{"id":189,"date":"2016-08-17T18:02:34","date_gmt":"2016-08-17T21:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?page_id=189"},"modified":"2026-07-06T13:04:40","modified_gmt":"2026-07-06T16:04:40","slug":"profissionais-de-saude-discutem-desafios-da-assistencia-obstetrica-e-neonatal-em-belo-horizonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enf.ufmg.br\/?p=189","title":{"rendered":"Profissionais de sa\u00fade discutem desafios da assist\u00eancia obst\u00e9trica e neonatal em Belo Horizonte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No dia 16 de agosto, foi realizado o semin&aacute;rio &ldquo;Nascer em Belo Horizonte: pr&aacute;tica obst&eacute;trica e demandas de cuidado&rdquo;. Profissionais de sa&uacute;de, gestores dos servi&ccedil;os, professores e estudantes se reuniram no Audit&oacute;rio Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG para discutirem as demandas de cuidado para a assist&ecirc;ncia obst&eacute;trica e neonatal em Belo Horizonte a partir dos resultados da pesquisa Nascer em BH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com uma das coordenadoras do evento, professora Eunice Francisca Martins, a pesquisa traz um retrato da situa&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-natal e parto no munic&iacute;pio. &ldquo;Podemos dizer que as gestantes est&atilde;o tendo a acesso ao pr&eacute;-natal e parto sem dificuldade. O n&uacute;mero preconizado de consultas est&aacute; sendo realizado. Contudo, o pr&eacute;-natal precisa avan&ccedil;ar em termos qualitativos, especialmente na forma como as informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o trabalhadas com as gestantes&rdquo;, pontuou.<br \/>Eunice destacou que tem sido alta a propor&ccedil;&atilde;o de gestantes classificadas como de alto risco (cerca de 25,0% do total), contudo a rede assistencial est&aacute; organizada e essas gestantes n&atilde;o tem tido dificuldade de acesso ao pr&eacute;-natal de alto risco. Cerca de 40,0% dos nascimentos ocorridos no munic&iacute;pio s&atilde;o de gestantes provenientes de outras cidades, a maioria da regi&atilde;o metropolitana. &ldquo;Outro resultado importante &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o a aten&ccedil;&atilde;o ao processo de parto e nascimento. Nas maternidades p&uacute;blicas a utiliza&ccedil;&atilde;o das chamadas boas pr&aacute;ticas no trabalho de parto e parto (pr&aacute;ticas recomendadas pela Organiza&ccedil;&atilde;o mundial de sa&uacute;de para favorecer o nascimento, tais como n&atilde;o restri&ccedil;&atilde;o da dieta durante o trabalho de parto, uso de m&eacute;todos n&atilde;o farmacol&oacute;gicos para al&iacute;vio da dor e deambula&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o bem superiores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s maternidades privadas, bem como o percentual de partos vaginais (70,0% x 25,0%)&rdquo;, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/eunice.JPG\" alt=\"eunice\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><strong>Professora Eunice Martins apresentando a estrutura das maternidades, ces&aacute;reas desnecess&aacute;rias e desfechos neonatais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pr&aacute;ticas favor&aacute;veis ao rec&eacute;m-nascido, tais como o aleitamento materno e contato precoce com a m&atilde;e na 1&ordf; hora de vida tamb&eacute;m foram avaliados. Constatou-se que 70,0% dos rec&eacute;m-nascidos a termo e sem altera&ccedil;&otilde;es ao nascer, tiveram contato precoce direto na primeira hora de vida, contudo ainda foi alta a preval&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas n&atilde;o recomendadas de rotina para o rec&eacute;m-nascido, tais como a aspira&ccedil;&atilde;o de vias a&eacute;reas e g&aacute;strica. Segundo a professora, o aleitamento materno ocorreu para na 1&ordf; hora de vida para 57,9% dos rec&eacute;m-nascidos e quase 90% das mulheres e seus filhos, foram juntos para o quarto