&atilde;o se a autodeclara&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a faria ou n&atilde;o diferen&ccedil;a para seu ingresso, mudando a l&oacute;gica anterior, segundo a qual o candidato fazia a declara&ccedil;&atilde;o antes de prestar vestibular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, nesse per&iacute;odo, a op&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o desejo declarar&rdquo; varia muito: de 7,5%, em 2012, para 7%, em 2013, 14%, em 2014, 8%, em 2015, e 6%, em 2016. &ldquo;Uma parcela dos candidatos faz declara&ccedil;&atilde;o quando h&aacute; expectativa de que isso v&aacute; fazer diferen&ccedil;a&rdquo;, avalia o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo per&iacute;odo, os autodeclarados pretos passaram de 10%, em 2012, para 8,6%, em 2016, enquanto os autodeclarados pardos passaram de 37%, em 2012, para 40%, em 2016. Por outro lado, a soma de autodeclarados pretos e pardos com os que n&atilde;o desejam declarar &eacute; mais est&aacute;vel, variando de 54,5%, em 2012, para 53,6%, em 2013, 52,7%, em 2014, 52,1%, em 2015, e 54,9%, em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"images\/Foca2222.png\" alt=\"Foca2222\" style=\"float: left;\" \/>B&ocirc;nus e cotas<br \/><\/strong>De 2009 a 2012, a UFMG adotou, como a&ccedil;&atilde;o afirmativa, o Programa de B&ocirc;nus, que agregava 10% &agrave; nota final dos candidatos que tinham cursado as quatro &uacute;ltimas s&eacute;ries do ensino fundamental e todo o ensino m&eacute;dio em escola p&uacute;blica. Os candidatos que, al&eacute;m de atender a esses requisitos se autodeclaravam pardos ou pretos, recebiam b&ocirc;nus de 15% em sua nota final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2013, o Programa de B&ocirc;nus foi substitu&iacute;do por cotas, como definidas pela lei 12.711, que reserva vagas a estudantes que cursaram o ensino m&eacute;dio inteiramente em escola p&uacute;blica brasileira, al&eacute;m daqueles que obtiveram certifica&ccedil;&atilde;o do ensino m&eacute;dio por meio do Enem, pelo Exame Nacional para Certifica&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncias de Jovens e Adultos (Encceja) ou por exames de certifica&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia ou de avalia&ccedil;&atilde;o de jovens e adultos realizados pelos sistemas estaduais de ensino. A Lei de Cotas previa o aumento do percentual de vagas reservadas, de 12,5%, no primeiro ano, at&eacute; atingir 50%, em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, al&eacute;m das vagas de ampla concorr&ecirc;ncia, a lei define quatro modalidades de reserva. Mais informa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o dispon&iacute;veis em edital que regulamenta o processo de sele&ccedil;&atilde;o pelo Sisu, na UFMG, em 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Com Cedecom\/UFMG)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A propor&ccedil;&atilde;o de ingressantes com perfil de baixa renda familiar na UFMG em 2016, ap&oacute;s a integraliza&ccedil;&atilde;o da Lei de Cotas, foi de 53%, pouco maior que o percentual verificado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=343"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/343\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4985,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/343\/revisions\/4985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}