{"id":234,"date":"2016-09-22T13:13:18","date_gmt":"2016-09-22T16:13:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=234"},"modified":"2026-07-06T13:05:27","modified_gmt":"2026-07-06T16:05:27","slug":"acidente-de-transito-e-uma-epidemia-que-causa-impactos-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=234","title":{"rendered":"Acidente de tr\u00e2nsito \u00e9 uma epidemia que causa impactos no SUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/DSC_0392.JPG\" alt=\"DSC 0392\" style=\"float: left;\" \/>Foi realizada nessa quarta, 21 de setembro, no audit&oacute;rio Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG, a mesa-redonda &ldquo;Impactos dos acidentes de Tr&acirc;nsito na Sa&uacute;de&rdquo;. Essa foi mais uma a&ccedil;&atilde;o da campanha da Semana Nacional de Tr&acirc;nsito 2016 do Campus Sa&uacute;de da UFMG.<br \/>O evento discutiu as consequ&ecirc;ncias dos acidentes, como os cuidados assistenciais, o impacto emocional nas fam&iacute;lias dos acidentados e o impacto financeiro para o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Participaram da mesa as professoras da Escola de Enfermagem Allana Corr&ecirc;a e Deborah Malta, e o professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Frederico Garcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cuidados na assist&ecirc;ncia<br \/><\/strong>A professora Allana alertou para o fato de que o impacto causado pelo trauma &eacute; sempre inesperado e que, em poucas situa&ccedil;&otilde;es, as v&iacute;timas dos acidentes de tr&acirc;nsito podem contar com o atendimento adequado, inclusive, com hospitais de alta complexidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a professora, a velocidade dos ve&iacute;culos &eacute; um dos determinantes para o agravamento das les&otilde;es de trauma, causa de 50% das mortes nos locais do acidente. Dessa maneira, o trauma aparece como uma das interfaces da Rede de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s Urg&ecirc;ncias, que tem o objetivo, por meio da conex&atilde;o entre os diversos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, de qualificar o acesso ao atendimento em situa&ccedil;&atilde;o de urg&ecirc;ncia na rede p&uacute;blica de sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Allana destacou que, no atendimento pr&eacute;-hospitalar, a maior dificuldade &eacute; executar as prioridades nessa assist&ecirc;ncia de maneira adequada. Al&eacute;m disso, o profissional precisa avaliar a v&iacute;tima continuamente. &ldquo;A gente pensa sempre em levar aquela pessoa para o melhor atendimento poss&iacute;vel, para que ela retorne minimamente ao estado que estava antes de sofrer o acidente&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Impacto emocional<br \/><\/strong>&ldquo;Falar de acidente de tr&acirc;nsito &eacute; mais uma epidemia industrial.&rdquo;, declarou o professor Frederico Garcia. Ele tamb&eacute;m frisou que a ind&uacute;stria automobil&iacute;stica, ao mesmo tempo em que vendem carros com alta velocidade, vende a ideia de seguran&ccedil;a no tr&acirc;nsito, com carros cada vez mais equipados em prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o professor, abrir m&atilde;o do apego gera o sofrimento pela perda, sendo preciso, ent&atilde;o, enfrentar o processo de luto. Esse &eacute; o maior impacto emocional nas fam&iacute;lias das pessoas envolvidas com acidentes de tr&acirc;nsito, de acordo com Garcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Garcia explica que o sofrimento diminui a partir do enfrentamento do luto, que precisa ser entendido como um processo de viv&ecirc;ncia necess&aacute;rio, em que &eacute; preciso aceitar a perda e trabalhar a dor. Isso faz com que a realidade seja resignificada, a partir de novas perspectivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Impacto financeiro<br \/><\/strong>A professora Deborah Malta informou que um dos grandes problemas que contribuem para a viol&ecirc;ncia no tr&acirc;nsito &eacute; a hegemonia do transporte privado, em um pa&iacute;s em que h&aacute; circula&ccedil;&atilde;o maior que 90 milh&otilde;es de ve&iacute;culos nas ruas. O que se reflete no aumento dos n&uacute;meros de atendimentos de emerg&ecirc;ncias e interna&ccedil;&otilde;es, causadas por politraumatismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresentando dados do IPEA, de 2014, a professora destacou os mais de 120 mil acidentes de tr&acirc;nsito ocorridos nas rodovias federais, sendo a maioria das mortes presentes nos acidentes com colis&otilde;es frontais. Por ano, somente nas rodovias federais, o custo desses acidentes chega a 12 bilh&otilde;es de reais anuais. Quando analisada, em estimativa, toda a malha rodovi&aacute;ria do pa&iacute;s, o custo total pode chegar a 42 bilh&otilde;es de reais por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Eles destrincham os custos dos acidentes em rela&ccedil;&atilde;o a perda de produ&ccedil;&atilde;o, o que seria, de fato, o maior componente (a pessoa deixa de trabalhar e fica afastado), cerca de 43% desse total&rdquo;, apontou. Ela ainda comentou que &ldquo;a perda de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; o impacto mais relevante do ponto de vista monet&aacute;rio&rdquo;, por&eacute;m n&atilde;o pode desconsiderar os custos emocionais e outros custos financeiros, como os 20% das despesas hospitalares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Alice Souza Vieira, aluna do 6&ordm; per&iacute;odo do curso de Enfermagem, comentou sobre a import&acirc;ncia de discutir esse tema na universidade. &#8220;O tr&acirc;nsito tem tudo a ver com a sa&uacute;de e com a nossa forma&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma tem&aacute;tica multisetorial. &Eacute; nosso trabalho entender e compreender a din&acirc;mica dos acidentes de tr&acirc;nsito para podermos atuar na preven&ccedil;&atilde;o, na assist&ecirc;ncia e na reabilita&ccedil;&atilde;o. Acredito que pelos n&uacute;meros alarmantes apresentados nessa atividade, relacionados a alta mortalidade, morbidade, custos sociais e econ&ocirc;micos dos acidentes de tr&acirc;nsito essa tem&aacute;tica tem que ser cada vez mais discutida na universidade&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Semana Nacional do Tr&acirc;nsito 2016<br \/><\/strong>Com o tema &ldquo;Eu sou + 1 por um tr&acirc;nsito + seguro&rdquo;, a Semana tem como objetivo alertar e conscientizar a popula&ccedil;&atilde;o sobre a responsabilidade no tr&acirc;nsito. No Campus Sa&uacute;de, com atividades educativas e interativas desde a &uacute;ltima quinta-feira, 15, a programa&ccedil;&atilde;o termina no dia 23 de setembro, data em que a exposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;Sonhos que Envelhecem&rdquo; se encerra na Escola de Enfermagem. Aberta ao p&uacute;blico, a exibi&ccedil;&atilde;o apresenta miniaturas de carros batidos e abandonados produzidas pelo expositor Altivo Horta de Castro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesa-redonda foi promovida pela Comiss&atilde;o Organizadora de Eventos Educacionais para o Tr&acirc;nsito, vinculada &agrave; Comiss&atilde;o Permanente do Campus Sa&uacute;de.<br \/><em>(Com Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Medicina)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi realizada nessa quarta, 21 de setembro, no audit&oacute;rio Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG, a mesa-redonda &ldquo;Impactos dos acidentes de Tr&acirc;nsito na Sa&uacute;de&rdquo;. 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