ap&oacute;s o nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria do Carmo Leal, m&eacute;dica e pesquisadora titular da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, apresentou os resultados do projeto Nascer no Brasil e os aspectos da sa&uacute;de mental e materna. Segundo dados da pesquisa, 55% das mulheres n&atilde;o pretendiam engravidar. &ldquo;Isso mostra que &eacute; preciso mais suporte para a &aacute;rea de planejamento familiar. Aconteceu mais entre as adolescentes: somente 1\/3 delas teve a inten&ccedil;&atilde;o de engravidar. Est&aacute; associado com a condi&ccedil;&atilde;o de pobreza dessas mulheres, de sofrimento ps&iacute;quico, uso excessivo de bebida alco&oacute;lica, mulheres que est&atilde;o sem os companheiros e sem trabalho remunerado&rdquo;, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com ela, a prematuridade no Brasil &eacute; muito alta: 11,5%. As ocorr&ecirc;ncias s&atilde;o mais comuns nas regi&otilde;es Norte e Nordeste e acontecem na mesma magnitude no setor p&uacute;blico e privado. &ldquo;Essa prematuridade foi associada com um pr&eacute;-natal ruim, infec&ccedil;&otilde;es na hora da interna&ccedil;&atilde;o, condi&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio econ&ocirc;mica desfavor&aacute;vel das mulheres. O outro tipo de prematuridade &eacute; a interven&ccedil;&atilde;o obst&eacute;trica, provocada por meio de uma cesariana e que corresponde a 40% no Brasil. Ela est&aacute; associada ao nascimento no setor privado, entre as mulheres mais velhas e com alta escolaridade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/DSC_0628.JPG\" alt=\"DSC 0628\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><strong><span style=\"text-align: justify;\">Maria do Carmo Leal abordou o i<\/span>mpacto da pesquisa Nascer no Brasil na sociedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria do Carmo Leal afirmou tamb&eacute;m que, depois dessa pesquisa, foi poss&iacute;vel entender por que no Brasil as mulheres desejam mais a ces&aacute;rea que nos outros pa&iacute;ses. &ldquo;A forma como elas s&atilde;o atendidas para ter assist&ecirc;ncia ao parto normal &eacute; de um modo geral muito ruim, momento de amea&ccedil;a ao bem estar delas com interven&ccedil;&otilde;es dolorosas e desnecess&aacute;rias. Isso faz com que elas pensem que a melhor solu&ccedil;&atilde;o &eacute; ter um parto anestesiado&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo Nascer em BH teve um papel tamb&eacute;m de trazer informa&ccedil;&otilde;es para essa luta contra esse modelo de assist&ecirc;ncia ao parto. &ldquo;H&aacute; uma s&eacute;rie de maus tratos que acontecem durante o trabalho de parto que fazem com que seja uma agonia, um desespero, ao inv&eacute;s de ser um momento de celebra&ccedil;&atilde;o da vida que n&atilde;o seria necess&aacute;rio se fosse organizado um pr&eacute;-natal e a assist&ecirc;ncia ao parto de outra maneira&rdquo;, finaliza Maria do Carmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kleyde Ventura tamb&eacute;m comentou os resultados da pesquisa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aten&ccedil;&atilde;o obst&eacute;trica. No estudo, feito com 312 mulheres, foram coletados dados que dimensionam a pr&aacute;tica de assist&ecirc;ncia ao parto em que as enfermeiras obst&eacute;tricas s&atilde;o inseridas. Cerca de 75% dos partos foram assistidos por esses profissionais especializados. &ldquo;Quando as enfermeiras obst&eacute;tricas est&atilde;o inseridas, h&aacute; maior chance de pr&aacute;ticas recomendadas em evidencias cient&iacute;ficas e ben&eacute;ficas para as mulheres, como a oferta de l&iacute;quidos ou dieta, livre movimenta&ccedil;&atilde;o durante o trabalho de parto, presen&ccedil;a de acompanhante e uso de m&eacute;todos n&atilde;o farmacol&oacute;gicos para alivio da dor durante o trabalho de parto&rdquo;, conta a professora<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/DSC_0766.JPG\" alt=\"DSC 0766\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><strong>Os resultados dos estudos sobre a aten&ccedil;&atilde;o obst&eacute;trica foram apresentados pela professora Kleyde Ventura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Kleyde, &eacute; preciso pensar em uma filosofia do cuidado. &ldquo;A inser&ccedil;&atilde;o dessas enfermeiras qualifica o cuidado, mas &eacute; preciso tamb&eacute;m agregar uma filosofia que considere a mulher como protagonista do seu processo, que reconhe&ccedil;a a fisiologia do processo de parto e nascimento e que incorpore, definitivamente, pr&aacute;ticas baseadas em evidencias cient&iacute;ficas. &Eacute; fundamental cultivar esse modelo de aten&ccedil;&atilde;o humanizada j&aacute; durante a forma&ccedil;&atilde;o profissional, dentro da Universidade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em palestra, a professora L&iacute;via Errico apresentou um &iacute;ndice para medir e classificar a vulnerabilidade social das mulheres gr&aacute;vidas que participaram no estudo Nascer em BH. Segundo ela, com a ferramenta, foi poss&iacute;vel identificar quais s&atilde;o as mulheres mais vulner&aacute;veis e os riscos que poder&atilde;o surgir durante a gravidez. &ldquo;Queremos que esse &iacute;ndice seja um instrumento de trabalho do profissional de sa&uacute;de no atendimento a gestante para a constru&ccedil;&atilde;o de um plano de cuidado especifico para as necessidades de cada mulher&rdquo;, conta a professora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L&iacute;via elencou alguns dos fatores utilizados durante o estudo, como renda, escolaridade, etnia, moradia, emprego e n&uacute;mero de filhos, para classificar as mulheres participantes em tr&ecirc;s n&iacute;veis de vulnerabilidade: baixa, m&eacute;dia e alta. &ldquo;Aquela identificada como mais vulner&aacute;vel foi uma mulher negra, de 15 anos de idade, solteira e gr&aacute;vida do primeiro filho&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/livia.JPG\" alt=\"livia\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><strong>L&iacute;via &eacute;rrico falou sobre a vulnerabilidade social e a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher no ciclo grav&iacute;dico puerperal: uma proposta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como proposta de enfrentamento, a professora defende que &ldquo;o profissional n&atilde;o pode apenas focar nos aspectos cl&iacute;nicos da paciente. Ele precisa tamb&eacute;m ampliar a busca pelas necessidades de aten&ccedil;&atilde;o da gestante&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regina Pessoa de Aguiar, m&eacute;dica obst&eacute;trica e presidente do Comit&ecirc; Estadual de Preven&ccedil;&atilde;o de Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Minas Gerais, afirmou que o evento &eacute; de extrema import&acirc;ncia. &ldquo;&Eacute; uma oportunidade &uacute;nica conhecer esses dados e permitir que essa reflex&atilde;o v&aacute; al&eacute;m do que os n&uacute;meros mostram. S&atilde;o essas contribui&ccedil;&otilde;es que fazem um pensar diferente em sa&uacute;de&rdquo;, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evento foi organizado pelas professoras Eunice Francisca Martins, L&iacute;via de Souza Pancr&aacute;cio de Errico e Paula Gon&ccedil;alves Bicalho do grupo TECEnf- Tecnologias de Ensino e Cuidado em Enfermagem. Contou, ainda, com a colabora&ccedil;&atilde;o dos alunos Anna Cla&uacute;dia Santos Prado; Ot&aacute;vio J&uacute;nior da Costa; Indiane Almeida da Silva, Valqu&iacute;ria Souza Viana, Vanessa Aparecida dos Santos Pereira e D&eacute;bora Lorrane Gon&ccedil;alves Santos e Juliana Nazelli Usch Moreira e com o apoio da professora Torcata Amorim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 16 de agosto, foi realizado o semin&aacute;rio &ldquo;Nascer em Belo Horizonte: pr&aacute;tica obst&eacute;trica e demandas de cuidado&rdquo;. 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